ALBUQUERQUE: "SINTO UM ORGULHO ENORME NO TRABALHO QUE DESENVOLVI"
Em declarações ao semanário ‘Novo’, ex-diretor geral das modalidades do Sporting enalteceu feito do futsal leonino, mas deixou um aviso: “agora é preciso não deixar cair o nível e gerir o momento”
Duarte Pereira da Silva
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4 de Maio 2021, 12:15
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“Não sou hipócrita e não estaria a ser sério se não dissesse que sinto um orgulho enorme no trabalho que desenvolvi durante os 20 anos que passei no Sporting, 18 deles diretamente ligados ao futsal”. A afirmação é de Miguel Albuquerque, que, em declarações ao semanário ‘Novo’, enalteceu o feito do futsal leonino ao conquistar a segunda UEFA Futsal Champions League. Contudo, o ex-diretor das modalidades leoninas deixou um aviso: “agora é preciso não deixar cair o nível e gerir o momento”.

Significado da conquista: “É a afirmação de um projeto vencedor”

  • “Tem um significado indescritível. Estamos a falar da Liga dos Campeões; trata-se do título de campeão europeu. Não está ao alcance de todos. O Sporting consegue-o pela segunda vez nas quatro finais em que marcou presença nos últimos cinco anos. É obra! É a afirmação de um projeto vencedor, que esteve assente em dois eixos orientadores, como sempre transmiti publicamente: numa primeira fase, conseguir a hegemonia nacional e, depois, a afirmação europeia. Penso que estão ambos cumpridos”.

Sente que têm alguma quota parte de responsabilidade nesta conquista? “Faz parte do processo. Nada é feito ao caso. Tudo estava pensado, planeado e estruturado”.

  • “Faz parte do processo. Eu era o responsável pelo futsal e pelas modalidades nessa altura. Tinha uma estratégia, que era pública, e penso que tomei opções certas, de acordo com o projeto que tínhamos para esta modalidade. Nada é feito ao acaso. Tudo estava pensado, planeado e estruturado, como sempre transmiti aos Sportinguistas, através da transparência que defendo na comunicação com os sócios e adeptos”.
  • “Sinto que este título é de todos os sócios e adeptos e eu, nessa condição, sinto-o dessa maneira. Mas, mais uma vez, não sou hipócrita e não estaria a ser sério se não dissesse que sinto um orgulho enorme no trabalho que desenvolvi durante os 20 anos que passei no Sporting, 18 deles diretamente ligados ao futsal. Mostra a muita gente, que de repente se torna especialista de tudo e mais alguma coisa, que o objetivo de um clube são títulos e o caminho tem de ser traçado com esse intuito, com competência, liderança e organização”.
  • “Esta equipa técnica, jogadores, e estrutura de apoio da modalidade tem muito mérito em tudo isto. Eles são os verdadeiros obreiros deste triunfo e de todos os outros que colocam o futsal do Sporting no patamar em que está hoje. Mas, obviamente, não estaria a ser sério se dissesse que não sinto um orgulho enorme ao olhar para esta equipa e sentir que todo o trabalho compensou e valeu a pena. Eles são uns vencedores; uns verdadeiros heróis e ninguém vai apagar o que eles já fizeram pelo Sporting”.

Aposta na juventude: “Lembro-me do dia em que os irmãos Paçó começaram a jogar no Sporting”

  • “Lembro-me do dia em que os irmãos Paçó começaram a jogar no Sporting no ano que fizemos a nossa primeira equipa de infantis; de ver o Neves a jogar no nosso projeto das escolas de futsal em Loures, com apenas 6 ou 7 anos; e de ver o Zicky a chegar ao Sporting. Ao vê-los hoje a vencer a Liga dos Campeões, sinto um orgulho enorme”.
  • “Quero também deixar uma palavra de apreço para as primeiras pessoas que me vieram à cabeça nesta conquista: Melo Bandeira, Carlos Vaz e Cícero Campos, pessoas que estiveram na génese desta modalidade no clube e que tanto lutaram pela sua afirmação em momentos difíceis, não podem ser esquecidos hoje”.

Futuro? “É preciso não deixar cair o nível e gerir o momento”

  • “Se terá condições ou não, neste momento apenas posso responder-lhe como sócio: espero que sim. Como sempre disse, o projeto do futsal foi assente em dois eixos: conseguir, numa primeira fase, a hegemonia nacional e, numa segunda, a afirmação europeia. Na minha opinião, ambas foram alcançadas. Agora é preciso não deixar cair o nível e gerir o momento, perspetivando o futuro”.

Fotografia de Sporting

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