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MAIS UMA VEZ SOBRE CONTAS E DEBATES
Pertenci à única Direção que teve um primeiro mandato e 25% de um segundo que apresentou lucro. Isto tendo em conta as Direções eleitas a partir de 1995.
30 Jun 2020, 09:00

A minha participação na 3ª sessão do Sporting Com Rumo teve um foco que considero importante. De nada interessa estarmos a discutir sustentabilidade financeira sem querermos um rumo definido para aquilo que a nossa organização pretende. E foi por isso que sugeri que o nome do painel se chamasse Sucesso Desportivo Sustentável. Isto porque a realidade de uma organização deve adaptar-se ao que os seus donos pretendem. E por donos, no caso do Sporting Clube de Portugal, falo, claro, dos sócios. E aquilo que pretendem deve ser definido e julgado desde o dia em que alguém se candidata a um órgão social até ao dia-a-dia da sua gestão e do mandato que lhe foi atribuído. Uma pessoa não é Presidente. Está como Presidente.

As críticas construtivas de terceiros que comigo contactaram a posteriori focaram-se no pouco que falei sobre a situação financeira e sobre a reestruturação que se atrasa. Pois, não o tendo feito na sessão, entendo poder deixá-lo escrito aqui no Leonino (que, já agora, em cada dia que passa se torna um órgão de comunicação mais credível, mais plural e mais seguido por outros dos seus pares, o que se saúda).

Em primeiro lugar saúdo também o que Agostinho Abade começou por dizer no referido painel – o Sporting está em crise financeira há pelo menos cinquenta anos. Aproveito e reescrevo algo que já tinha apresentado há uns meses, relativamente aos dados oficiais, apurados pelas auditorias das diversas Direções – a auditoria financeira do Engenheiro Godinho Lopes de 2011, as Auditorias de Gestão da Direção a que pertenci e a recente Auditoria (ainda não formalmente apresentada aos sócios) da atual Direção. Já agora, era positivo que fosse comunicado aos sócios o ponto de situação das investigações e das queixas crime e disciplinares que originaram uma divulgação ilegítima de informação extremamente sensível.

Apresento os resultados líquidos consolidados do Grupo Sporting por mandatos e por Presidente:

  1. Mandato Pedro Santana Lopes / José Roquette: € -32 Milhões (Prejuízo)
  2. Mandato Dias da Cunha: € -118 milhões (PREJUÍZO)
  3. Mandato Soares Franco: € -51M (Prejuízo)
  4. Mandato José Eduardo Bettencourt: € -70M (Prejuízo)
  5. Mandato Luís Godinho Lopes: € -111M (PREJUÍZO)
  6. Mandato Bruno de Carvalho: € +1M (Lucro)

Ou seja, pertenci à única Direção que teve um primeiro mandato e 25% de um segundo que apresentou lucro. Isto tendo em conta as Direções eleitas a partir de 1995.

Como disse no debate, existe neste momento a possibilidade de corrigir um erro histórico que conduziu a que, na construção do Estádio José Alvalade e do complexo Alvalade XXI, a dívida bancária do Clube aumentasse mais de 100 milhões de euros face ao plano inicial. Plano esse que, recordo, pretendia que o património não desportivo alimentasse a atividade geral do Clube, principalmente as atividades desportivas não profissionais.

Assim, segundo o que circula nos meios financeiros, a atual Direção prepara-se para adquirir as VMOCs (obrigações obrigatoriamente convertíveis em ações) a valores entre os 15 e os 20 cêntimos e a conseguir uma redução interessante no valor da dívida bancária. Supostamente terá de seguir o modelo que já tinha sido idealizado por Direções anteriores de criar uma entidade empresarial especial para centralizar essa dívida já que a Sporting SAD não pode legalmente adquirir as suas próprias VMOCs. Assim, aquilo que, por razões não muito claras, foi suspenso em 2018, apronta-se a ser contratualizado. Curiosamente, esta situação de stress associado à COVID-19 pode permitir uma concretização de um negócio desejado por mim e por muitos.

Espero que esta situação de reestruturação não origine um regresso aos desequilíbrios financeiros de que os Sportinguistas já estão cheios e que, de facto, a fazerem-se aquisições de jogadores, sejam de qualidade e para setores chave, onde não existam internamente atletas formados localmente.

Por outro lado, julgo poder existir também a oportunidade de recomprar parte do património do projeto Alvalade XXI, em condições porventura interessantes e que, como atrás afirmei, reponha a justeza financeira de um projeto que, importa relembrar, foi aprovado por uma grande maioria de sócios do Sporting Clube de Portugal. Para quem desconhece, o Sporting tem direito de preferência perpétuo em futuras transações desses imóveis. Em 2017 e em 2019 já houve transações, tendo o Sporting sido consultado e rejeitado a recompra.

Fecho o presente artigo louvando a iniciativa do Sporting com Rumo. Tendo já assistido a três painéis, e preparando-me para mais três, fico ciente não só do que se discute nos mesmos, mas na réplica continuada no espaço mediático.

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