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UM MAR DE EQUÍVOCOS…
Parece que estamos perante mais uma brilhante demonstração da incapacidade negocial e submissão a Jorge Mendes, como de há muito tempo a esta parte tem vindo a verificar-se por parte da SAD.
18 Ago 2022, 14:39

Encontramo-nos do dealbar da época futebolística 2022/2023, pelo que será ainda prematuro fazer análises de performance desportiva, as quais poderão vir a revelar-se pouco consistentes. Contudo, há algo que salta desde já à vista de todos: o Sporting tem um plantel curtíssimo para atacar as várias competições onde está envolvido. Decorridas apenas duas jornadas, já nos vimos privados de Tabata (venda do passe ao Palmeiras, faltando ainda a informação oficial acerca da mais-valia financeira deste negócio) para, segundo as palavras de Ruben Amorim, ser possível manter Matheus Nunes no plantel (!!). Algo que o próprio jogador confirmou como sendo seu desejo, afirmação corroborada pelo treinador. E de repente, quando nenhum sportinguista acharia possível, surge a bomba da compra dos direitos desportivos de Matheus Nunes, o qual irá rumar a um dos clubes que compõem o carrossel de Jorge Mendes, neste caso o Wolverhampton. Para além da perda de um extraordinário e consistente jogador, que certamente terá um impacto negativo no rendimento da equipa, parece que estamos perante mais uma brilhante demonstração da incapacidade negocial e submissão a Jorge Mendes, como de há muito tempo a esta parte tem vindo a verificar-se por parte da administração da SAD. É verdade que Matheus Nunes não fica bem na fotografia, mas todos sabemos como os jogadores são manipulados e coagidos em função dos superiores interesses de empresários e clubes envolvidos. Para mim, o menos culpado! No que respeita a Ruben Amorim, um treinador que aprendi a admirar, confesso que já nas últimas semanas não consegui perceber a sua intromissão na gestão financeira do clube, por um lado afirmando que o Sporting não tinha 1 € para gastar e, por outro, reivindicando até aumentos salariais para alguns jogadores! Não me recordo de alguma vez vê-lo abordar temas financeiros, nem isso faz parte das competências de um treinador. Será Ruben Amorim agora também “mensageiro” da administração da SAD, prestando-se a este ridículo papel? Ou será este o alibi perfeito para preparar a sua saída na próxima janela de mercado, ficando bem com Deus e o Diabo, entenda-se, com a administração e com os sócios? A confirmar-se, desiludir-me-á totalmente como pessoa e profissional, demonstrando ser apenas uma “marioneta” em todo este processo. Mas prefiro aguardar pelos novos desenvolvimentos.

Já no que respeita à administração da SAD, aguardemos que Frederico Varandas venha explicar aos sócios os detalhes do negócio. Para já, o que sabemos é que se trata de mais uma venda abaixo da cláusula de rescisão, como tantas outras, mas onde os 10% de Jorge Mendes estarão garantidos, fazendo disparar a dívida a empresários para valores na ordem dos 40 M€! Ou será que a “reserva” do passe de Ricardo Horta, promessa de Jorge Mendes a Hugo Viana à revelia de Frederico Varandas (segundo escutas telefónicas) vai agora concretizar-se? Já faltará pouco para sabermos isto e muito mais …

Por entre as várias lesões de jogadores, como são os casos de Adan (recuperação supersónica!), Ugarte, St. Juste, Daniel Bragança (vários meses até recuperar) e agora Paulinho, resta-nos aguardar por aquilo que o mercado poderá ditar até ao dia 31 Agosto. Porque a época futebolística vai ser extremamente exigente, com particular destaque para o período até ao Mundial do Catar e porque haverá, certamente, mais lesões e castigos, urge encontrar soluções que aportem o necessário valor para esta época desportiva. Ficarei expectante, aguardando para ver a quem e por quanto compramos, ao mesmo tempo que será importante perceber quem representa esses eventuais reforços. Em função deste cenário, não seria de todo aconselhável terminar já com a “birra” em torno de Slimani, sentando as várias partes envolvidas e reintegrando este importante ativo? Afinal, estamos a falar do melhor avançado da Liga em março 2022, mas também de um jogador que ama a camisola que veste. É que, quer do ponto de vista desportivo, quer financeiro, não tenho dúvidas que todas as partes sairiam beneficiadas. Caso assim não seja, arriscamo-nos a que este folhetim venha a culminar num “Renan 2”.

Para terminar, foi com tristeza que vi partir essa incontornável figura do futebol português, que dá pelo nome de Fernando Chalana. Apesar da “azia” que muitas vezes me provocou, pela genialidade e magia que saíam dos seus pés, reconheço que merece um lugar de destaque na história do futebol português. Por isso mesmo, foi um gesto bonito aquele que a direção do Sporting teve ao fazer-se representar, através de Frederico Varandas, na missa de corpo presente. Mas este era, também, o comportamento exigido à direção do Sporting pela morte de José Subtil de Sousa, que foi vice-presidente do Sporting no período de 1989-1991, tendo também sido diretor desportivo para o futebol. Infelizmente, a direção do clube limitou-se a emitir um simples e lacónico comunicado, endereçando as condolências à família e amigos e não se tendo feito representar por nenhum elemento dos Orgãos Sociais nas cerimónias fúnebres deste grande Homem e Sportinguista, que tanto deu ao nosso clube. Infelizmente, e ao contrário das minhas expetativas, a direção do Sporting voltou a ignorar a sua morte durante o jogo do passado sábado contra o Rio Ave. Afinal, bastaria anunciar 1 minuto de silêncio pela morte de Fernando Chalana e de José Subtil de Sousa. Por alguma razão não o fez? Tem a palavra a direção do SCP.

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