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DISPARAR O ARPÃO NA CABEÇA DO POLVO
Fica claro que os tentáculos são de tal maneira longos que o futebol português parece uma pequena piscina de crianças.  
17 Set 2020, 10:00

Há duas perguntas que a maioria dos Sportinguistas gostava de ver respondida: sendo o primeiro-ministro António Costa dos políticos mais calculistas que este país já viu, como foi possível cometer o erro de aceitar a presença na lista de honra do candidato Luís Filipe Vieira? Qual é a importância deste tema para o Sporting Clube de Portugal?

Em relação à primeira pergunta, apenas podemos tentar adivinhar. É inevitável pensarmos que um político como António Costa apenas se deixava associar a uma pessoa como LFV se houvesse algo que não fosse percetível ao grande público. É legítimo especular sobre essa hipótese quando a justificação lógica nos parece absurda. Outra visão é a de que António Costa foi apenas ingénuo e imprudente ao ponto de sentir uma impunidade tal que uma associação destas não iria ter consequências políticas ou na opinião pública. Como cidadão interrogo-me o que levará a que primeiros-ministros, presidentes de câmara, deputados da assembleia da república ou altos membros da polícia judiciária aceitem e queiram estar associados a um cidadão que tem pendentes sobre si todos os gravíssimos casos judiciais e manobras menos éticas que são públicas? Fica claro que os tentáculos são de tal maneira longos que o futebol português parece uma pequena piscina de crianças.

A resposta à segunda pergunta justifica a pertinência de pensarmos e questionarmos sobre um tema que à partida nos devia apenas inquietar como cidadãos e não como adeptos do Sporting. A sensação que tenho há vários anos é a frustração de quem está sentado na praia à espera que a água nos molhe os pés. Havia sempre alguém que nos puxava para trás. Havia sempre alguém que construía um muro de areia que a ondulação não conseguia transpor. Foram vários os anos que estive na Sporting TV a denunciar algo que me parecia gravíssimo. Algo que trazia injustiça ao futebol português. Tive o orgulho e o prazer de mais tarde também o fazer, e com outra projeção, ao lado do Nuno Saraiva. Foram casos atrás de casos que fomos denunciando semanalmente. O modus operandi do nosso rival estava à vista de todos. O problema é que, tirando os canais dos clubes rivais, praticamente nenhum jornalista ou órgão de imprensa investigava ou debatia estes factos. Existia uma cortina de fumo que era símbolo de um poder obscuro. As acusações dos tribunais eram e são reais, as influências eram e são reais, os e-mails eram públicos e reais, as ligações iam desde juízes, a árbitros, a profissionais da polícia ou até a elementos da imprensa. Simplesmente eram ignoradas por uma parte da população porque o clube deles ganhava e por outra por medo ou cobardia.

Este é um tema muito importante para o Sporting porque nos influencia diretamente. Porque altera as regras do campeonato. Porque traz injustiça e desigualdade à liga portuguesa. A nossa maior ou menor competência a gerir o clube não nos tira os valores e os princípios em que acreditamos. Temos sempre de ser pró-ativos nesta luta. Fazer ouvir a nossa voz. Ir até às últimas consequências.

A grande diferença do presente para o passado é que existe agora uma janela de oportunidade que não podemos desperdiçar. Há uma abertura da comunicação social e de pessoas com alcance público que não existia anteriormente. Há vários casos em tribunal a avançar. Não existiu melhor timing para tentar limpar o futebol português. Para tentar erradicar as práticas malditas de um polvo com demasiados tentáculos. Com demasiado poder. A hora é de pressionar. Atacar diretamente a cabeça do polvo. Defender o Sporting e os Sportinguistas é não deixar escapar esta oportunidade. Parece que houve muita gente que teve uma visão. Aproveitemos. A época 2015/2016, entre muitas outras, espera por nós.

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