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SÓ NOS SAEM DUQUES…
Mesmo que Varandas possa achar que Vieira o pode ajudar a passar a tormenta, a verdade é que, como na fábula, os escorpiões nunca perdem a sua natureza.
Imagem de destaque08 Jun 2020, 09:00

Como ponto prévio, e tal como quase todos os sportinguistas, estranho o silêncio quanto ao sucedido com o autocarro que transportava os jogadores do SL Benfica, pela mão de uns adeptos que todos sabemos serem de uma claque, ainda que do outro lado da Segunda Circular se diga não reconhecerem – e consequentemente não existirem – grupos organizados de adeptos. Podemos achar que as situações não se equivalem mas, ainda que assim seja, seguramente mereciam mais uns minutos e atenção, quer da comunicação social, quer dos próprios políticos.

A violência no desporto é um tema (a) sério e o manto de silêncio que cobre todos os eventos a propósito deste clube só se pode explicar à custa de uma comunicação bem amestrada. De outra forma, não teríamos deixado de ter imagens do dito ataque quase em directo e os respectivos nomes em vários canais de televisão.

Se a tal se somar a quase ausência de notícias sobre a demissão de Luís Nazaré, a única conclusão possível é a que a maior parte dos jornalistas, ainda que se diga independente, na prática e pelas constantes omissões, pulsa vermelho ou, pelo menos, teme enfrentar os poderes instalados. A “teia”, como se percebe, é intrincada, não surpreendendo que se volte a um dos nomes centrais da estratégia montada pelo Benfica: tal como foi noticiado, Paulo Gonçalves terá tido intervenções em negócios de conteúdo duvidoso com o Desportivo das Aves, aliás à semelhança de um nome nosso conhecido: Luís Duque. A propósito deste, não apenas terá recebido dinheiro do citado clube como, pelo que se diz, tomou a iniciativa de andar a fazer depósitos que violam a Lei de Branqueamento de Capitais. Podemos dar de barato que os € 40.000,00 que o mesmo afirma ter recebido se deveram aos conselhos que afirmou ter dado no âmbito de uma alegada consultadoria. O que já se torna mais difícil de perceber é, a ser verdade o que se diz e que não foi objecto de desmentido pelo próprio, como é que um jurista aceita ter tais comportamentos, para mais no âmbito de uma duvidosa “colaboração” com o clube rival do que, supostamente, é o seu. Note-se que, segundo o Jornal Publico, o que está em causa são não apenas uma conta-corrente oficiosa entre os dois clubes como contratos duvidosos na cedência de jogadores e, last but not the least, uma dívida que deveria ter impedido o Aves de estar na I Liga[1]. Aqui chegados, poderíamos ser tentados a perguntar porque raio Vieira decidiu ser benemérito com o Desportivo das Aves, sendo que, também aqui, parecem não existir almoços (nem vouchers, já agora…) grátis.

Se Duque acha que pode ajudar quem ajuda o Benfica, então, não apenas não é sportinguista como não tem as condições mínimas para presidir à Liga Portuguesa de Clubes.  No meio disto, mantendo a estranheza quanto ao que está a acontecer a Pedro Proença na Liga de Clubes, é com total perplexidade que ouvi falar num apoio de Varandas ao mesmo Luís Duque, partilhando a mesma posição de Vieira. Ainda que a promessa de repasto possa ser boa, há pessoas com quem não nos devemos sentar à mesa. Mesmo que Varandas possa achar que Vieira o pode ajudar a passar a tormenta, a verdade é que, como na fábula, os escorpiões nunca perdem a sua natureza.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

[1]Pelo que foi noticiado, a investigação do Público iniciou-se com contrato de cedência de Luquinhas, que foi comprado pelo Benfica ao Vilafranquense e, apenas um mês depois, foi cedido ao Aves, com o Benfica a manter direito sobre 50% dos direitos económicos de uma eventual futura transferência, contendo uma cláusula penal de cinco milhões de euros, além dos 50% dos direitos económicosque os encarnados tinham conservado, caso o jogador viesse a envergar a camisola do Sporting Clube de Portugal ou do Futebol Clube do Porto. Mediante tal acordo, o Benfica tinha, também, direito de preferência sobre o destino de Luquinhas numa eventual transferência futura e podia, a qualquer momento até 2021, recomprar o jogador por 100 mil euros, caso em que o jogador auferiria o mesmo salário que recebia no Aves. Contratos com cláusulas semelhantes terão sido assinados relativamente a atletas como Carlos Ponck, Hamdou, Derley e Ricardo Mangas, entre vários outros jogadores que foram cedidos pelo Benfica ao Desportivo das Aves, sem que, em muitos destes casos, fossem tornadas públicas as verbas envolvidas. Se tal já era inusitado,  que dizer quanto à dívida que o clube nortenho tinha ao Benfica – 223 mil euros relacionados com a transferência do cabo-verdiano Carlos Ponck? Ponck tinha sido comprado ao Benfica por um milhão de euros mas o Aves dividiu o pagamento em parcelas, a primeira das quais caucionada por um cheque emitido, pessoalmente, pelo chinês Wei Zhao, investidor no Desportivo das Aves.Sem que se conheça o motivo, esse cheque deveria ter sido substituído por outro cheque, emitido pela SAD do Desportivo das Aves, o que ainda não sucedeu.  A ter sido declarada a dívida, tal facto determinaria que o Aves não pudesse inscrever-se na I Liga, já que esta está condicionada à não existência de dívidas entre os clubes, além de dívidas à Segurança Social e àsFinanças. É certo que não é o único clube em circunstâncias estranhas, uma vez que existem outros  com um registo de apresentação de PER’s e estabelecimento de acordos de pagamentos com o Estado que, estranhamente, se renovam todos os anos. Contudo, a situação não é comparável, na medida em que, enquanto o Aves parece ter sido levado ao colo, os demais, até agora, parecem safar-se (quase) sozinhos.

 

 

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