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A EXIGÊNCIA NÃO VALE TUDO
Não devemos estar satisfeitos, nem devemos estar conformados, mas devemos sim fazer o nosso papel, dever e obrigação maior: apoiar o Sporting e não contribuir para qualquer tipo de instabilidade.
Imagem de destaque25 Abr 2021, 09:58

Esta semana, o nível de exigência dos Sportinguistas foi tanto, que até ultrapassou os limites do aceitável. Se, por um lado, é muito bom ver os Adeptos e Sócios do Sporting inconformados e sempre em busca de mais, por outro, ter certas e determinadas posturas em nome dessa exigência não só é um efeito contraproducente, como ainda acaba por tirar o foco do que realmente interessa, que é a harmonia e paz desta equipa, para conservar o equilíbrio tão necessário nesta recta final de campeonato.

Falo, naturalmente, do caso Paulinho em que os insultos nas redes sociais a este jogador do Sporting foram tantos, que o mesmo sentiu necessidade de encerrar os comentários nos seus posts. Aliás, foi um fenómeno tão grande que mereceu “honras” de capa de jornal (o Sporting ser notícia nem sempre é positivo, neste caso certamente não o foi).

Ainda que se entenda a insatisfação dos Sportinguistas, ávidos de um Sporting campeão e que se concorde que a margem de erro é, neste momento, nula, não sendo permitido perder mais pontos, sob pena de todos estes meses de um acalentar de sonhos e esperança, poderem rapidamente virar um pesadelo, não se percebe como o insulto dos nossos pode ser o caminho do incentivo.

É certo que é o jogador mais caro da história do Clube e que isso cria muita expectativa. Contudo, o valor económico de um jogador não se traduz, obrigatoriamente, no seu valor/rendimento desportivo.

Vários são os factores que podem influenciar (pela positiva ou negativamente) a integração de um jogador num novo plantel e todos sabemos disso. Inclusive, o peso da responsabilidade de se saber que se é o mais caro e que por isso as pessoas esperam mais de nós, pode ser, só por si, esse factor de bloqueio (quantos jogadores já não vimos nós a sucumbir perante o valor astronómico das suas contratações).

E se é certo que ninguém deve ficar satisfeito com um rendimento abaixo do expectável, ninguém pode acreditar que o jogador em causa não seja o primeiro dos inconformados com tal facto e que não esteja a fazer o seu melhor para ultrapassar os bloqueios que agora enfrenta.

Se há algo que devemos retirar de Alcochete é que o incentivo pela negativa nem sempre dá bons resultados, conforme infelizmente assistimos naquela final de taça quatro dias depois dos acontecimentos.

Por outro lado, ainda que entenda e concorde que o rendimento de Paulinho não está nos níveis desejados, não percebo (e já sei que neste ponto alguém me esclarecerá, iluminadamente, que deverei voltar para a cozinha, uma vez que deverei perceber mais disso do que de bola) como é que tantos e tantos Adeptos e Sócios, que se dizem de amor incondicional ao Clube, de repente se virem para um único jogador, como se ele fosse a raiz exclusiva de todos os males do Clube, quando, em campo, são 11 atletas a lutar pelo resultado.

Nos últimos dias tenho estado atenta aos argumentos que se vai dando para justificar tanto ressentimento: que quem não insulta e demonstra a sua insatisfação é um conformado do costume que se contenta com um 4º lugar; que as pessoas que não insultam não são exigentes; que o dinheiro que ele custou é um prejuízo face ao rendimento que tem demonstrado, etc.

Ainda assim, a sério que o insulto gratuito e barato é a solução? E o ataque, também ele fácil, a quem defende ou apoia de forma incondicional é também ele a via para manter o clima de “união” que se tem vivido nos últimos tempos? Justifica-se que tenha sido tão feroz, que tenha sido capa de jornal (algo inédito)? Há uma frase que muitos Sportinguistas dizem e que cada vez me faz mais sentido: não precisamos de ninguém, somos o nosso pior inimigo.

Não sei como costumam ser as pessoas nos seus trabalhos ou como costumam reagir mas, pessoalmente, se tiver de ir para um trabalho onde estou sempre debaixo do escrutínio público, onde as próprias pessoas que fazem parte do meu universo laboral me insultam constantemente e onde me exigem o que não cobram a outros, não me parece que vá com grande vontade ou me apeteça muito “dar o litro” para quem não me aprecia.

De qualquer forma, relembro algo essencial e que nada tem a ver com o Paulinho ou qualquer outro jogador: vamos a Braga e é decisivo (acho que nisto todos conseguimos concordar), mas vamos em clima de instabilidade e de ansiedade, quando podíamos ir em clima de força e pressão alta e isto não é culpa do Paulinho, mas de quem acha que atrás de um teclado faz melhor do que quem lá vai.

Não devemos estar satisfeitos, nem devemos estar conformados, mas devemos sim fazer o nosso papel, dever e obrigação maior: apoiar o Sporting e não contribuir para qualquer tipo de instabilidade (para isso, já nos chega tudo o que tem acontecido a nível de rivais e outras entidades externas).

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