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NÓS APRENDEMOS A AMÁ-LO
Sou daqueles que torceram o nariz à contratação de um treinador inexperiente, ao Braga, por um valor inédito. Neste momento, só me resta dar a mão à palmatória.
05 Mar 2021, 13:44

A notícia de que Rúben Amorim fica mais um ano, é uma boa notícia.

A notícia de que, se algum “tubarão” europeu quiser contratar o treinador do Sporting antes de terminar o contrato, tem de pagar uma louca cláusula de 30 milhões de euros ao Sporting – o que, a acontecer, passava a ser um facto histórico, uma vez que Rúben Amorim seria de longe o treinador mais caro de sempre da história do futebol – também é uma boa notícia. Significa que, ou recebemos muito dinheiro pelo treinador, num negócio que significa um lucro gordo ou, o mais provável, temos treinador pelo menos até 2024.

Tudo isto é caro. Para segurar o treinador mais um ano e aumentar a cláusula de rescisão de 20 para 30 milhões, o Sporting abre bem os cordões à bolsa, como aliás já o tinha feito para resgatar o treinador ao Braga.

Mas interessam-me neste momento muito menos as finanças e muito mais o sucesso desportivo. No Sporting, passámos anos demais a discutir finanças, a falta de dinheiro no clube, a venda de património, a venda dos melhores jogadores, o passivo, etc. E, apesar de reconhecer que anda tudo ligado, que sem dinheiro, é difícil construir equipas fortes e competitivas, tudo esse ambiente nos foi tirando foco do mais importante, daquilo para que o Sporting realmente foi fundado e existe: ser “um clube tão grande como os maiores da Europa”, nas palavras proféticas de José Alvalade e nos nossos desejos.

Ganhar. Vencer. Ser campeão.

Ora, Rúben Amorim vem fazer renascer no espírito leonino esta ambição, este sonho, este desiderato. Com os pés bem assentes no chão, sem bazófia, sem excessos, com muito Esforço, Dedicação e Devoção, Rúben Amorim parece ser, até ao momento, o homem certo, no sítio certo, na altura certa, para nos levar à Glória

Tem um discurso inteligente, muito inteligente. Ouvir as conferências de imprensa de Rúben Amorim é uma lufada de ar fresco para os que, como nós, amantes do futebol, levamos há anos, e anos, e anos, com discursos cabotinos, choradinhos, agressivos, mal-educados, de mau perder, ou de mau ganhar. Tudo o que Rúben não tem.

Depois, o que acaba mesmo por contar, o futebol. Muito mudou das épocas anteriores, sem Rúben, para esta época, com Rúben. Mudou quase tudo, na verdade. A aposta sem medo em jovens da formação. A confiança com que jogadores veteranos do plantel entram hoje em campo e jogam como nunca jogaram. A atitude de coletivo, de verdadeira equipa, sem estrelas, em que só o conjunto interessa, e esse conjunto não é o somatório de partes, é um único corpo, unido e coeso.

Também na comunicação, no próprio discurso, tudo parece estar diferente. E o mote começa por ser dado pelo treinador.

Rúben Amorim é um treinador muito caro. Hoje, ainda mais caro do que ontem. Rúben Amorim ainda não ganhou nada. Mas está no bom caminho. Esse caminho leva-nos diretamente a… hoje. A Alvalade. À fundamental vitória frente ao S. Clara. Só isso interessa. Só isso conta.

Se todo o plantel do Sporting continuar a jogar como tem jogado, com humildade e a cabeça no lugar, sem vedetismos bacocos, e os jogadores se continuarem a valorizar, se o discurso continuar a ser este, realista, de jogo a jogo, com a consciência de que ainda não ganhámos nada – além da Taça da Liga – e que, de “quases”, estão todos os sportinguistas cheios, se formos campeões, com apuramento direto para a Champions, então, se isso acontecer, se formos ganhando jogo a jogo, começando já por este, Rúben Amorim vai valer cada cêntimo que pagamos por ele.

Sou daqueles que torceram o nariz à contratação de um treinador inexperiente, ao Braga, por um valor inédito. Neste momento, só me resta dar a mão à palmatória, enfiar a viola no saco e aplaudir quem sempre defendeu e acreditou nesta decisão desde o princípio.

Quando as coisas correm bem ao Sporting, como sportinguista de corpo e alma, fico imensamente feliz.

PS: “Rapaziada, oiçam bem o que vos digo, e gritem todos comigo: viva ao Sporting”. Este é o refrão da canção que, seguramente, mais vezes cantei na minha vida a plenos pulmões, juntando a minha voz à de milhares de sportinguistas. Cá em casa, a letra desta marcha foi uma das primeiras que foram aprendidas de cor pela geração seguinte de sportinguistas que aqui habitam. Nós aprendemos a amá-lo, ao Sporting, e a todos os seus símbolos, Maria José Valério era e vai continuar a ser um símbolo do Sporting que canta, dum Sporting feliz. Por ela. Viva ao Sporting.

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