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DA “GUERRA DOS SEIS DIAS” AO VIETNAME”
Diz o povo que "mais vale um mau acordo que uma boa demanda"...será isso possível neste caso?
20 Jan 2020, 08:45

9 de Abril de 2012: Sá Pinto no banco e Godinho Lopes na Tribuna. Ricky Van Wolfswinkel converte o penalty com que o Sporting derrota o Benfica de Jorge Jesus, por 1-0 (acabando o Porto por ser campeão), fazendo assim com que a última vitória do Sporting sobre o seu rival, no campeonato, tenha acontecido decorridos sete anos e nove meses. Nos oito derbys seguintes, para o campeonato, o Sporting nunca mais ganhou: empatou quatro vezes e foi derrotado também outras quatro com score negativo global, em termos de golos, 6-13. Como explicar, neste período de tempo, a inexistência de resultados considerando o fator casa?

Refira-se também a aberração de, ao longo dos anos, à entrada para o estádio, na porta 1, os adeptos do Sporting terem que esperar que suas “excelências” as claques dos clubes adversários (ou grupos organizados de adeptos, como alguns “Estadistas” referem) entrem com a maior das descontrações, enquanto os Sportinguistas esperam para entrar em último, muitas vezes já com o jogo a decorrer. Alvalade é o único estádio dos “grandes” onde os adeptos da casa são tratados sem consideração. Porquê?? Um verdadeiro mistério!

Neste derby, no campo, confirmou-se o favoritismo dos encarnados que as casas das apostas vaticinavam: uma equipa organizada, a lutar para o título, contra um Sporting que, enquanto teve fôlego, foi aguentando e disfarçando, não se estranhando o colapso aos 80 minutos.

Durante o jogo, um acontecimento marcante foi o que se passou nas bancadas: embora do lado visitante, onde não existiam claques legais, foram permitidos, como inexplicavelmente acontece todos os anos, adereços, bandeiras, tochas, petardos e silvos a lembrar very lights, perante a total passividade das forças de segurança (e do público Sportinguista!).  Do lado da Curva Sul, assistiu-se a algo impensável no reatar do jogo: um espetáculo dantesco de pirotecnia e tochas como não se via desde o conturbado mês de Abril de 2018!

E aqui reside o facto “político” da semana. Não obstante a ruidosa censura a este comportamento vindo da Curva Sul, foi também visível a consciencialização de uma coisa: esta guerra está para durar e não tem fim à vista. É que, apesar de todos os esforços da Direção em enfraquecer as claques do Sporting, com respaldo até da Liga e da Secretaria de Estado do Desporto, elas provaram “no terreno”, a força que têm, ao conseguir, mesmo com todas as proibições de adereços, fazer o que quiseram, e como quiseram, durante cinco minutos, interrompendo o próprio jogo. Inimaginável! E isto acontece mesmo com a generalidade da opinião pública apoiando a Direção nesta matéria. Será que aquilo que se previa ser uma “Guerra dos Seis Dias” poderá transformar-se num autêntico Vietname?

Estamos de facto perante um problema complicado sem fim à vista. Diz o povo que “mais vale um mau acordo que uma boa demanda“…será isso possível neste caso?

Se da parte de Frederico Varandas parece haver um comprometimento pessoal em levar até ao fim a sua demanda com as claques, poder-se-á inferir que a restante Direção o quererá acompanhar nesta luta?  É que seria difícil de explicar uma desagregação interna da Direção, menos de um mês depois de o Presidente ter sido agraciado pelo Grupo Stromp, com todo o significado simbólico e “politico” que tal facto tem no universo leonino.

E qual o pensamento e postura de Rogério Alves, Presidente da Mesa da Assembleia Geral e representante máximo dos sócios? Será institucionalmente solidário com a Direção ou irá cair na tentação de “lavar as mãos” como Pilatos a pensar no futuro, dado poder haver muitos votos nas mãos dos Sócios que pertencem às claques, dando provimento assim ao pedido de realização da AG destitutiva a decorrer? É uma situação “política” tristemente interessante de acompanhar, pois estamos na iminência de atingir o 19.º ano consecutivo sem vencer um campeonato de futebol e o desgaste de guerras contínuas entre Sportinguistas tornam penosa a vivência clubística.

Haverá solução para isto?

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