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COMEÇAR BEM O ANO E DEPOIS, PASSOS EM FALSO…
A derrota na Madeira com o Marítimo foi um passo em falso. Difícil de digerir. Tenho visto alguns sócios a desvalorizar esta derrota. Não concordo. É uma prova para disputar e para ganhar.
15 Jan 2021, 16:47

Passado o Natal e o fim do Ano, volto às crónicas semanais no Leonino. Desejo a todo o staff e aos leitores do Jornal o melhor ano possível em 2021, coroado com vitórias significativas do nosso Clube.

Começámos bem em 2021 no que à equipa de futebol diz respeito.  A vitória sobre o Braga foi importantíssima.  Colocou-nos a oito pontos deste rival e em condições normais, na pior das hipóteses, com via aberta para a fase de qualificação da Liga dos Campeões. Depois de vitórias sucessivas sobre Farense, Belenenses e Braga, é de salientar a competência da equipa técnica e jogadores. Tivemos sorte nestas partidas é um facto, mas a sequência de vitórias é sinónimo de mérito.

Reconheço a minha desconfiança inicial quanto a Rúben Amorim. Treinador sem experiência, um absurdo de caro, cuja justificação da contratação era sustentada na valorização de activos como Matheus Nunes. O jogo da penúltima jornada, da época passada, em casa, com o Vitória de Setúbal deixou-me amargos de boca. Achei inadmissível não conseguirmos naquele jogo o apuramento para a fase de grupos da Liga Europa perante uma equipa sofrível e com uma estrutura desfeita. Passados uns meses, uma goleada em casa contra uma equipa austríaca sem histórico europeu, também me deixou muito decepcionado. Ao Sporting CP, aos seus atletas e treinadores exige-se disputar, no mínimo, as fases de grupos das competições europeias.

O que é certo é que depois desses desaires, Amorim tem conseguido vitórias a nível interno e o Sporting CP está com todo o merecimento na liderança do campeonato. Tem um discurso assertivo, mobilizou os jogadores e adeptos e devolveu-nos a esperança. Isso deve-se também aos bons jogadores que o Sporting tem e à relação de confiança que se estabeleceu com o treinador. Felizmente que João Palhinha, contra a vontade dos dirigentes do Clube, insistiu em ficar. Escrevi aqui, antes sequer de ele começar a jogar, que era o melhor número seis do campeonato português. A minha análise era óbvia. Só uma “estrutura” desatenta não o percebia. João Mário por sua vez, trouxe a sua categoria ao meio campo, marcando os ritmos de jogo, fazendo passes com critério e uma voz de comando experiente. Os jogos vencem-se com um grande meio campo e isso tem acontecido, mas os campeonatos ganham-se com um forte ataque, que não temos.

Espero que até ao encerramento do mercado possa vir um goleador de créditos firmados que nos ajude a finalmente conseguir o título.

A derrota na Madeira com o Marítimo foi um passo em falso. Difícil de digerir. Tenho visto alguns sócios a desvalorizar esta derrota. Não concordo. É uma prova para disputar e para ganhar. Quero uma vitória hoje e espero que na próxima semana o Sporting CP vença a Taça da Liga. É o mínimo para nos compensar da forma como fomos afastados da Taça de Portugal.

Tema que me deixa muito triste é a forma como os atletas olímpicos têm sido dispensados. A oito meses dos Jogos Olímpicos de Tóquio, depois do investimento relevante feito pelo Clube no último quadriénio, é de uma total falta de visão e de conhecimento da história e pergaminhos do Clube. Lá está. São visões distintas. Há quem, como eu, defenda o Sporting CP eclético, grande e popular e outros há que só olham e a maior parte das vezes mal, para a equipa de futebol.

Nelson Évora, Emanuel Silva e Francisca Laia, os dois primeiros medalhados olímpicos eram reais esperanças para novas Medalhas em Julho de 2021. Não consigo compreender a atitude de os dispensar quando em contrapartida vemos gastos avultados noutras modalidades sem impacto algum a nível nacional e muito menos internacional.

Recordo-me a este propósito um episódio que me marcou e que devia ser exemplo para qualquer sócio do Sporting CP. No dia 2 de Novembro de 2016 jogava-se na Alemanha a quarta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Antes do jogo há sempre um almoço de confraternização entre as comitivas/direcções de ambas as equipas. Quinze dias antes o Sporting CP tenha recebido os alemães do Borussia Dortmund que nos últimos 10 minutos da partida, para quem se recorda, estando a vencer por 2-1, fizeram um inaceitável e inusitado anti-jogo, com vários jogadores a pedir assistência. Ora, na sequência de vários desses momentos, num lançamento lateral, os jogadores do Sporting CP não devolveram a bola e seguiram jogo o que suscitou um enorme e cínico protesto da comitiva alemã.

Voltando ao dito almoço de confraternização entre as comitivas que era “apadrinhado” pelo Delegado da UEFA e pelo Cônsul de Portugal em Dusseldorf, Dr. Jose Manuel Carneiro Mendes, o Presidente do Borussia Dortmund, no seu discurso, contra todas as regras da urbanidade e respeito, ousou afirmar, na sua arrogância alemã, que o Sporting CP não primava pelo fair-play e que isso era inaceitável. Ficámos todos a olhar uns para os outros e com vontade de nos levantarmos e irmos embora perante aquele ultraje. Felizmente que o Bruno de Carvalho não estava presente e sendo o Carlos Vieira o Vice Presidente mais graduado tomou a palavra e com a maior calma, como grande senhor que é, respondeu que o Sporting CP é um Clube centenário, que desde o início do Seculo XX participou em todas as olimpíadas, somos dos Clubes do Mundo com maior representação de sempre e medalhados nos Jogos Olímpicos, onde impera a verdade desportiva, a seriedade e o fair-play e por isso não aceitamos lições de quem quer que seja a esse respeito. Os alemães ficaram calados com tamanha bofetada de luva branca. Quem não percebe o que é o Sporting CP não percebe que os Jogos Olímpicos são parte da nossa história e identidade e que os valores do Olimpismo têm de estar sempre presentes na nossa vida enquanto Clube.

Na próxima semana terei ocasião de fazer o rescaldo desta jornada desportiva e do vergonhoso despedimento colectivo que assolou os briosos funcionários do Clube e SAD.

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