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NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS…
Foi posto a correr o boato, de que eu ou o meu escritório teríamos qualquer coisa a ver com as cartas de resolução. É completamente falso e não é por ser repetido mil vezes que se torna verdade.
02 Mar 2020, 07:00

(Não há como negar que a semana que findou foi terrível para o Sporting Clube de Portugal.

De um lado, tendo o Presidente da Direcção feito anunciar que o jogo na Turquia era, pelo menos do seu ponto de vista, determinante, perdemos e, com isso, o Clube deixou de receber dinheiro que tanta falta lhe faz. A viagem à Turquia correu mal e não foi, apenas, pelo que se passou no relvado.

Nesta sequência, em vez de se reflectir a sério sobre toda a estrutura do futebol, em especial Hugo Viana e Beto Severo, fala-se agora na possibilidade de virmos a ter um quinto treinador, desde José Peseiro. Pior do que isso, e tendo presente o fenómeno, que já tinha tido oportunidade de falar, de “cemitério de treinadores”, a notícia não é o novo profissional contratado mas as recusas e respectivas fundamentações. Não tenho nota – admitindo a hipótese de estar completamente errada – que um treinador que se saiba a prazo consiga motivar uma equipa que o sabe também precário. E, uma vez mais, lastimo que não se dê a cara nos piores momentos. Foi fácil levantar taças mas heróico era assumir as derrotas.

Por outro lado, de novo pela comunicação social, soube-se que o Sporting não ganhou os processos atinentes aos jogadores Ruben Ribeiro e Rafael Leão. Sobre este assunto, bem sei que foi posto a correr o boato, eternamente repetido, de que eu ou o meu escritório teríamos qualquer coisa a ver com as ditas cartas de resolução. Tal é completamente falso e não é por uma mentira ser repetida mil vezes que se torna verdade. Contudo, o risco das decisões a este título serem a de que o Clube acabar responsabilizado independentemente da culpa, como sucede no campo puro e duro do Direito do Trabalho, era grande e aqui, diga-se o que se disser, quem tomou a iniciativa de se chegar a acordo esteve muitíssimo bem. E esteve-o independentemente de Alcochete e da sorte que este processo mereça.)

Além dos militantes do costume, um dos meus artigos no Leonino recebeu críticas de um benfiquista, que se mostrou muito indignado por, num jornal afecto ao Sporting, alguém se atrever a falar do seu clube. Estaria tudo muito certo não fosse o Benfica ser o nosso principal rival e, como tal, sempre que existem suspeitas de favorecimento, as mesmas não deixam de se reflectir nos outros, principalmente no Sporting. Parece-me óbvio, para qualquer Sportinguista, o Benfica só releva na exacta medida em que não ganhe jogando limpo. Não mais mas, seguramente, também não menos.

Curiosamente, poucos dias depois, tomámos conhecimento de que, pese embora as nossas instâncias desportivas nada tenham achado de estranho, por uma vez na vida, a Justiça parece ter contrariado esse entendimento. A queixa foi feita pelo Sporting e foi rapidamente descartada, sob a fundamentação de que as ofertas cabiam no limite máximo. Sucede que não era assim. Dito de outra forma, o dito Kit Eusébio não valia os 35 euros por pessoa aceites, entre outras, pela UEFA mas, pelos vistos, muitíssimo mais. Podemos acreditar que o Benfica é um clube que gosta de receber bem e ter muitos gestos de cortesia ou, ao invés, podemos começar a perceber como é que funcionam as relações entre árbitros e Clubes e este muito em especial. E, de seguida, podemos associar este processo (o dos vouchers) a outros, como o e-Toupeira, e perceber, de uma vez por todas, que nem tudo se passa no relvado. Se calhar, o principal não se tem sequer passado lá.

Acresce que a questão não se esgota nos vouchers, tenham eles o valor que tenham, uma vez que, aqui, o velho aforismo do “Não há almoços grátis” tem plena validade.

Chegará o dia em que se falará nos critérios de manutenção dos árbitros. E, depois, quero acreditar, quando se souber tudo e os assuntos forem relacionados entre si, nada ficará como dantes.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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