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O MOVIMENTO #ACORDA SPORTING
É um movimento genuíno dos Núcleos do Sporting CP que, pelas características próprias da sua actividade e exposição, absorvem em primeira mão tudo o que de bom e mau acontece no Clube.
14 Ago 2020, 10:00

Ser dirigente de um Núcleo pressupõe uma enorme dedicação e sacrifício. Todos os homens e mulheres que se dedicam aos Órgãos Sociais de um Núcleo sabem de antemão que o sucesso do mesmo depende muito da sua vontade, energia e empenho. Há um factor que não conseguem controlar: se e quando, ano após ano, os resultados desportivos forem desastrosos.

Para que um Núcleo possa ter as suas portas abertas, com a excepção do Solar do Norte e de Benavente cujas sedes pertencem ao Sporting CP e de poucos casos como o de Ponta Delgada que tem um comodato com a Câmara Municipal local, porque desenvolve uma actividade desportiva assinalável, quase todos os outros, ou pagam rendas ou têm elevados encargos bancários com leasings imobiliários. Ou seja, uma despesa fixa que nunca é inferior a € 300 mensal mas que, em muitos casos pelo País, é superior a € 500 mensal.

A acrescer à renda, tal como em qualquer actividade de tipo comercial, há custos com electricidade, água, o pacote telefone/televisão/internet, entre outros. Todos os que pagamos contas sabemos os respectivos custos. Ora, os dirigentes dos Núcleos do Sporting CP dedicam o seu tempo e a sua disponibilidade, tantas vezes em sacrifício das suas famílias, numa azáfama constante para angariar receitas, lutando para que o Sporting CP tenha na sua terra uma representação condigna e onde os nossos sócios possam reunir e conviver.

Admito que alguns tenham interesse no estatuto social local que advém de serem os legítimos representantes de uma instituição centenária como o Sporting CP, mas a dedicação e o esforço que abraçam para seguir com a tarefa, acreditem, é difícil de compensar.

Anda para aí uma narrativa mesquinha e nojenta, ligada à situação, segundo a qual os Núcleos são uns tascos e deviam ser eliminados. Quem afirma isso, para além do aspecto grotesco, falta de inteligência ou qualquer mundo para além das embalagens de plástico, é absolutamente ignorante quanto ao enorme papel social e dimensão desportiva que os Núcleos representam nas regiões em que se inserem.

São muitos os Núcleos que promovem o desporto junto das suas comunidades, desde os jovens aos adultos, passando pela população sénior, com equipas federadas a competir com as nossas cores em Portugal Continental e Regiões Autónomas. Muitos outros têm desporto adaptado.

Ao longo de décadas os Núcleos têm tido um papel muito importante no recrutamento de jovens em todas as modalidades, em especial no futebol. Tantos e tantos craques vieram para o Sporting CP pelas mãos dos Núcleos e dos seus dirigentes. Desde logo a nossa maior referência Cristiano Ronaldo, através do Núcleo da Madeira, mas há dezenas e dezenas de outros exemplos em que a proximidade dos seus dirigentes aos pais e familiares dos atletas, fizeram e fazem a diferença no recrutamento do passado e no presente.

Quem, se não fosse a organização que montámos para os Núcleos, nos permitiria preencher com mais de uma dezena de milhar de adeptos metade do estádio do Braga a uma quarta-feira às 20h45 para as meias finais da Taça da Liga contra o FC Porto, apesar do jogo ter sido transmitido em directo pela RTP1? Foi a fortíssima mobilização dos Núcleos do Norte, dos seus dirigentes e justo também dizê-lo, dos colaboradores do departamento de expansão, Ricardo Guerreiro e Tiago Sanches da Gama, que demonstrou ao País a força e a dimensão do Sporting CP.

Quem, passados três dias voltaria a lotar, desta vez todo o Estádio, para a nossa primeira vitória na Taça da Liga? Foram novamente os Núcleos do Norte e a sua extraordinária capacidade de mobilização.

E que dizer, também a título de exemplo, do brilhante desempenho dos Núcleos do Algarve que distribuíram atempadamente os bilhetes pelos nossos sócios em Agosto permitindo encher pela primeira vez um sector afecto ao Sporting na Supertaça contra o SL Benfica onde também nos sagrámos vencedores.

Durante os anos que estivemos a dirigir os destinos do Sporting CP, foram inúmeras as referências à Onda Verde que varreu o País. Os sectores afectos ao Sporting CP em Portugal e pela Europa tiveram a presença constante das nossas briosas e indispensáveis Claques, mas os Núcleos representaram, pela sua dispersão geográfica e implantação, o grosso da presença dos nossos adeptos nos Estádios.

Os Núcleos são estratégicos para a afirmação da Marca Sporting CP e não os respeitar e defender é mais um erro clamoroso deste Conselho Directivo que, desde há dois anos, os votou ao abandono.

Nas últimas semanas tenho seguido com natural atenção a evolução da campanha #AcordaSporting. Posso assegurar que este é um movimento que surgiu de forma espontânea, sem agendas por detrás, sem candidatos a movimentarem-se. É um movimento genuíno dos Núcleos do Sporting CP que, pelas características próprias da sua actividade e exposição, absorvem em primeira mão tudo o que de bom e mau acontece no Clube. E porquê? Naturalmente porque os Núcleos e os seus dirigentes sentem o pulsar do Povo Sportinguista. Por um lado, são um filtro em defesa do Clube, mas por outro uma esponja da realidade. São confrontados diariamente com a mesma e conhecem-na melhor que ninguém. As queixas, as perguntas, as dúvidas, os anseios, as expectativas.

O descalabro desta última temporada, a todos os níveis anedótica, provocou uma enorme insatisfação pelo País e um desgaste terrível nos responsáveis dos Núcleos, completamente impotentes para conseguir justificar o injustificável, para responder a questões para as quais não há racional que as sustentem.

O movimento #AcordaSporting é por isso um desígnio de sobrevivência. Outra época como esta e a descrença será generalizada e as portas dos Núcleos ir-se-ão paulatinamente fechando. É inevitável. Eles são o espelho do Clube. Se o Sporting CP estiver bem, estes estarão vigorosos e activos. Vendo o Sporting CP a ser gerido desta forma, por muito capazes e resilientes que sejam e são, os dirigentes dos Núcleos são impotentes para suster o abandono e motivar os seus sócios.

Perspectivando e temendo uma época pior do que a anterior, os Núcleos subscritores deste movimento #AcordaSporting, exprimem um grito de alerta ao Clube e aos seus associados para que os ajudem e actuem rapidamente.

Com este artigo associo-me totalmente ao Movimento, ao qual dou o meu apoio inequívoco. Não me movem tácticas ou agendas, nem estou preocupado com colagens que outros, fora do âmbito do Clube, têm andado pelo País a tentar capitalizar. Não é momento para contar espingardas ou apurar quem tem razão. É, sim, o momento de lutar pela vida do Clube, da sua sustentabilidade e prestígio.

Apesar do exposto acima também é verdade que há ainda alguns, cada vez menos Núcleos, que continuam a apoiar este Conselho Directivo. E porquê?

Pela sua natureza, os Núcleos e os seus dirigentes são conservadores. Após a eleição dos novos corpos sociais, tendem a apoiar quem está e a justificar os actos e a linha estratégica das direcções do Clube. Aconteceu connosco e agora com estes. É natural, compreensível e respeitável. As críticas que lhes são dirigidas por imobilismo são injustas. É preciso perceber que na campanha eleitoral de Agosto/Setembro de 2018 um candidato “vendeu-se” aos sócios apregoando um grande conhecimento de futebol, que era fácil e a promessa de títulos e quimeras. Do outro lado estava um ex-guarda redes de futsal com um discurso similar. No meu caso apoiei uma candidatura que vinha com um discurso mais realista e de alerta e por isso menos apelativo e que, para mais, cometeu inúmeros erros de comunicação. O desfecho foi o previsível. Ganhou o candidato que fez a melhor campanha, que teve a melhor agência de comunicação e que apresentou um programa cheio de ilusões. Sabemos hoje que o que foi “vendido” aos sócios é uma fraude, uma amálgama de medidas avulsas e erráticas, mas que foi alavancada numa comunicação assertiva que deixa alguns confusos e na dúvida. Daí não podermos extrair que a culpa é dos sócios que votaram neles. Foram enganados e não podem ser culpados por isso. Há que dar tempo às pessoas de perceberem o logro em que se viram envolvidas e se revoltarem.

É preciso também não esquecer que aproveitando o trabalho feito durante quase seis anos, uma estrutura oleada e equipas de enorme gabarito, caíram no colo deste Conselho Directivo títulos no futebol e nas modalidades. É difícil desmontar este discurso mentiroso, cínico e hipócrita de um mérito que foi emprestado. Temos de compreender que, com esta intoxicação de informação, propaganda constante e insidiosa, possam existir dúvidas quanto à paternidade de méritos e deméritos.

O #AcordaSporting é um grito dos que escolheram a verdade contra a manipulação, dos que gostando do que viveram de 2013 a 2018 souberam fazer o luto pós Alcochete e estão preparados para recuperar o Sporting CP vencedor e respeitado.

Que o #AcordaSporting seja capaz de se tornar imparável e que os que ainda não conseguem olhar para a realidade como ela é, consigam ir buscar dentro de si o brio, a raça e a bravura do Leão recuperando o verdadeiro sportinguismo porque o Sporting CP precisa de todos.

#AcordaSporting!

Vivam os Núcleos do Sporting CP!

Viva o Sporting CP!

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