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A BRUNO O QUE É DE BRUNO E ÀS CLAQUES O QUE É DAS CLAQUES
Um novo ciclo, onde as claques sejam todas construtivas, é urgente porque a festa também há muito que se faz com elas.
30 Jan 2020, 08:00

(Bruno Fernandes abandona o Sporting, num negócio que muitos elogiam e outros tantos criticam. Não sei o suficiente sobre o mesmo para conseguir ter uma opinião formada. Do que tenho a certeza é que, resoluções à parte, deixará saudades e boas memórias. Honrou a camisola, do meu ponto de vista, e carregou, muitas vezes, toda uma equipa atrás dele. Obrigado, Bruno. Quero crer que o tempo te fará justiça e que o teu nome perdurará na nossa história colectiva.)

 

A propósito de uma intervenção que me foi solicitada, voltei a reler a designada Lei sobre a Violência no Desporto, agora à luz da verdadeira batalha campal que ocorre no Sporting a propósito das claques.

Também aqui temos algo de muito especial: o que nos outros clubes é apresentado como “animação”, no nosso é sempre anunciado como violência, mesmo quando não o é. Há sempre uma acentuada diferença na forma de se darem notícias sobre o Sporting ou sobre os outros clubes e essa diferença pode ser explicada de várias formas. O que não pode, contudo, ser negado é que o Sporting tem, genericamente, má imprensa, por motivos que um dia, por mais tarde que seja, serão conhecidos.

Dito isto, lida e relida a dita legislação, o que me saltou à vista foi a quase manifesta inutilidade das suas alterações para o fim que era pretendido. Com exclusão da maior responsabilidade dos Clubes, expressa no aumento das coimas, pouco ou nada de relevante, não se conhecendo qualquer trabalho útil provindo do órgão criado pela mesma. Dos episódios mais recentes ressalta a ideia que a violência aumentou ou, pelo menos, se tornou mais visível.

Tenho como óbvio que um adepto que prejudica deliberadamente um clube, fazendo-o incorrer em multas e promovendo um mero espectáculo de ódio, terá de repensar na forma de demonstrar o seu amor pelo clube. Arremessar tochas contra os nossos próprios atletas, por mais discordâncias que se possam ter com eles, com a Direcção ou com terceiros, é, refira-se, atentar contra o património do Sporting. Manifestações desse tipo não são, de todo, aceitáveis e, ademais, já nos custaram caro.

Por seu turno, segundo o próprio legislador, ao clube compete tomar as medidas adequadas a evitar que tal se repita, sendo que todos percebemos que não existem os meios para tal. Entre as ditas medidas, parece-me, não estará tomar-se uma parte, cuja extensão se desconhece, pelo todo e “castigar” todas as claques com a ameaça de que vão para a “gaiola”, principalmente se se atender a que apenas se rescindiu os protocolos com duas. Tal decisão, justifique-se como se justifique, radica num nivelar por baixo e não distingue aqueles que fazem a verdadeira festa dos que usam a claque para destruir o clube.

Em síntese, nesta guerrilha que está instalada entre claques e direcção, o que tem faltado é, acima de tudo, bom-senso, incluindo na escolha feita pelo legislador. Um novo ciclo, onde as claques sejam todas construtivas, é urgente porque a festa também há muito que se faz com elas. E, no final do dia, o que todos devemos querer é a vitória do Sporting.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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