Bernardo Pires analisou a derrota do Sporting diante do Benfica, por 84-71, no dérbi que marcou o arranque do campeonato nacional de basquetebol. Em conferência de imprensa, o treinador destacou o equilíbrio que marcou grande parte da partida e reconhece que a adaptação dos novos jogadores e da equipa técnica ainda vai demorar.
"Quando a vantagem passa de três ou quatro pontos para 10, num jogo a este nível e que estava a ser disputado posse de bola a posse de bola, criar essa 'almofada' no início do último quarto pode fazer a diferença. Hoje fez a diferença para o Benfica, mas se nós tivéssemos tido a mesma 'almofada' emocional poderia ter gerado o mesmo para a nossa equipa".
O técnico identificou ainda a componente emocional como um dos fatores prejudiciais: "Há dois pontos a ter em consideração. O primeiro, inevitavelmente, é o distanciamento e a gestão emocional a seguir a esse momento, porque somos pessoas e perante a adversidade e a frustração precisámos de alguns momentos para nos recompor. A seguir, em termos mais tácticos e estratégicos, a questão das faltas e o atingir do bónus rapidamente faz com que a nossa defesa fique mais permeável. Acaba por ser uma dupla-penalização: ficar emocionalmente feridos num jogo que estava a ser disputado posse de bola a posse de bola e, depois, alguma impotência visto que não podíamos subir de forma tão agressiva a defesa".
O treinador do emblema verde e branco lembrou que o plantel é bastante renovado e que também a equipa técnica está numa fase inicial dentro da estrutura leonina, o que implica um período de adaptação a novos métodos e processos.
B. Pires: "Neste momento toda a secção está em reconstrução, o que vai levar o seu tempo"
"Acredito que sim, porque o grupo é novo e nós somos também novos na estrutura. Uma entrada num clube desta dimensão requer muito mais do que treinar a equipa durante a semana e representá-lo ao fim-de-semana. Requer aprendizagem de processos, de estrutura e neste momento toda a secção está em reconstrução, o que vai levar o seu tempo. Foram dois fins-de-semana em que demonstrámos quão preparados estamos, que estamos quase lá e, depois, fruto da fadiga e da gestão das emoções acabámos por prevaricar nos momentos finais. Com o tempo, isso poderá ser diluído e o grupo terá condições para fechar o jogo de forma mais adulta e capaz".