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CONFLITUALIDADE CRESCENTE
Quem se vai rindo do escalar no confronto entre Sporting e Porto é Luís Filipe Vieira.
26 Out 2020, 09:00

Nos Açores, tivemos um jogo em linha com o esperado da equipa de Rúben Amorim. De novo sem uma referência central no ataque, o Sporting vive de contra ataques e lançamentos em profundidade para infligir danos aos adversários. Foi assim que nasceu o primeiro golo de Pedro Gonçalves, após lançamento em profundidade de Jovane Cabral, num lance onde o guarda-redes açoriano se deixou surpreender pelo remate de angulo apertado. No entanto, os erros defensivos também são imagem de marca da equipa treinada por Amorim, pelo que Thiago Santana não perdoou, numa jogada onde Coates e Adán não ficam bem na fotografia. O jogo assim complicou-se, tendo sido desbloqueado, não em ataque planeado, como seria de supor num assalto final, mas sim em mais um lançamento em profundidade de Feddal para Pedro Gonçalves, em que o guarda-redes açoriano fez o “favor de atropelar” um defesa açoriano, deixando a baliza aberta para o jogador leonino bisar na partida, assegurando assim os três pontos para a formação verde e branca. Na próxima quarta-feira, em jogo em atraso da 1ª jornada, se o Gil Vicente mantiver as suas linhas recuadas, pode causar muitas dificuldades. Vencendo, o Sporting garante o 2º lugar isolado, posição este ano que garante a qualificação para a fase de grupos da Champions League.

Em viagem diametralmente oposta, seguiu Luciano Vietto rumo ao Al Hilal, da Arábia Saudita. Integrado no acordo com o Atlético de Madrid por Gelson Martins, no qual o Sporting o valorizou em 7,5 milhões de euros, conforme comunicado à CMVMem Maio de 2019 (1), verifica-se agora uma venda em que o Sporting apenas recebe metade dos 7 milhões de euros pagos pelos árabes, revertendo a outra metade para o clube da capital espanhola (2). Assim, os “colchoneros, clube com ligações privilegiadas a Jorge Mendes, emergem como os grandes vencedores destas negociações. Ao Sporting cabe assumir o fracasso, quer de rentabilidade financeiraquer de desportiva, com o argentino, saindo de Alvalade, após um ano deprimente em todas as competições e sem qualquer título de verde e branco. É pois inexplicável o vídeo de despedida (3), com palavras elogiosas que Hugo Viana lhe dedica, contrastando com o silencio do mesmo diretor desportivo aquando, por exemplo, da saída de BasDost, avançado marcante da historia recente do Sporting, que conquistou duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal em três anos.

A semana passada ficou indelevelmente marcada pela troca de palavras em Pinto da Costa e Frederico Varandas. Após a posição inequívoca de Varandas na conferência de imprensa pós clássico, onde afirmou que o lance de Pedro Gonçalves jamais seria revertido no Dragão, o líder portista teceu considerações sobre os eventos de Alcochete, identificando Varandas como o principal beneficiado do acontecimento, rematando a sua intervenção dizendo que, quando Varandas se dedicar à medicina, prestará um grande serviço ao Sporting(4). A resposta, contundente, do Presidente leonino aconteceu no embarque para os Açores, afirmando que “um bandido será sempre um bandido” (5), numa alusão ao envolvimento de Pinto da Costa no processo Apito Dourado. Está assim aberto um confronto pessoal e direto entre dois presidentes, num ambiente de violência verbal indesmentível, que outrora foi tão criticado nos meios Sportinguistas. Se por um lado a intervenção de Pinto da Costa não podia passar em claro, a gradação e o nível de virulência na resposta devia ter sido ponderada, de forma a não contribuir para o exaltamento e promoção de comportamentos inadequados das respetivas massas adeptas. Menos ainda se percebe estas atitudes quando, no sábado,estiveram juntos, em plena tribuna de Alvalade (4)Quem se vai rindo do escalar no confronto entre Sporting e Porto é Luís Filipe Vieira. À conta deste conflito, passou incólume a ausência de debates entre os candidatos à agremiação a que preside, parecendo ter a reeleição no bolso. Quem diria que Vieira iria ter a sua frente externa tão tranquila, quando há cerca dum mês, parecia estar irremediavelmente enredado numa série de processos judiciais, à mercê dum golpe de misericórdia.

Como reflexão final, o atual comportamento de Varandas, agressivo e enérgico, tanto interna como externamente, poderá indiciar que o mesmo está a catalisar eventos, acelerando calendários, corroborando a ideia de que se irá recandidatar. E talvez mais cedo do que muitos julgam…

Diretor Leonino

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