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O REI VAI NÚ E JÁ ENJOA
O Sporting Clube de Portugal, neste momento, é um filho de pais divorciados que se concentram mais em fazer do filho arma de arremesso, do que no seu superior interesse.
01 Ago 2020, 09:00

A época acabou e, para o Sporting Clube de Portugal, de uma forma miserável. Mas pior que uma época falhada é mesmo o balanço que da mesma, obrigatoriamente, se tem de fazer.

Para esta Direcção, esse balanço foi feito publicamente, num jornal desportivo, onde foi dado um sem fim de explicações, motivos e justificações, para o que se passou neste campeonato (e que nem vale a pena relembrar).

Como primeiro apontamento, assumir a responsabilidade, não é ir debitar para um jornal um chorrilho de desculpas, onde se faz um “mea culpa” de vitimização, na esperança de que, à boa maneira “tuga”, um “coitadinho” seja sempre desculpado.

Os Sócios e Adeptos do Sporting Clube de Portugal merecem mais e melhor que isso. Merecem e esperam que o Presidente do Clube compareça perante eles, dê a cara, assuma perante aquela que é a Família Sportinguista o que correu mal e qual o plano para contrariar o que aconteceu. Mas no seio da Família ou, no mínimo, primeiro a estes e meios de comunicação para isso não faltam: o canal do Clube, o seu jornal, mails, os comunicados de que tanto gostam, uma sessão de esclarecimentos, sinais de fumo… Uma panóplia de opções que seriam certamente mais viáveis e mais apreciadas. Contudo, nem nos podemos admirar disto, porque a verdade é que já é timbre e costume desta Direcção a tomada de más decisões.

Ultrapassando este ponto inicial, entremos no campo das justificações apresentadas para o desaire ocorrido. Fala-se num esforço enorme para levantar o Clube de um fosso que vinha de 2018, utiliza-se Alcochete como desculpa para todos os males e insiste-se num trabalho invisível que, passados dois anos, de tão camuflado, ainda nada se viu.

Pois bem, está na hora de encarar a realidade: fosso só no estádio, Alcochete não é uma palavra mágica que serve como pretexto para a incompetência e a Direcção não tem o super poder da invisibilidade. Neste balanço que agora tem de ser feito, o que temos, a meio de um mandato, é uma mão cheia de nada.

Costuma dizer-se que o que é demais enjoa e já enjoa, porque já é demais, estar sempre a olhar para trás, quando urge olhar para a frente. Ficar agarrado ao passado nunca trouxe benefício a ninguém e, ainda que o Sporting Clube de Portugal tenha 114 anos de uma história que a todos deve orgulhar, não podemos ficar retidos em memórias saudosistas, nem reféns de um passado recente.

Já é demais e por isso enjoa, que Alcochete seja algo que se utiliza como pretexto para falhanços sucessivos que pouco ou nada estão relacionados com tal evento. Aconteceu, faz parte de um período negro da história do Clube (não é, certamente, o mais negro e nem foi, obviamente, apenas chato), mas já passou. A justiça e os tribunais, entidades competentes para lidar com o assunto, encarregaram-se do mesmo, tendo até já havido uma primeira decisão. Os recursos que da decisão em causa possam advir interessam mais aos visados do que propriamente ao Clube, nesta altura.

Já enjoa, porque é demais, a conversa do trabalho invisível, pois que em dois anos de mandato nada houve para mostrar. O pseudo trabalho que supostamente se desenvolve, faz lembrar a história do rei que vai nú. Também havia um fato feito do melhor tecido, tão magnífico que não podia ser visto pelos olhos de qualquer um…

Mas ainda que sejamos um Clube de Viscondes, falta a nobreza de carácter para assumir que não há manto invisível. Os Sócios e Adeptos do Sporting Clube de Portugal, no entanto, não são um qualquer rei deslumbrado que, temendo fazer figura de tolo por não alcançar a magnitude daquele trabalho invisível, acabam por ir no conto do vigário.

Já todos nos apercebemos que não há manto nenhum, não há trabalho nenhum, não há qualquer estratégia passada, presente ou futura e, o pior cego, é aquele que não quer ver e que mantém o Clube num barco à deriva, sem motor, sem remos e sem perspectiva.

Custa enfrentar a realidade, é um facto e ninguém gosta de admitir falhanços e incompetências, também se compreende. Porém, quando se gosta realmente do Clube, há que haver a hombridade de perceber quando já se faz mais mal do que bem e sair de cena antes do desastre total. É isso que os Sócios e Adeptos do Sporting Clube de Portugal têm vindo a bradar, a uma Direcção que, além da invisibilidade, também deve ter o “dom” da surdez.

Tem esta Direcção, no entanto, um grande trunfo que é preciso combater: a divisão entre os Sócios e Adeptos. O facto de andarmos sempre a apontar o dedo uns aos outros, acusando 71%, sportingados, brunetes, croquetes, varandistas ou sabe-se lá que outras categorias (haja imaginação), constitui uma manobra de distracção que é muito apreciada pela Direcção.

O Sporting Clube de Portugal, neste momento, é um filho de pais divorciados que se concentram mais em fazer do filho arma de arremesso, do que no seu superior interesse.

*A autora escreve ao abrigo da antigo ortografia

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