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TAL EDUARDO PAI, TAL EDUARDO FILHO
Caso se confirme o absurdo adiamento do jogo do Sporting CP, o mesmo põe em causa o planeamento competitivo da nossa equipa.
18 Set 2020, 11:51

Começo por fazer um merecido elogio ao artigo que o Eduardo Garcia escreveu ontem (LER AQUI), no Leonino. Ainda não tivemos ocasião de nos conhecer pessoalmente e por isso não sei, nem é relevante, se simpatiza comigo ou não, motivo pelo qual a minha apreciação é absolutamente neutra. A sua análise certeira sobre o momento actual do SL Benfica e toda a teia de circunstâncias políticas que actualmente o envolvem, no caso de terem consequências, creio, poderá vir a espoletar, nos próximos anos, enormes modificações no xadrez do futebol português.

Ora o Eduardo Garcia, não sendo alguém do futebol, mostrou um bom senso e uma assertividade notável acerca do caminho a trilhar. É por isso incompreensível o silêncio triste e cúmplice da direcção do Sporting CP sobre o que se passa do outro lado da Segunda Circular…

Também ontem, em entrevista ao programa Bola Branca da Rádio Renascença, o seu Pai, Eduardo Barroso, figura respeitada e insuspeita quanto ao seu Sportinguismo, profundo conhecedor de Medicina, pessoa avisada e responsável, fez declarações com as quais concordo em absoluto. A realização do jogo com o Gil Vicente, e de todos os outros, mesmo que existam casos positivos de Covid-19, tem de ocorrer e defendeu que a doença seja encarada como lesão.

Ora, passadas umas horas destas declarações de Eduardo Barroso, a Direcção Geral de Saúde que inúmeras vezes se esquece de lavar as suas próprias mãos, decide mais uma vez intrometer-se no futebol profissional, mandando cancelar o jogo do nosso Clube, agendado para amanhã, com o Gil Vicente. Se na semana passada a partida da jornada inaugural da segunda Liga – Feirense vs Chaves tinha sido adiada em cima da hora, de forma incompreensível, este possível adiamento do jogo do Sporting CP pode lançar o caos no futebol profissional português.

Que Varandas esteja abstruso no seu gabinete, quiçá preocupado com o seu director clínico, já estamos habituados. Infelizmente a sua postura é essa e nem outra coisa dele se pode esperar. Agora a posição do Presidente da Liga que tem sido, a meu ver, frágil e até inconsequente, provoca-me estupefacção.

Escrevi há umas semanas que devia ser dada a Pedro Proença uma última oportunidade de seguir à frente dos destinos da Liga de Clubes. Neste momento considero que o seu tempo está a esgotar-se. A sua incapacidade para liderar e influenciar tem sido confrangedora. O Presidente da Liga não pode vestir o papel de árbitro nesta matéria. Tem de ser protagonista. As desmandas da senhora da DGS estão a dar cabo do Desporto em Portugal e do futebol profissional. Estar na linha da frente a defender os Clubes, os seus interesses e a sua sustentabilidade. Foi para isso que o elegeram. Caso se confirme o absurdo adiamento do jogo do Sporting CP, o mesmo põe em causa o planeamento competitivo da nossa equipa e as rotinas de jogo essenciais para quem está a poucos dias de uma eliminatória europeia com o Aberdeen da Escócia. Fazer este jogo com o Gil Vicente em competição “a doer” era importantíssimo para a nossa equipa. O apuramento do Sporting CP para o playoff e posterior entrada da fase de grupos da Liga Europa é muito importante para o prestígio do Clube, para a sua debilitada saúde financeira, para o nosso ranking europeu e do futebol português. Mesmo que Varandas se encolha e não tuja nem muja, o Presidente da Liga, que tem outra experiência e responsabilidades, não pode aceitar estas intromissões. Tinha de ter tomado medidas de antecipação, uma posição de força em defesa da competição, desde logo e porque não, pedir a demissão da senhora da DGS. Não chega apelar de forma medrosa, comprometida e titubeante que quer publico nos estádios. Muito menos pode aceitar ou permitir que numa competição profissional e sem público os jogos não possam ocorrer havendo um calendário a respeitar e jogadores disponíveis para competir. Está em causa a integridade e credibilidade de um campeonato. Espero que nas próximas horas haja uma reversão desta medida e que Pedro Proença demonstre que tem algum peso político e de influência para defender os seus. Se assim não for tenho que reconhecer o meu erro de apreciação sobre a capacidade dele enquanto dirigente máximo da Liga de Clubes.

Uma última nota para os grupos organizados de adeptos do Sporting CP, vulgo claques. Durante os anos que privei, enquanto responsável da direcção do Clube com o pelouro dos Núcleos, com os seus dirigentes e staff, tivemos sempre uma relação cordial e de respeito. Mesmo quando os resultados desportivos eram menos favoráveis e nos cruzávamos após os jogos nas estações de serviço por esse País fora, os seus dirigentes e restantes adeptos tinham para connosco uma atitude compreensiva de quem percebia que a desilusão como sportinguistas era mútua e sentida. Sou testemunha do esforço e dedicação das claques ao longo dos anos para servir o Sporting CP, apoiando sempre e em todos os momentos as nossas equipas. Não vou tecer considerações sobre se estas pessoas são melhores ou piores que outras. O que posso dizer é que o respeito e consideração sempre imperaram e devo até acrescentar que sentia que estavam presentes e atentos para nos socorrer, caso algum de nós dirigentes se visse em algum aperto em virtude dessa nossa condição. Estou por isso solidário com a Juventude Leonina e o Directivo XXI quanto a manterem-se nas suas sedes. Aproveito para enviar as minhas cordiais saudações leoninas ao Nuno Mendes, Samico, Ricardo Correia, Sérgio Gordini entre outros da Juve bem como ao Filipe Ribeiro, Mauro Mateus, entre outros do Directivo. Aproveito para também saudar a Brigada que celebrou recentemente o seu aniversário, na pessoa do Pedro Ferreira.

Que possamos em breve voltar todos aos Estádios, Pavilhões e Pistas para apoiar o nosso Sporting!

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