summary_large_image
O SPORTING DO BEM!
Porque já percebemos que o Presidente Varandas nada percebe de futebol, tem uma equipa diretiva que nada percebe de futebol.
22 Jan 2020, 08:00

Ouvimos dizer variadíssimas vezes que o Sporting Clube de Portugal é um clube diferente; que o Sporting é um Clube de valores e com valores; que o Sporting é um Clube de bem e para gente de bem.

De facto, é verdade. Somos tudo isso que se diz e mais ainda.

Foram até estas premissas que, em grande parte, levaram a que o antigo Presidente do Sporting Clube de Portugal fosse afastado, ficando na nossa história como o primeiro a ter sido destituído de funções.

Era porque falava demasiado, ou porque estava sempre nas notícias e no Facebook, ou por não usar os termos certos nos momentos adequados ou até por se dizer que muitas vezes roçava até a brejeirice e a falta de educação.

Algumas destas críticas também se estendiam ao antigo diretor de comunicação do Sporting Clube de Portugal, que era muitas vezes distinguido também com estes mimos por parte de toda a população interessada no fenómeno desportivo.

É verdade que existiram excessos e que por vezes faltou “sentido de estado”. Mas também é verdade que era feita uma defesa intransigente do nome do Sporting Clube de Portugal.

Podia-se gostar ou não do estilo, mas a defesa existia e os 3,5M de Sócios e Adeptos do Clube, por existir esta defesa, começaram a aglutinar-se e a unir-se.

Como Clube democrático que é, o Sporting Clube de Portugal, consumada a destituição por vontade da maioria dos Sócios, fizeram-se eleições e foi eleita uma direção nova.

Direção essa que não comete excessos de comunicação (aliás, não tem comunicação), é low profile. Enfim, uma “direção de bem” em que o assunto tinha ficado resolvido.

Então qual é o problema?

O problema é que ser-se uma “direção de bem” não é sinónimo de ter princípios e valores. Esses valores e princípios têm que ser preservados e defendidos com total intransigência.

Enquanto Sportinguistas, temos que estar sempre do lado da luta contra a corrupção e a violência no desporto, temos que nos bater sempre pela verdade desportiva, temos que estar sempre na linha da frente da defesa do estado de direito e da democracia que têm na Justiça um pilar fundamental, e não podemos capitular perante quem, sem qualquer pudor, é símbolo de todos estes males que corroem o desporto português.

Vêm estas linhas a propósito de notícias, não desmentidas, que davam conta ter o atual Presidente do Sporting convidado Luís Filipe Vieira para a tribuna presidencial do Estádio José Alvalade, para ali assistir ao dérbi da passada sexta-feira.

O que esta conduta representa, ainda para mais quando associada a outras como, por exemplo, a desistência de recorrer da não pronúncia da SAD do Sport Lisboa e Benfica no caso e-Toupeira, é a exibição de uma total falta de noção do que significa ser Presidente do Sporting Clube de Portugal.

É, no fundo, a subserviência total, a humilhação autoimposta, a falência completa de valores e princípios fundamentais. E é a caução institucional a todas as práticas que reprovamos e condenamos e que estão sob investigação judicial, e a aceitação resignada de que o “benfiquistão” é uma inevitabilidade.

Agir desta forma, e repito que a notícia dada na capa do Record não foi desmentida por ninguém em Alvalade – noutros tempos, uma mentira não durava sequer cinco minutos sem que fosse contrariada –, não é de forma alguma defender os superiores interesses do Sporting Clube de Portugal.

Enquanto Presidente do Sporting Clube de Portugal, Frederico Varandas tem uma responsabilidade institucional. Convidar Luís Filipe Vieira para a nossa tribuna é um insulto a 3,5 milhões de Sportinguistas que lutam há décadas contra um modo de vida que, como revelaram os célebres e-mails, assenta na batota, na falta de verdade desportiva e na coação de árbitros e adversários.

É também uma afronta às memórias do Rui Mendes e do Marco Ficini, assassinados pelas claques ilegais do Sport Lisboa e Benfica, instituição que, até hoje, nunca pediu desculpa por estes homicídios e é cúmplice dos que, semana após semana, celebram a morte destes dois adeptos do Sporting Clube de Portugal. E é, como já disse, a capitulação do Sporting Clube de Portugal na batalha da verdade desportiva e naquilo que são os nossos princípios e valores.

Isto é intolerável e uma vergonha para todos nós que amamos este Clube.

Porque é que não dou ênfase à derrota do Sporting Clube de Portugal em Alvalade contra o Benfica, ou a estarmos em quarto lugar no campeonato no fim da primeira volta, ou a estarmos a 19 pontos do primeiro e a 12 do segundo, ou a termos sido eliminados da Taça de Portugal pelo Alverca – que joga no Campeonato de Portugal –, ou a termos feito contratações como o Fernando que o Presidente Varandas apelidou de um dos melhores do Campeonato Brasileiro onde apenas fez dois jogos pelo Palmeiras – jogador este que foi identificado pelo seu departamento de scouting altamente profissional e pelo próprio Presidente do “futebol fácil” – e que não teve um minuto sequer em Alvalade e que já foi recambiado de volta?

Porque já percebemos que o Presidente Varandas nada percebe de futebol, tem uma equipa diretiva que nada percebe de futebol, que como espetador atento ao fenómeno ainda não percebi o que Beto e Hugo Viana fazem no Sporting, como também não percebi ainda como é que o departamento de Scouting do Sporting onde alguns dos seus membros são tratados como estrelas fazem a análise aos jogadores, e por aí adiante. Já sabemos, e é triste, mas a isso poderemos dar a volta com know-how e profissionalismo. O que não podemos alterar são os nossos valores, e esses têm que ser defendidos até às últimas instâncias, contra tudo e contra todos.

Somos 3,5M e exigimos respeito!

Observação: O texto foi feito antes do jogo contra o Sporting de Braga.

  Comentários