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A CRISE EUROPEIA
Seria importante que todos os clubes, pela primeira vez, unissem esforços para encontrar soluções que viabilizem as competições e os competidores nacionais, nos anos vindouros.
03 Abr 2020, 09:00

Por toda a Europa, os efeitos do COVID 19 fazem-se sentir. As competições estão paradas e há incerteza sobre se ou quando se poderão terminar os diversos campeonatos.

Esta questão é de tal forma relevante, a nível financeiro, que várias discussões têm sido levadas a cabo pelos mais altos dirigentes dos clubes e da UEFA.

Há acessos às competições da UEFA a definir, há questões relacionadas com os patrocínios para tratar e, também, há questões relacionadas com os encargos dos clubes a salvaguardar.

Mesmo em Itália, onde os efeitos desta crise são mais impactantes, o critério económico continua a prevalecer. Nem mesmo os relatos mais emocionados dos presidentes de alguns clubes têm afastado o dinheiro de cima da mesa.

Por essa razão, já inúmeros clubes de primeira linha negociaram reduções salariais drásticas para os jogadores. E os que ainda não o fizeram, estudam enveredar por esse caminho.

Por cá, como é típico, a discussão ainda se centra em quem será ou não campeão, com os principais interessados a fomentarem uma espécie de guerrilha, por detrás da cortina, para alcançar o desiderato. Para além das típicas e propagandísticas manifestações de pujança financeira, ainda não foi posta à discussão os temas que, seriamente, têm que ser discutidos. Nem todos os jogadores que actuam no campeonato português, se podem dar ao luxo de negociar reduções salariais drásticas. Infelizmente, o nível salarial do nosso campeonato não é do mesmo nível do de outras competições de outros países europeus.

A própria sobrevivência de alguns clubes da I e II Liga pode estar em causa.

Seria importante que todos os clubes, pela primeira vez, unissem esforços para encontrar soluções que viabilizem as competições e os competidores nacionais, nos anos vindouros.

Até agora, tal questão não tem sido discutida.

No caso do Sporting, a venda de Bruno Fernandes, em Janeiro, deve ser suficiente para garantir um resultado positivo no presente exercício económico. Porém, não deixa de ter interesse perceber todo o impacto que este período de inactividade irá impor às contas do clube. Ou, até, o impacto que a situação de saúde pública, que se vive, terá na própria manutenção dos contratos de direitos televisivos, já que também as operadoras vão sofrer algumas consequências derivadas da fragilidade de alguns dos seus patrocinadores.

A par dos patrocínios e direitos de transmissão televisiva, a mais importante fonte de receita é o mercado de transferências. Sendo certo que o cenário de recessão é comum a todos os países europeus, que impacto isso terá na capacidade dos clubes das ligas mais fortes para vir contratar ao mercado português? Como será a vida depois do COVID 19 e de todos os outros clubes portugueses?

Agora, mais do que em qualquer outra altura, é tempo de “contar espingardas”, pelo que é importante que toda a equipa de administradores esteja em sintonia, quer quanto ao que será a estratégia própria da SAD, quer quanto à estratégia de relacionamento com os demais clubes das ligas profissionais, com quem se podem abrir oportunidades de mudança (para melhor) de relacionamento. Haja resiliência e sagacidade para fazer desta crise uma oportunidade e pode o Sporting sair da mesma melhor do que estava antes. Para isso é necessário todo o compromisso de todos os administradores da SAD, no sentido de colocar ao serviço da Instituição toda a competência que têm para oferecer.

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