TRAUMAS E DESAMORES
Ana Borges trocou Sporting pelo Benfica após não renovar contrato e assumiu que a estreia pelas águias foi o dia mais feliz da sua vida
24 Out 2026 | 15:16
Ana Borges trocou Sporting pelo Benfica após não renovar contrato e assumiu que a estreia pelas águias foi o dia mais feliz da sua vida
Ana Catarina Borges chegou ao Sporting em dezembro de 2016. Foi uma das referências do futebol feminino leonino, conquistou títulos e chegou ao estatuto de capitã. Em maio de 2025, o ciclo terminou sem proposta de renovação. A jogadora afirmou que fora dispensada e que, estando sem clube, não podia recusar a oportunidade oferecida pelas arqui-rivais das Leoas.
No meu compreendimento, a sua dispensa era uma inevitável questão de tempo, Se não tivesse sido em 2025, teria sido em 2026 ou 2027. Como lateral-direita, Ana Borges já não superava Beatriz Fonseca, quanto mais superaria a actual titular, Emma Ramírez Gorgoso.
É um princípio amplamente reconhecido nos anais da higiene mental que as experiências traumáticas podem deixar marcas profundas na psique humana e desencadear reacções desproporcionadas e susceptíveis de abalar convicções até então tidas por inabaláveis.
Durante anos Borges professou amar o Sporting Clube de Portugal, ao ponto de “encher” a sua fisionomia com tatuagens alusivas ao Leão.
Recentemente, quando regressou aos relvados, depois de 14 meses no “estaleiro”, aquela em tempos conhecida como “Borges, a Rápida” declarou que o dia em que se estreou pelas “rubras” foi, e passo a citar, “o dia mais feliz da minha vida”.
Existe uma velha expressão idiomática que declara que “um homem pode mudar de orientação sexual, pode mudar de religião ou pode mudar de partido político, mas nunca muda de clube”.
Desconheço se Ana Borges alguma vez mudou de inclinação cupídica, de crença religiosa ou de afiliação ideológica. Mas, aparentemente, a sua fé clubística sofreu uma profunda transformação depois do “trauma” de ter sido dispensada pelo Sporting.
É uma filosofia frequentemente proferida entre os de emoções mais maduras e mais contidas, uma doutrina que aconselha os de coração partido a não procurarem um novo amor enquanto não tiverem ultrapassado o desgosto do anterior. O risco é que a paixão nasça menos do coração do que do despeito, e menos da atracção do que do desejo de retaliar.
Como frequentemente acontece às meninas em idade liceal, Ana Borges não parece ter precisado de muito tempo para se enamorar novamente. Pena é que, aos 36 anos, e após sofrer uma rotura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo já ao serviço das “encarnadas”, Borges já não seja tão rápida (ou infatigável) onde a velocidade verdadeiramente conta, dentro das quatro linhas.
André Carreira de Figueiredo
Sócio n.º 26.518-0
Scouting do Sporting Clube de Portugal (2006-2010).
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