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QUANDO OS BONS EXEMPLOS VÊM DO SPORTING… (E OS MAUS DE TODO O LADO)
Parece-me inquestionável que o Sporting tem, genericamente, má imprensa, mesmo no grupo que parece ser, nos dias que correm, o órgão de comunicação oficial do Clube.
17 Fev 2020, 08:00

(Decidi deliberadamente não comentar a entrevista de Zenha nem as palavras de Cintra. Não me parece que qualquer um deles tenha feito um grande serviço ao Clube com as suas últimas intervenções. Ainda assim, ao primeiro, não resisto a dizer que, seguramente, não foi esta Direcção quem descobriu a roda e que o Sporting já existia antes deles. Há até quem diga que, pelos vistos, com menos programas informáticos mas a ganhar mais jogos. Expôr-se dessa forma eventuais fraquezas do clube tem como efeito, além de aumentar o amor próprio do entrevistado, o respectivo aproveitamento por terceiros. E não é preciso andar na guerra ou pela alegada alta finança para perceber isso. Basta um pouco de bom-senso e maior humildade).

(Não resisto igualmente a uma nota sobre o que de grave se passou no estádio do Vitória de Guimarães. De uma vez por todas, o que não se aceita na vida quotidiana, não pode também ocorrer em estádios de futebol. A violência no desporto tem muitas caras e nem sempre se manifesta apenas com very-lights. Não pode valer tudo. Seja quanto a um jogador do Porto ou de outro clube qualquer. Resta saber qual a cobertura que será dada e se os órgãos do poder político terão a mesma atenção que manifestaram ter quanto a episódios de alegada violência no Sporting).

Já aqui tive oportunidade de escrever que me parece inquestionável que o Sporting tem, genericamente, má imprensa, mesmo no grupo que parece ser, nos dias que correm, o órgão de comunicação oficial do Clube. Qualquer episódio connosco, seja de mais ou menos gravidade, é transformado em horas de debates e servido em doses sucessivas, como se não houvessem problemas em todo lado. Veja-se o que se passou no estádio do Guimarães e imaginemos que tal sucedia em Alvalade. Ou, mais relevante ainda, leia-se novamente a reportagem sobre as suspeitas que recaem sobre os negócios do Benfica e o (quase…) nulo impacto que teve nos principais órgãos de comunicação social. O nosso rival é quase uma ‘vaca sagrada’, capaz de convencer os mais incautos que, por exemplo, Paulo Gonçalves sempre agiu (e continua a agir…) por conta própria ou que é normal dirigirem-se convites aos juízes que, por mero acaso, vão julgar processos relacionados, quando não mesmo facultar visitas para os mesmos senhores vestidos de preto irem fazer jogos no relvado. Tem-se falado muito em tribunais a propósito do Sporting mas, se calhar, convinha dar-se mais atenção à influência do Benfica junto da Justiça, quer a desportiva, quer, principalmente, a comum. Aquela mesma onde, por exemplo, o que se soube sobre as transferências de jogadores deveria ser objecto de julgamento mas que, até agora, o que se vê é o manto do silêncio.

Quer pela inércia da nossa comunicação, quer pelo silenciamento do que nos favorece, não espanta o pouco relevo que foi dado à atitude do miúdo no jogo de benjamins de futsal, justamente contra o Benfica. Ao contrário do que seria expectável, foi ele que fez corrigir uma decisão do árbitro que era (por erro) favorável ao nosso clube. O pequeno jogador fez mais pelo Sporting do que todo o Departamento de Comunicação (incluindo aqui Cláudia Lopes, desaparecida em combate há meses mas, pelo menos aparentemente, mantendo-se no cargo).

Do mesmo modo, no Futsal feminino as nossas jogadoras, derrotadas nesse jogo, levaram até ao banco uma rival que se havia lesionado e que não se conseguia deslocar. Não soubemos disto pelos canais oficiais e mal se falou destes dois comportamentos que são reveladores do que aprendi ser a essência do Sporting. Também aqui não vale tudo.

Em ambos os casos, fizeram-nos acreditar num futuro digno, melhor e com mais sucesso. Este é o meu Sporting. Aquele que me faz esquecer entrevistas, comentários ou jogos seguidos de conferências de imprensa deprimentes.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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