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NÃO PODE VALER TUDO
Se já vendemos os melhores, quase todos, e não investimos em quem possa vir a substituí-los, como iremos sobreviver desportivamente e financeiramente?
20 Fev 2020, 08:00

Incontornavelmente tenho que começar este artigo de hoje condenando veementemente todo e qualquer acto de racismo! Não há lugar à procura de explicações ou motivos que possam mitigar a gravidade do sucedido. Tem que haver coragem para mudar muita coisa no futebol que, há muito, perdeu a dignidade a que obriga uma competição desportiva. O desporto propõe-se ser um lugar de igualdade, justiça e competição salutar, não podendo haver espaço para qualquer tipo de descriminação. Não pode valer tudo! Quando algo vale tudo, nós não valemos nada. As causas são de vária ordem, mas temos que começar a atacar por algum lado. Os dirigentes desportivos e a comunicação social têm que assumir um papel importante neste assunto. Os primeiros, condenando de forma implacável os actos bárbaros que vão proliferando pelos recintos desportivos. Os segundos, não promovendo programas com alguns comentadores incendiários que nada acrescentam ao desporto e só fomentam o ódio! Todos nós somos parte importante na resolução deste problema. Por vezes, o nosso silêncio, é o principal combustível desta verdadeira catástrofe social. Vamos pensar o futebol como ele verdadeiramente deve ser pensado, como um passatempo, como algo que nos deve trazer momentos de convívio, prazer, alegria e camaradagem e não um campo de batalha da mesquinhes humana. Acredito que todos sejamos capazes disso, basta querermos!

Felizmente que, por estes dias, recebemos um enorme exemplo vindo de uma criança. O Dinis, jogador do nosso Sporting na equipa de benjamins em futsal, em jogo contra o nosso eterno rival, não deixou que a rivalidade falasse mais alto do que a verdade. Assim, perante o assinalar de uma grande penalidade, por parte do juiz da partida, o pequeno grande desportista prontamente informou o árbitro que a bola havia tocado a cara do adversário e não a mão. Foi corrigida a decisão e o nosso Dinis foi “condecorado” com um cartão branco, como forma de sinalizar o seu gesto de fair-play. O nosso desporto precisa de muitos Dinis e eles andam por aí, cumpre-nos formá-los, para a vida, com os valores de cidadania, desporto e humanismo! Para tal desígnio, temos que ser exemplo para eles! Bravo Dinis!

O meu coração é 100% verde, mas, divido o meu tempo, entre dois grandes países irmãos, Portugal e Angola. Assim não posso deixar de enviar um forte abraço de felicitações ao Sporting Clube de Luanda que, este ano, completa 100 anos de existência e que desde 1922 se tornou a terceira filial do Sporting.

Embora já distam vários dias, sob a entrevista do nosso presidente à TVI, não posso deixar de assinalar o meu total descontentamento pela forma pouco digna, como estamos a ser representados. Não é a crítica pela crítica. É o apontar de uma evidência! Por mais vontade que Varandas possa ter, em fazer bem, as demonstrações de “falta de jeito” não passam despercebidas, mesmo ao mais desatento. Não vou debater-me muito sobre este assunto, porque dentro do possível temos que encontrar alguma serenidade, mas também não podemos branquear, assuntos muito sérios, com o nosso silêncio.

Frederico Varandas diz, na citada entrevista, que irá deixar o Sporting melhor do que encontrou. Bem, isso seriam boas notícias numa campanha eleitoral, mas, findo ano e meio de mandato, o que vemos, não suporta esta afirmação. O que sobra, do plantel actual, depois de vendidas as “jóias da coroa”, é muito pouco. Se é este o projecto de Varandas para o Sporting, então ele está no clube errado.

Como já disse, e não querendo “bater mais no ceguinho”, só deixo esta pergunta a todos nós: Se já vendemos os melhores, quase todos, e não investimos em quem possa vir a substituí-los, como iremos sobreviver desportivamente e financeiramente?

Por fim, e dando continuidade ao que tenho vindo a defender, em artigos anteriores, continuo nesta minha missão de encontrar pontes para poder assentar, à mesma mesa, pessoas que possam vir a ser uma mais-valia, numa posição conjunta, para recolocar o nosso Sporting na trilha da sua glória. Não está em causa forçar a demissão desta direcção, pois isso é algo que os próprios devem sentir a necessidade de o fazer, para bem do Sporting, mas sim preparar de forma atempada, séria, profissional e sustentada uma alternativa manifestamente credível para o nosso amado Sporting. Acredito que, muito em breve, terei novidades para vos trazer, isso se, para todos, o Sporting for maior do que os interesses pessoais que possam eventualmente existir.

Eu acredito que, no momento certo e pelas boas razões, os corações de leão falarão mais alto do que qualquer outro valor.

Saudações Sportinguistas!

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

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