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OS JOGOS OLÍMPICOS E AS SUAS SEQUELAS…
Estes resultados devem-se exclusivamente ao mérito das individualidades porque estes atletas são uns predestinados.
06 Ago 2021, 11:00

Os medalhados olímpicos do Sporting CP, Jorge Fonseca e a Patrícia Mamona são atletas de excepção. As suas prestações nos campeonatos da Europa, campeonatos do Mundo e agora Jogos Olímpicos devem-se quase em exclusivo ao seu talento, querer, perseverança, espírito de sacrifício, vontade de vencer e às condições que mal ou bem são disponibilizadas por representarem um Clube como o nosso.

Os seus treinadores e directores também são excepcionais. Quero destacar o Pedro Soares que tem feito um percurso notável enquanto director do departamento de Judo da mesma forma que o Carlos Silva, director do Atletismo do Clube. Ambos têm tido resultados brilhantes, ambos construíram equipas campeãs da Europa. São um exemplo de liderança e conhecimento técnico, mas excepções neste País.

O sucesso do ecletismo do Sporting CP traduzido no Atletismo e no Judo não mascaram a dura realidade da generalidade das modalidades do Desporto Português. Caso a nossa instituição e nós sócios não apostássemos e investíssemos nestas modalidades, provavelmente estes atletas não teriam forma de exprimir as suas fantásticas capacidades.

Assisti esta noite ao tremendo desempenho do sportinguista João Vieira, brilhante 5º classificado dos 50km marcha. A capacidade de superação e de sacrifício nesta modalidade são inimagináveis para a maior parte das pessoas. A simplicidade daquele homem franzino já com 45 anos a bater-se ao mais alto nível é um exemplo do querer português. Que somos capazes de ombrear com as maiores potências porque temos em nós um espírito guerreiro capaz de ultrapassar todas as dificuldades. Mas quantos jovens existirão com vontade, talento e desaproveitados?

Os Jogos Olímpicos ocorrem a cada 4 anos. A cada 4 anos as televisões entretêm-se a acompanhar estes atletas excepcionais mas que poucos portugueses conhecem. Passado este período voltam ao anonimato. Os principais dirigentes de Portugal, quando aparece uma medalha, através dos seus assessores, publicam umas mensagens redondas de felicitações e tratam por tu os atletas por mera conveniência, tacticismo e aproveitamento político.

Estes resultados devem-se exclusivamente ao mérito das individualidades porque estes atletas são uns predestinados. Não se devem a uma política desportiva concertada, planeada e sustentada em boas condições financeiras, instalações desportivas com qualidade e disseminadas pelo País.

O que tenho por relevante são as palavras da Patrícia Mamona. Colocou e muito bem o dedo na ferida. Não há Desporto Escolar. E o Presidente da Federação de Atletismo foi no mesmo caminho. Enquanto não investirmos a sério em infraestruturas desportivas, enquanto as nossas crianças tiverem cargas horárias nas escolas como têm tido, ao contrário dos países anglo saxónicos, cujos jovens têm quase todas as tardes livres para praticar desporto, dificilmente iremos mudar este paradigma.

Em vez de se debater este alerta da Patrícia Mamona, o foco da discussão é sobre o Pedro Pichardo, atleta nascido em Cuba e brilhante medalha de ouro por Portugal no triplo salto. São vários os que querem aproveitar para cavalgar e defender a onda da imigração sem regras usando um exemplo absurdo.

O atleta antes de chegar a Portugal e ingressar no nosso rival já era um dos melhores do Mundo. Medalha de Ouro em Barcelona nos Campeonatos do Mundo Juniores, Medalha de Ouro nos Jogos Pan Americanos em 2015, Bronze no Campeonato do Mundo de Pista Coberta em 2014, e Medalha de Prata nos Campeonatos do Mundo de Moscovo 2013 e Pequim 2015.

Fosse qual fosse o sector de actividade, desportiva ou empresarial, é um alto quadro especializado que qualquer País gostaria de acolher. Mais ainda quando é um latino, tem afinidades sociológicas e religiosas connosco porque é um cristão. Tem ainda uma proximidade linguística e cultural com Portugal, motivo pelo qual a sua integração se fez facilmente e com a maior naturalidade.

É muito fácil argumentar com os resultados quando o atleta acaba de vencer uma medalha de ouro olímpica e nos deixa muito satisfeitos. O tema é se podemos escolher a imigração que queremos, como neste caso. Infelizmente, mais uma vez esta é uma excepção mas não é tema de discussão para este local.

Termino com o mau exemplo que ocorre na cidade de Lisboa e que é chocante. O melhor e praticamente único pavilhão desportivo que a cidade tem a seu cargo, por opção política, está ocupado há quase um ano e meio pelos sem abrigo, estando os clubes, os seus jovens praticantes e respectivas modalidades impossibilitadas de o utilizar.

Podendo a Câmara de Lisboa acomodar os sem abrigo noutras instalações para poder libertar o pavilhão do Casal Vistoso para a prática desportiva, prefere ter os nossos jovens a estagnar em casa.

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