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CARLOS LOPES, CARTILHEIROS E COMUNICAÇÃO
A mensagem que está a passar é a de um clube sem capacidade financeira, com falta de ambição e sem perceber a importância da gestão emocional do seu maior ativo: os sócios e adeptos.
13 Ago 2020, 10:00

Fez esta semana 36 anos que o nosso querido Carlos Lopes venceu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. A forma como a conquistou numa fase em que Portugal não ambicionava nem tinha condições para tamanha proeza, fazem dele um dos símbolos máximos do desporto nacional. Da história do nosso Sporting.

Foi notícia há umas semanas que os programas desportivos com adeptos afetos a clubes iriam terminar em dois dos maiores canais de cabo. Uma boa notícia e com as suas virtudes, mas que deixa a via aberta para os cartilheiros dissimulados. A toxicidade destes programas era inequívoca, mas também eram o palco maior para a denúncia dos vários casos vergonhosos do futebol português. As entidades máximas do futebol fecham os olhos, a comunicação social na sua esmagadora maioria participa por omissão ou conivência e os comentadores ditos independentes são muitas vezes veículos de transmissão de cartilhas orquestradas por uma máquina de comunicação muito bem montada pelo nosso rival. O objetivo é purificar o futebol português ou permitir que o sistema funcione sem contraditório?

A comunicação do nosso clube e a estratégia associada à mesma não podiam estar mais afastadas do mundo leonino. A perceção que os sócios estão a ter é negativa e desmotivante. A mensagem que está a passar é a de um clube sem capacidade financeira, com falta de ambição e sem perceber a importância da gestão emocional do seu maior ativo: os sócios e adeptos. Vejo preocupação e atividade a favor do I-Voting – um tema que merece uma reflexão aprofundada e um debate abrangente a seu tempo – e muito pouca nas soluções para alterar o paradigma atual do futebol leonino. Falar verdade e com transparência não significa ter de passar uma ideia miserabilista e muito menos fazê-lo publicamente ou fora dos locais próprios. Baixar expectativas não significa deixarmos ou contribuirmos para que nos rebaixem. O Sporting precisa da força dos seus adeptos. De manter o sentimento de pertença e de identidade em relação ao clube. Atualmente os níveis estão abaixo do mínimo exigível.  O clubes crescem quando existe competência a nível de gestão, com a força dos seus adeptos e/ou  através da sua capacidade financeira. Com mais ou menos preponderância, é a relação entre estes vetores que vai definir o sucesso ou o insucesso. Sendo que é fundamental que dois deles estejam presentes.

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