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SINAIS FRACOS E A ESPERANÇA DE SEMPRE
Finalmente, o Sporting estreou-se em jogos oficiais.
Imagem de destaque25 Set 2020, 12:58

Porque vários jogadores e até o treinador foram contagiados por esta praga que é o vírus da Covid-19, o Sporting acabou por ver o seu jogo de futebol de estreia, que estava agendado para o último fim-de-semana, adiado.

Por essa razão, a estreia da equipa principal de futebol em competições oficiais, “a doer”, acabou por só acontecer ontem, em jogo de apuramento para o play-off da Liga Europa.

Vencemos em Alvalade um frágil Aberdeen, num estádio tristemente despido de público, de som e de ambiente de futebol.

O mais positivo de tudo foi o resultado e seguirmos em frente para o jogo que vai decidir se entramos na Liga Europa, como quase obrigatoriamente temos de entrar, pelo prestígio, pelos pontos para o ranking UEFA – no qual precisamos como de pão para a boca de subir posições e até pelos prémios monetários – pela moralização e valorização do plantel e para satisfação dos adeptos.

Sabemos que este jogo oficial de estreia foi, de facto, o primeiro jogo “a sério” da época, e sabemos também que, por terem acusado positivo nos testes, não podemos contar com alguns jogadores. Mas, ainda assim, apresentámos um 11 muito próximo daquele que será, provavelmente, o mais utlizado esta época.

As únicas possíveis alterações que poderiam provavelmente acontecer seriam as utilizações dos contagiados Pedro Gonçalves, João Palhinha e Eduardo Quaresma, no lugar dos quais jogaram neste jogo Vietto, Matheus Nunes e Neto. Dúvida ainda na questão guarda-redes. Se Max estivesse disponível, teria sido titular, sentando Adán no banco? (esta é uma questão de difícil decisão, pelo menos para mim.)

Sim, com os três prováveis titulares que ficaram de fora, a equipa teria sido um pouco mais forte. Mas, entrando com oito jogadores que, ao que tudo indica, farão parte do 11 titular ao longo da época, este primeiro jogo oficial veio confirmar aquilo a que assistimos nos jogos de pré-época e até nos jogos finais da época passada, já sob o comando de Ruben Amorim.

Este 3-4-3, ou lá o que é, em que Rúben Amorim apostou e em torno do qual tem insistido e armado as equipas, ainda não me convenceu, confesso. O nível exibicional tem sido fraquinho, a “nota artística” inexistente e mesmo a eficácia, o “resultadismo”, tem ficado muito longe do esperado.

Esperemos que seja uma questão de tempo até que o modelo seja completamente assimilado pelos jogadores, que as rotinas sejam ganhas, e que seja um prazer ver o Sporting jogar. Para já, o nível de jogo não satisfaz, é apenas sofrível e, por vezes, chega a ser penoso. Após esta estreia com o Aberdeen, fico muito curioso para ver como a equipa se comporta já na próxima partida, com o Paços de Ferreira, e confesso-me algo apreensivo para o jogo com o LASK. Os austríacos, já sabemos à nossa própria custa, não facilitam e não brincam em serviço.

Primeira nota adicional para o seguinte: o mercado de transferências fecha a 5 de outubro. Muito curioso para ver o que vai ser feito com Renan, Ilori, Rosier, Doumbia, Camacho, Miguel Luís, Luiz Phellype (e, na minha opinião, Vietto também devia estra nesta lista). São jogadores que, ao que parece, não entram nas contas de Ruben de Amorim. Uma gestão de ativos decente conseguiria bons negócios. Cá estaremos para ver. Faltam 10 dias pra o encerramento do mercado.

Segunda nota e final: sou admirador e fã de Cristiano Ronaldo e aprecio a atitude e respeito que o jogador sempre demonstrou para com o Sporting e os Sportinguistas. Sei que Cristiano Ronaldo tem dimensão universal e é, hoje em dia, mais conhecido em todo o mundo que o próprio Sporting. Não ignoro, portanto, que associar a Academia do Sporting a Cristiano Ronaldo, formado neste clube – e em mais nenhum – pode ser muito positivo e trazer vários dividendos. Mas isso não acontece se nos ficarmos apenas por este “batismo” da Academia, a cujo anúncio CR7 esteve totalmente alheio. Nem presença, nem um vídeo ou, sequer, um post nas redes sociais do atleta. Nada. Ficamos então na dúvida: o que está por trás disto? O próprio CR7 está envolvido e no futuro iremos perceber melhor que existe uma parceria real entre clube e a marca CR7, de que ambos vão beneficiar, ou isto foi só um anúncio precipitado e vazio, sem mais nenhum conteúdo senão uma mera homenagem do Sporting ao jogador, tão inconsequente como a que o Nacional logo se apressou a vir dizer que já tinha feito? (apesar de ser ridículo o clube madeirense tentar assumir-se também como clube “formador” de CR7, uma vez que o jogador passou lá apenas dois anos quando ainda era uma criança, antes de rumar ao Sporting).

Enfim, temos de aguardar para ver o que acontece neste caso, sendo que não se percebe a pressa em fazer este anúncio, se o próprio Cristiano Ronaldo não estava ainda disponível para se associar a ele.

Desejo que, na próxima crónica, possa falar de uma estreia com vitória do Sporting na Liga NOS, de uma Assembleia Geral civilizada, limpa e esclarecedora (o que, dada a ausência de discussão prévia, já se vislumbra difícil) e do apuramento do Sporting para a Liga Europa, após receberemos e vencermos o LASK.

Não espero menos que isto, para a semana que aí vem.

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