summary_large_image
O MISTER
Não é pois de admirar que, se se contorna as normas tão “à cara podre” sem que haja qualquer problema, em outros assuntos se faça bem pior e daí a podridão que se nota cada vez mais no futebol.
16 Jan 2021, 09:40

A maioria dos Sportinguistas (atenção, a maioria, não está generalizado), já se rendeu a Rúben Amorim. Seja porque estruturou uma equipa muito às custas daquilo que é a prata mais querida da casa e dos Adeptos – a formação – como também tem vindo a conquistar a passo e passo a admiração de todos pela sua postura e forma de estar.

Veio com uma fasquia ingrata – se falhar terá sido o “estagiário” mais caro da História do futebol, se tiver sucesso não fará mais nada do que a sua obrigação, dado o preço que custou – mas se isso é um factor de pressão, Rúben Amorim não tem demonstrado.

Vai fazendo o seu percurso, alheio às guerras, pressões, intrigas ou divisões e leva a reboque a equipa que blinda igualmente a todos estes factores negativos e os resultados estão à vista.

É certo que o precoce afastamento das competições internacionais acaba por permitir uma concentração diferente nas competições internas e, até, permite estruturar e organizar melhor “a casa”, mas às vezes é preciso dar um passo atrás para andar para a frente.

Esta semana, infelizmente, ficámos arredados de mais uma competição – Taça de Portugal – e não devem os Sportinguistas ficar satisfeitos ou resignados com isso, pelo contrário deve sempre querer-se mais e melhor.

Contudo, é também preciso ser realista e ninguém poderia estar à espera que o Sporting seguisse invicto até Maio em todos os jogos de todas as competições (é possível sim, mas improvável). Mais importante do que digerir a derrota será aprender com ela para ter os níveis de alerta no máximo para os jogos que virão e isso, certamente, Rúben Amorim já aprendeu.

O Mister alcançou esta semana um marco importante não só na sua carreira como no seu papel como timoneiro do balneário do Sporting, inscrevendo-se no nível 4 do curso de treinadores da FPF, pondo assim fim à hipocrisia que todos (e agora sim, todos: adeptos, adversários, instituições que regem o futebol, enfim, a população em geral) sabiam e assistiam semana após semana, quando para cumprir uma mera formalidade, Rúben Amorim aparecia como adjunto de Emanuel Ferro, “para inglês ver”.

Quando se diz que o futebol é um mundo à parte, é mesmo, pois é o único universo onde as normas ficam mais bonitas no papel do que na prática, mas onde se continua a exigir e a bradar em plenos pulmões que tem de ser cumprida, ainda que de seguida se pisque o olho para mostrar que a intenção não é séria.

É verdade que há outros quadrantes e sectores da vida em sociedade onde as normas não se cumprem à risca ou por completo, mas nada tão descaradamente como no futebol, até ao ponto que assistimos com o caso do Mister, que o é sem o ser.

E para quem pensa que este texto é uma crítica a Rúben Amorim desengane-se. É mesmo uma crítica única e exclusivamente às instituições que permitem e são coniventes com isto. Porque no caso do Mister, ainda bem que aconteceu e dá-nos muito jeito, mas é assim que se percebe como as práticas no futebol são tão desviadas daquilo que seria normal.

Não é pois, de admirar que se se contorna as normas tão “à cara podre” sem que haja qualquer problema, em outros assuntos e campos se faça bem pior e daí a podridão que se nota cada vez mais no futebol, mas que ninguém quer que se veja.

Mas tudo isto, obviamente, já os leitores sabem e, por isso, resta desejar as maiores felicidades ao Mister que agora já poderá, com toda a legitimidade, dar indicações durante os jogos, ir às entrevistas rápidas e continuar a ser castigado por não ter medo de falar, como só ele sabe (cá estaremos para apoiar). Que continue com a senda vitoriosa (apenas e tão somente enquanto estiver no Sporting ou, talvez, no estrangeiro) pois o sucesso dele é, também, o nosso.

  Comentários
Mais Opinião