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O “SISTEMA” DO CONTENTAMENTO ALHEIO
Importa que Rúben Amorim continue a proteger o seu plantel deste folclore todo, tal como tem feito até aqui, consolidando o fortalecimento dos aspetos mentais dos seus atletas.
Imagem de destaque18 Fev 2021, 11:00

Todos esperam, avidamente, que Palhinha tenha cometido um erro “tenebroso” que permita dar vida aos nossos adversários.

A questão é mais simples do que se quer fazer crer, no entanto. E está longe de ser tenebrosa.

Resumindo este processo, não foi o Sporting que recorreu, em termos processuais, ao TAD. Foi João Palhinha, cidadão português, maior e capacitado para exercer aquilo que julga ser a defesa dos seus direitos de cidadania.

O TAD foi criado para dirimir as questões que não sejam estritamente do foro desportivo. Ora, João Palhinha invoca a inconstitucionalidade da norma que determina uma sanção, de forma automática, sem que o visado possa reagir ou apresentar argumentos de defesa, antes da decisão se tornar definitiva. Portanto, a sustentação da posição de Palhinha não assenta no amarelo mal mostrado, como quiseram fazer crer, mas sim num vício processual do sistema sancionatório que, no seu ponto de vista, lesa um seu direito reconhecido constitucionalmente.

É precisamente a Lei que cria o TAD que permite o recurso ao expediente da providência cautelar, nos precisos termos em que João Palhinha o fez. Sendo decretada, o Conselho de Disciplina da FPF acatou o seu efeito (o de suspender o castigo a João Palhinha, até que haja decisão definitiva), sob pena das consequências legais que adviriam de um comportamento contrário. Mas, mais importante, é o anúncio da alteração dos procedimentos disciplinares que vão, precisamente, contemplar a possibilidade de…os atletas serem ouvidos antes de ser efetivada qualquer sanção. Ora, não é isto mesmo que João Palhinha quer ver reconhecido?

O Benfica, como usa dizer-se, pretende dar “munições” ao CD da FPF, exercendo o seu direito (que me parece esvaziado de fundamento) no prazo legal. Ou seja, isto vai ainda dar caso a uma novela, cujo prelúdio teve já o inestimável contributo da Diretora Executiva da Liga, quando apelidou o recurso à via judicial (mesmo que legítimo) de “tenebroso precedente”. Foi uma mera alteração de vocabulário, em relação ao que Rui Costa, dirigente benfiquista, já tinha proferido: “perigoso precedente”.

Não sei se há algum alinhamento, mas creio que a Liga deveria abster-se de tomar partidos ou posições neste caso. É que, no fim do dia, o comportamento dos diversos “interessados” leva a suspeitar da imparcialidade e da boa-fé de quem deveria ter outro tipo de comportamento (e junte-se aos ingredientes já descritos a exposição do próprio CD da FPF, onde relaciona o Sporting com uma iniciativa de um seu atleta, quando têm a obrigação de saber as diferenças processuais de cada sujeito invocado).

Ou seja, foi já criado um “ruído” que visa confundir as pessoas que acompanham o futebol e, muito especialmente, os adeptos mais fanáticos dos nossos rivais. No fim, ainda vão dizer que o Sporting é beneficiado pela Lei e pelos Tribunais.

Até já sabemos quantos pontos pode o Sporting perder com toda esta questão: 8 pontos! Dão por certo a eventual aplicação da pena máxima (que são 5 pontos que se somariam à perda dos pontos da vitória sobre o Benfica). Não podiam ser 3 + 2, mas sim 3 + 5!! Ora bem, é melhor refazerem as contas porque, por este andar, os 8 pontos podem não chegar (até já houve uma publicação, que se permite dizer que é um jornal, que adiantou a possibilidade de o Sporting descer de divisão!!!).

Apesar de toda a lisura do processo iniciado por João Palhinha, desta gente já nada me espanta. Ainda tenho na memória o patético castigo aplicado ao FC Porto, no rescaldo do Apito Dourado, em que houve o descaramento de aplicar a sanção de perda de pontos retroativamente, quando os portistas haviam ganho a competição com 10 pontos de vantagem sobre o Sporting. Se, ao invés, o FC Porto tivesse iniciado a nova temporada com défice de pontos, o Sporting teria sido campeão nacional, uma vez que acabou a competição a 4 pontos do primeiro lugar. Também não se percebeu muito bem a inércia dos responsáveis pelo nosso Clube, de então, mas adiante.

Importa que Rúben Amorim continue a proteger o seu plantel deste folclore todo, tal como tem feito até aqui, consolidando o fortalecimento dos aspetos mentais dos seus atletas. É necessário manter o foco e o “andamento” em patamares elevados, pois essa é a única forma de vencer este campeonato!

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