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NOTAS SOLTAS NUM JUNHO QUE VAI A MEIO…
A generosidade e a humildade são duas das suas principais características, mas o fino humor é o que guardo de melhor dos momentos em que conversámos.
11 Jun 2021, 14:00

A reunião da Liga de Clubes, ocorrida na quarta-feira dia 2 de Junho, trouxe algumas novidades que, mesmo passados estes dias, não posso deixar de comentar:

– O Regulamento Disciplinar mais uma vez teve que ser revisto. Desta vez para acomodar o “caso Palhinha”. Concordo que um jogador que tenha visto um cartão amarelo indevido seja justamente despenalizado, devendo cumprir um jogo de suspensão apenas quando uma série de cinco cartões amarelos tenha sido efectivamente atingida. É um facto que a lacuna nos regulamentos da Liga que agora findou, acabou por beneficiar o jogador e o Sporting CP.

Quero por isso elogiar o novo departamento jurídico do Sporting CP por não permitir a injustiça que o Conselho de Disciplina persistia em querer manter: penalizar o jogador, fazendo “tábua rasa” da informação escrita no relatório do árbitro Fábio Veríssimo, que assumiu o seu erro de apreciação e considerou logo no momento que o jogador tinha sido indevidamente admoestado.

Por uma questão de “fair play” entendo que a situação posterior de o jogador se manter livre de penalização até ao nono cartão amarelo também não me parece curial. Só é de lamentar que a Liga de Clubes não consiga estabilizar os seus Regulamentos e queira agora promover o absurdo.

– O que está previsto no que concerne a castigos no novo texto proposto no Regulamento de Disciplina para os treinadores é, a meu ver, atentatório e ridículo. Vivemos e somos um País latino. Felizmente que enquanto Povo e adeptos pomos paixão no que fazemos. Os maus “tiques” de árbitro autoritário, impondo um comportamento contranatura nos bancos de suplentes, ou seja, que os treinadores sejam obrigados a comprimir as suas emoções, sob pena de ficarem meses sem poderem dirigir as suas equipas, é atentatório da nossa forma de ser e de estar e espero que mereça o chumbo em sede de Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol.

– O livro sobre a vida de Aurélio Pereira, de Rui Miguel Tovar, é apenas uma singela homenagem a um Homem Grande e Bom. Detesto quando tentam fazer aproveitamentos políticos de um Homem que, sendo de uma enorme simplicidade, tem uma alma gigante e um amor incondicional à sua família de sangue mas também à de adopção, os sportinguistas.

Quem tem o privilégio de o conhecer pessoalmente sabe a candura do mesmo e da forma extraordinária como conduziu e, agora refiro-me ao Sporting CP, o seu trajecto no recrutamento.

São incontáveis as histórias de vida que estão por detrás de cada um dos atletas e miúdos que ingressaram nas nossas cores. A generosidade e a humildade são duas das suas principais características mas o fino humor é o que guardo de melhor dos momentos em que conversámos.

Foram várias vezes em que me comovi com as suas histórias. Pelo exemplo de vida e pela paixão que temos pelo nosso Clube.

Que esteja bem, Aurélio, e espero que a sua mensagem e exemplo de vida possam ser vivenciados ainda por muitos daqui para a frente.

– Uma palavra para o Neno. Estive com ele inúmeras ocasiões. Recordo uma Gala do Vitória de Guimarães em que fui em representação do Sporting CP e recebido por ele. Ficámos durante o espectáculo lado a lado e foi sempre de uma enorme simpatia. Era um Senhor, independentemente das circunstâncias.  Sabia ganhar e perder, característica raríssima no futebol actual. A última vez que me cruzei com ele foi há cerca de um mês, na Tribuna de um jogo e cumprimentou-me com a sua habitual jovialidade. Era um Homem Bom e é daqueles que realmente vai fazer falta.

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