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DESTA VEZ, A ESTRELINHA ACOMPANHOU MESMO.
Este jogo foi um alerta para que estejamos atentos a festejos precoces, nada está ganho e é preciso trabalhar ainda mais para o sprint final.
06 Mar 2021, 09:44

Zero ídolos. É isto que ouço várias vezes por parte dos Sportinguistas. Consigo perceber o motivo pelo qual pensam assim, é tão fácil sofrer uma desilusão quando se idolatra um ser humano. Contudo, nunca consegui concordar com tal posição pois apesar de ser a instituição Sporting que tem de vir em primeiro lugar (perdoem-me, mas também não sou fã do “Sporting sou eu e os meus amigos”), a verdade é que são as pessoas que fazem a instituição.

Por outro lado, acho é que se deve repensar o conceito de ídolos e não o usar levianamente, ponderando muito bem quem se deve idolatrar. A tendência, já se sabe, vai para os jogadores de futebol ou outros atletas que, hoje em dia, salvo raras excepções, com o ritmo dos mercados e do dinheiro, não fazem carreira num único clube, por devoção a uma camisola.

Sei que isto também é alvo de muitas críticas, mas, para mim, muito sinceramente, os atletas, hoje em dia, são trabalhadores tal como tantas outras pessoas e que, se tiverem oportunidade de sair para aquilo que consideram ser uma oportunidade melhor (ou mesmo por estarem fartos do trabalho), têm todo o direito de o fazer, como qualquer um de nós.

Os ídolos devem ser outros e esses serão eternos. Sem José de Alvalade ou Francisco Stromp, não teríamos Sporting, sem Joaquim Agostinho não teríamos a história que temos no ciclismo, sem os 5 violinos, não teríamos tido uma época dourada no futebol. Sem os manos Castro ou Carlos Lopes, que história teríamos no atletismo?

Se, na semana passada, falei da primeira vez em que entrei no estádio pela mão do meu pai, esta semana é incontornável falar da primeira vez que ouvi falar do Sporting e porque é que comecei a gostar do Clube. Curiosamente, nada teve a ver com futebol, mas sim com atletismo. A minha tia era fã fervorosa dos manos Castro e seguia todas as provas em que competiam. Por arrasto, lá ia eu. Se Sporting não foi a primeira palavra que disse, deverá estar na lista do top 20. Assim, quando me lembro a origem do meu contacto com o Sporting, não é sequer de futebol que me lembro, mas lembro-me de pessoas que vi ao serviço do clube.

Maria José Valério, para mim, faz parte deste acervo de ídolos que se devem ter no universo Sportinguista. Não há ninguém que possa questionar o seu Sportinguismo e todos temos uma memória de infância com ela, não fosse a Marcha do Sporting a primeira música que se aprende.

Esta semana a vida foi injusta e levou mais um dos grandes ídolos do Sporting, de uma forma que deixa mágoa, por estarmos tão perto de alcançar um objectivo que nos foge há 19 anos (nada está ainda garantido, obviamente, mas a expectativa aumenta a cada jogo e a cada vitória) e que pode estar a escassos meses de se tornar real.

Pessoas como Maria José Valério, para mim, não morrem, tornam-se lendas. E compete a cada um de nós manter vivo o seu legado, através da sua música, ensinando-a quase de berço às gerações futuras e transmitindo a mística que se sentia quando se ouvia a sua voz. Isto é um ídolo e dos bons.

Escrevo no rescaldo de uma vitória tirada a ferros, 3 pontos duramente conquistados e à medida que vamos vencendo e seguindo em frente, apercebo-me que para o coração é difícil ganhar (infelizmente, a falta de hábito tem destas coisas), cada percalço é um sobressalto e dá direito a paragem respiratória. Mas também sei que no fim, a vitória também tem mais sabor exactamente por ter sido difícil.

Este jogo foi um alerta para que estejamos atentos a festejos precoces, nada está ganho e é preciso trabalhar ainda mais para o sprint final. Mas também acredito que neste jogo tivemos, sim, uma estrelinha a acompanhar: Maria José Valério esteve com o Sporting, como sempre estará eternamente. E por isso, será sempre um ídolo para mim.

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