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NA TERRA DOS TACHOS VALEM-NOS OS HERÓIS E OS CENTENÁRIOS!
Se tanto se tem ouvido falar de gestão profissional nos últimos tempos, a direcção do Sporting mantém o autismo e continua na senda das experiências e de contratar os amigos e os familiares.
Imagem de destaque26 Ago 2020, 16:49

Foi num cocktail já não me lembro muito bem de quê, mas recordo-me que era em Alcântara e pelo menos há uns 15 anos. Pela mão do Duarte Cancela de Abreu lá veio o Miguelito, que na altura não teria certamente nem um metro e meio. Refiro-me ao Miguel Oliveira das motos e não ao do padel que também é um campeão e muito honra a bandeira nacional, mas desta feita não se trata de raquetes, nem de tachos como veremos mais à frente.

No dito cocktail, Cancela de Abreu como era conhecido apesar de haver o Duarte e o João, apresentou-me o Miguel como “o futuro número um do mundo do motociclismo”. Não sei o que lá estaria a fazer naquele cocktail um jovem que teria os seus 10 anos na altura, mas lembro-me de olhar para baixo, ver aquele rapazito que nem as primeiras borbulhas do acne apresentava mas já se esticava todo em jeito de “sim sou eu” em resposta ao galanteio do seu “manager” e pensar: “Lá está o Cancela com os seus sonhos…”

Miguel Oliveira ganhou uma prova do Circuito Mundial de Motociclismo em MotoGP. Isto é realidade e um feito ainda mais improvável do que ver o João Sousa ganhar o Estoril Open há um par de anos, ou o Félix a sagrar-se campeão mundial de Formula-E.

O que é certo é que nós, portugueses, com a nossa pequena dimensão, lá vamos conquistando coisas e assumindo o papel de David perante os Golias. Mas atenção que isso não cai do céu e é fruto de muito trabalho.

Miguel Oliveira teve de entrar num desporto onde Portugal não conta para as contas, onde não há qualquer tradição, ou não havia, e bater-se com o resto do mundo em condições perfeitamente desiguais. O que é certo é que aquela “formiga” que conheci há mais de 15 anos e que já nem se lembrará de mim, galgou de forma impressionante pelas categorias do motociclismo até chegar à vitória da prova rainha do motociclismo.

Este português fez tudo o que tinha que fazer, abdicando provavelmente da sua juventude, certamente com muito apoio da família e dos que o rodeiam e lhe são queridos, com muitos sacrifícios, e provavelmente teve que se dedicar o dobro de outros oriundos de países com muito mais apoios e facilidades.

Entrou nas 125 onde fez umas temporadas brilhantes, passou para as 250 e mais temporadas brilhantes, e, por mérito próprio aliado a muito talento e inteligência, conseguiu chegar à Fórmula 1 das motas. Este rapaz preparou os últimos 15 anos da sua vida, pelo menos, meticulosamente até chegar a esta vitória. Pelo caminho sofreu adversidades e nunca desistiu. Foram quedas, algumas maldosas, ser preterido por outros com menos mérito, e vejam bem até ter de mudar o casamento. No fim puxou da bandeira, cantou o hino de peito cheio, e com uma humildade ímpar agradeceu primeiro à família e a todos os que o apoiaram no seu trajecto.

Cancela de Abreu já sabia algo que eu não sabia há pelo menos 15 anos, e, perante isto e à medida que fui acompanhando a ascensão desta estrela, não só sou fã do Miguel Oliveira, como começo a acreditar em algo que ele certamente acredita há muitos anos: Miguel Oliveira será um dia campeão do Mundo!

Sou português como a maioria dos que estarão a ler estas linhas, e nesse dia, senti-me mais uma vez melhor que o resto do mundo, porque o Miguel Oliveira é português e nós somos Portugal!

O Duarte estará certamente em algum lugar a ver tudo isto e com um sorriso merecido na cara. Obrigado Miguel e Parabéns Miguel!

Já noutras latitudes, o Sporting Clube de Luanda, terceira filial do Sporting Clube de Portugal, comemorou no passado dia 15 de Agosto o seu centenário. Dias antes a Direcção foi reconduzida. O Presidente reeleito, Jorge Oliveira, que não me é estranho, já lá está há cerca de 20 anos e vai assim para mais um mandato de quatro. Algo estará a fazer bem, e seria tão bom a casa mãe seguir o exemplo de estabilidade, mas do nosso Sporting Clube de Portugal, nem um postalzinho de parabéns ou uma menção. Queixam-se os núcleos e não só…

Há muito que digo que o Sporting é o clube mais representativo da sociedade portuguesa, pelos bons exemplos e pelos maus exemplos. Ora se já tínhamos assistido a advogados de escritórios de advogados que assessoram a parte contrária em contractos com o Sporting e ao mesmo tempo são órgãos de destaque em instituições próximas ao Sporting, e membros do Conselho Directivo que contratam empresas de assessoria que empregam ex-colegas noutras instituições, agora também já vale contratar cunhados de membros da direcção para um dos cargos onde mais dinheiro circula e onde há maior pagamento de comissões.

Se tanto se tem ouvido falar de gestão profissional nos últimos tempos, a direcção do Sporting mantém o autismo e continua na senda das experiências e de contratar os amigos e os familiares. Parece que estou a ler as capas dos jornais há uns meses de tão familiar que é. Se fosse a síndrome de Savant estaríamos todos contentes, mas neste caso é mesmo autismo puro. Paga o Sporting.

Estamos na pré-época e o Sporting já perdeu duas vezes, tantas quantas as vezes que jogou. Uma delas com o Sporting B e outra com o Farense, que com todo o respeito não são portentos do Futebol mundial nem ficaram à frente do Porto ou Benfica. Alguém virá dizer provavelmente que não está preocupado. Soa familiar?

Havia um filme em que o personagem principal cada vez que se deitava, acordava no dia seguinte e tudo se repetia. Não sei porque me lembrei disto, mas nesta terra de tachos parece que o Sporting está feito num belo cozido à portuguesa!

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