summary_large_image
AS LIÇÕES DO CASO VIEIRA
Por estes dias, fica claro que vitórias não devem fazer esquecer tudo e anular o sentido crítico sobre atos de gestão. Principalmente quando esta esquece, consecutivamente, a palavra "transparência"
Imagem de destaque10 Jul 2021, 10:00

É impossível ficar indiferente ao momento que o nosso rival está a passar, em particular o seu máximo dirigente. Mas por muito que os pormenores continuem a ser passíveis de fazer-nos abrir a boca de espanto, a verdade é que, ao longo de anos, quem quisesse observar e escutar poderia notar uma série de “tiques” e sintomas que, mais cedo ou mais tarde, desaguariam neste pântano que é notícia do dia.

Muitas pessoas que simpatizam com o nosso rival, ofuscadas pelo brilho e pelo barulho das “vitórias”, recusavam-se a querer ver ou a escutar, muito menos arriscavam usar a lógica para analisar uma sequência de sinais:

  • relações privilegiadas e de parceria com certos empresários/agentes,
  • negócios intermediados por agentes que representam simultaneamente as 3 partes envolvidas,
  • transferências com valores sem qualquer racional económico ou lógico,
  • transferências em circuito fechado,
  • planteis extensos muito para lá do razoável,
  • jogadores contratados, mas que nunca chegaram a vestir a camisola,
  • comissões com percentagens cada vez mais galopantes de ano para ano,
  • transferências milionárias, mas sem a correspondente diminuição do passivo,
  • mistura entre os negócios particulares e o clube,
  • usar juízes como modo de implantar o seu projeto de poder no clube,
  • e, claro, todas as situações reveladas nos processos “mala ciau”, “e-mails”, “e-toupeira”, “saco azul”, etc.

Tiveram mais do que tempo para, pelo menos, tentar perceber o que se passava e é daqui que devemos tirar uma importantíssima lição: as vitórias não devem fazer esquecer tudo, desculpar tudo e anular o sentido crítico sobre os atos de gestão. Na verdade, deverá ser no momento das vitórias que mais atentos temos de estar, pois o efeito anestésico conduz a um “baixar da guarda”.

Deveremos, pois, olhar para os pontos acima, para os tais sintomas, e mantermo-nos suficientemente despertos e para impedir que os mesmos passos sejam percorridos por qualquer administração da Sporting SAD, por mais vitórias que nos traga.

Uma coisa é certa: quando anunciei que seria candidato às eleições de março de 2022, foram igualmente anunciados os pilares que norteariam o programa eleitoral desta candidatura.

Um desses pilares é a Transparência, que não se anuncia, pratica-se!

Toda a equipa que trabalhou e trabalha no programa eleitoral, em particular neste pilar, tem como profunda crença que não será suficiente fazer melhor. Terá que ser feito diferente, para afastar qualquer suspeita e qualquer forma de atuar em benefício próprio.

É por isso, aliás, que estou certo que quando forem reveladas as propostas e os princípios orientadores do pilar da Transparência, alguns ficarão desconfortáveis nas suas cadeiras. Um desconforto que apenas poderá ser evitado se tivermos como princípio máximo servir o Sporting e não servirmo-nos dele!

  Comentários
Mais Opinião