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UM “25 DE ABRIL” PARA O FUTEBOL PORTUGUÊS E UMA “REVOLUÇÃO” PARA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL?
“As lideranças esquecem-se, Hoje e Sempre, que o poder é transitório e as massas que, num momento, os aplaudem serão quem, depois, os vai derrubar!”
29 Set 2023, 22:42

Jornada

Sporting 3 Benfica 5

Hector Yazalde 8 e 42 (g.p.) e Dé Aranha 89 (g.p.); Humberto Coelho 12, Nené 31 e 35, Rui  Jordão 38 e Vítor Martins 70

15 dias após o chamado “golpe das Caldas” (16/03/1974) e cerca de 3 semanas antes da Revolução dos Cravos disputou-se, no Estádio José Alvalade, um importante derby que poderia ser decisivo na atribuição do título de campeão nacional de futebol 73/74 com a presença do Presidente do Conselho Marcello Caetano. Antes do desafio, que terminaria com a derrota do Sporting frente ao velho rival, Marcello Caetano seria alvo de uma enorme ovação por parte das dezenas de milhares de espectadores presentes no Estádio!

A última ovação ao Presidente do Conselho que, poucas semanas depois (25/04/1974), seria obrigado a refugiar-se numa Chaimite da coluna do capitão Salgueiro Maia para não ser apanhado pela multidão que cercava o Quartel do Carmo! Ao longo da história os humores das multidões sempre foram muito voláteis e imprevisíveis!

O “sistema” futebolístico vigente foi assolado, nas últimas 4 décadas, por múltiplos escândalos dignos de um filme de Martin Scorsese oscilando, ciclicamente, entre a tonalidade azulada da “fruta” e o tom avermelhado dos “padres” com prejuízos crónicos para a verdade desportiva e para o Sporting Clube de Portugal.

Por isso torna-se cada vez mais urgente um “25 de Abril” no futebol nacional! A subalternidade dos valores éticos e morais no panorama global do futebol nacional das últimas décadas e uma justiça civil e desportiva lenta e arbitrária têm corroído a confiança do adepto comum neste desporto.

Aqui chegados e após os recentes acontecimento ocorridos no inicio do campeonato de futebol 23/24 fica aqui o desafio ao presidente Frederico Varandas: Abraçará a “evolução na continuidade” do futebol luso ou vestirá a farda do “Salgueiro Maia” da necessária regeneração do futebol português?

De cariz “revolucionária” é também a nova proposta do “voto universal” apresentada pelo actual Conselho Directivo do Sporting com o objectivo de aproximar os sócios das principais tomadas de decisões acerca dos destinos do clube.

A ideia é que os associados, estejam em que parte do mundo estiverem, possam votar em todo o tipo de Assembleias Gerais (AG), desde que tenham acesso a qualquer computador ou dispositivo móvel com acesso à internet e procedam à autenticação através de 5 fatores: Número de sócio mais cinco dígitos, número de identificação, identificação de usuário, PIN de acesso, confirmação por código enviado via SMS ou email.

Esta proposta de votação pela Internet encerra alguns perigos bem identificados e que podem ser descritos da seguinte forma:

  • Apenas através do voto presencial é possível assegurar a intransmissibilidade do voto;
  • Existem ainda questões relacionadas com a confidencialidade e sigilo, para as quais o
    voto pela internet não oferece resposta;
  • Este modelo pode levantar alguns problemas em eventuais recontagens eleitorais;
  • Nos escassos exemplos internacionais em que este modelo foi experimentado (por exemplo a Estónia) têm sido levantadas bastantes dúvidas sobre a fiabilidade deste sistema;

Se o Conselho Directivo do Sporting pretende desencadear uma verdadeira “revolução” na militância leonina, na aproximação dos sócios ao clube e no aprofundamento democrático do processo eleitoral leonino pode, desde já, implementar o “voto nos núcleos” utilizando um dos mais preciosos “tesouros” do universo leonino – A extensa rede nacional e internacional de núcleos do Sporting Clube de Portugal! Haja coragem política e espírito democrático para tal!

 

Jorge Gustavo Lopes

Sócio SCP n.º 9.115-0

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