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SOBREVIVÊNCIA E SOBREVIVENTES EM TEMPOS DE CALAMIDADE
De forma direta e sem rodeios, como é seu apanágio, Jorge Jesus afirmou, à partida para o Brasil, que a indústria tem de saber conviver com o vírus.
04 Mai 2020, 09:00

Terminado o Estado de Emergência segue-se agora o Estado de Calamidade. No que ao Desporto diz respeito, é efetivamente de uma calamidade que estamos a falar. Depois dos emblemáticos Jogos Olímpicos, aprazados para Tóquio, terem sido adiados um ano, o panorama nas várias modalidades não é nada animador. Focando-nos nas modalidades de pavilhão, tivemos, esta semana, a confirmação de que não serão retomadas as competições nacionais que decorriam (1). Atempadamente, em crónicas anteriores, tem-se observado que é necessária uma reflexão profunda sobre o futuro das modalidades de pavilhão, um espaço fechado, onde a proximidade e fervor dos adeptos, como acontece no Pavilhão João Rocha, é um seu cartão de visita, transformado agora em calcanhar de Aquiles. Como iniciar a próxima época no que respeita ao Futsal, Basquetebol, Voleibol, Andebol e Hóquei em Patins? Como tornar sustentável e em que moldes se poderá suprir a ausência das receitas de bilheteira, consequência da ausência parcial e/ou total de publico? No limite, as atuais modalidades vão todas sobreviver? Neste capítulo, o Sporting tem particulares responsabilidades e deveres, pois o ostentar de título de Campeão Europeu de Futsal e de Hóquei em Patins é prolongado no tempo. Seria interessante pois que os Sportinguistas ouvissem, de viva voz, Miguel Afonso e Miguel Albuquerque sobre quais os planos, estratégias e rotas para que as modalidades “naveguem” neste mar revolto e cheio de incertezas que a Covid-19 nos trouxe a todos.

Sem rodeios, foi com naturalidade que as três potências desportivas nacionais tivessem sido chamadas a São Bento. A ameaça que pende sobre a indústria do futebol e, por adjacência e capilaridade, o desporto português, onde se incluem as modalidades previamente citadas, leva a que, pragmaticamente, apenas se atendesse quem, de facto, tem implantação nacional e escala para lá estar. No meio de interesses contraditórios, onde azuis gostariam de dar por terminado já o campeonato, de forma a remediarem o seu sufoco financeiro com uma presença na Champions League garantida, e encarnados ainda a quererem poder dar a volta, de forma a alimentar um famoso “carrossel”, o Sporting encontra-se em 4º lugar, não tendo garantida ainda a qualificação Europeia. De forma direta e sem rodeios, como é seu apanágio, Jorge Jesus afirmou, à partida para o Brasil, que a indústria tem de saber conviver com o vírus (2). Foi particularmente acutilante quando afirmou: “Vão ser testados de duas em duas semanas, tomara eu que todos os trabalhadores de todas as empresas pudessem fazer isso”. Assim, com os protocolos de segurança e escolha dos estádios mais adequados para o efeito, teremos em breve o retorno da Liga NOS, fundamental para o restabelecimento do fluxo de receitas, que já se encontravam paradas por parte dalguns dos sponsors televisivos, segundo o que foi noticiado esta semana (3). É, pois, por imperativos de sobrevivência do negócio, inevitável o recomeço.

Soube-se ainda a semana passada que Fernando Gomes, presidente da FPF, indicou Cláudia Santos para substituir José Manuel Meirim, no Conselho de Disciplina (4). Sem posição oficial (ou oficiosa) por parte do Sporting, muito se debateu nas redes sociais, vindo até agora Mário Figueiredo, ex-Presidente da Liga, tecer considerações públicas (5) sobre parcialidade pró-encarnada da Professora universitária e deputada do PS, quando antigamente, em funções, parece que até a recomendava, via mail, para o lado errado da Segunda Circular. Será Figueiredo um sobrevivente? O que importa daqui assinalar e refletir, como Sportinguista, é por que razão os cargos nas estruturas federativas que, goste-se ou não, têm de ser ocupados e desempenhados, nunca existem personalidades da esfera leonina, prestigiadas e disponíveis para as ocupar, quando as oportunidades surgem. Porventura, a resposta a esta questão estará na forma truculenta e sem qualquer tipo de refreio, como, desde há muitos anos, inúmeros sportinguistas, se comportam na praça pública, meramente para efeitos imediatos de populismo, de forma a contentar grupos, mas com prejuízo dos interesses do Sporting, a médio e longo prazo.

Assim, fica difícil sobreviver aos adversários, mas sobretudo a nós próprios pois, ao diminuirmo-nos uns aos outros, não nos prestigiamos a nós, não prestigiamos as nossas cores, ficando sempre mais longe dos objetivos e alegrias que os Sportinguistas tanto desejam e o Clube tanto merece.

1 – https://www.publico.pt/2020/04/29/desporto/noticia/fim-campeonatos-andebol-basquetebol-hoquei-voleibol-1914465

2 – https://www.ojogo.pt/internacional/portugueses/noticias/jorge-jesus-acho-muito-bem-nos-temos-de-saber-conviver-com-o-virus-12142184.html

3 – https://www.rtp.pt/noticias/covid-19/covid-19-altice-suspende-pagamentos-a-clubes-da-i-e-ii-ligas-de-futebol-em-abril_d1224338

4 –  https://tribunaexpresso.pt/futebol-nacional/2020-04-29-Fernando-Gomes-escolhe-Claudia-Santos-ex-assessora-de-Antonio-Costa-para-o-Conselho-de-Disciplina-da-FPF

5 – https://www.abola.pt/nnh/2020-05-02/fpf-mario-figueiredo-critica-escolha-de-claudia-santos-para-o-conselho-de-discipl/842768

Diretor Leonino

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