Manuel Matos dos Santos
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28 Ago 2026 | 10:45

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Manuel Matos dos Santos

Champions League sem medo, se houver mais ambição

Sporting tem equipa para aquilo que quer conquistar? A minha resposta, olhando para o que vimos até ao momento, é simples: ainda não


Sporting quer ser campeão nacional. Deve ter a ambição de ir longe na Champions, até porque a fasquia ficou elevada depois dos quartos de final da época passada. Quer competir na Europa e, ao mesmo tempo, chegar ao fim de uma temporada longa, desgastante e com muitas frentes, com capacidade para continuar a ganhar – algo que não aconteceu em 2025/2026 e que esta época, enquanto ainda é tempo, tem forçosamente de ser revisto.




O sorteio de hoje da fase de liga da Champions colocou o Sporting perante oito adversários: Barcelona (casa), Manchester City (fora), Manchester United (casa), Roma (fora), Galatasaray (casa), Shakhtar (fora, em Stamford Bridge), LASK (casa) e Lens (fora).


É um sorteio exigente. Mas não é um sorteio impossível.


O Barcelona, em Alvalade, será naturalmente um dos grandes jogos da época. Uma equipa de dimensão mundial, com jogadores capazes de decidir uma partida num instante. Mas é precisamente para estes jogos que se joga uma Champions. Em casa, com Alvalade cheio, o Sporting tem de acreditar que pode discutir o resultado.


O Manchester City, fora, será provavelmente o maior teste. Uma das melhores equipas da Europa, habituada a dominar e a jogar estes encontros com enorme naturalidade. Será preciso um Sporting muito concentrado, muito competitivo e muito eficaz. Não podemos ir a Manchester para cumprir calendário.


O Manchester United, em casa, é outro daqueles jogos que Alvalade vai querer viver. Um gigante europeu, independentemente do momento que atravessa, e uma equipa com qualidade suficiente para castigar qualquer desconcentração. Mas, em nossa casa, temos obrigação de jogar para ganhar.


A Roma, fora, representa outro nível de dificuldade. Uma equipa italiana, experiente, competitiva e habituada a estes palcos. Será um jogo de inteligência, de paciência e de capacidade para sofrer. Um daqueles jogos em que não basta jogar bonito: é preciso saber competir.


O Galatasaray, em casa, será jogo para o Sporting assumir a responsabilidade de conquistar os três pontos.


O Shakhtar, fora, em Stamford Bridge, terá uma particularidade evidente. Será uma deslocação diferente, num palco histórico do futebol europeu, mas sem o ambiente habitual de uma partida disputada no país do clube ucraniano. É um jogo que o Sporting deve encarar com ambição e com a noção de que pode ser decisivo para a classificação.


O LASK, em casa, é, à partida, um dos jogos onde o Sporting tem mais obrigação de vencer e de vingar a derrota por 4-1 de 2020/2021. Será um jogo em que um grande clube, tão grande como os maiores da Europa, terá de assumir as suas responsabilidades.


O Lens, fora, fecha este conjunto de oito adversários. Uma equipa competitiva que venceu a Taça de França, intensa e difícil de defrontar no seu estádio. Mais uma vez, será necessário um Sporting preparado para competir e não apenas para jogar.


E aqui chegamos ao ponto essencial.


O Sporting precisa de mais.


Depois dos jogos que vimos contra o Estrela da Amadora, Vitória de Guimarães e Alverca, não me parece que o Sporting tenha encantado.


O Sporting venceu, com a exceção do jogo na Amadora, mas nunca convenceu.


E numa época desta dimensão, em todas estas frentes, tal deve servir de alerta.


Uma equipa que quer ser campeã nacional e fazer uma Champions com ambição não pode depender exclusivamente dos onze jogadores que começam os jogos.


A época vai ser longa. Muito longa, tal como se viu na temporada passada.


Haverá lesões. Castigos. Cansaço. Viagens. Jogos a meio da semana. Quebras de forma. Haverá momentos em que será necessário mudar um jogo a partir do banco.


E foi precisamente aqui que, na minha opinião, a performance do Sporting ficou curta na época passada.


Faltaram soluções.


Não se pode voltar a cometer o mesmo erro.


Por isso, há quatro posições onde considero que o Sporting deve ser particularmente ambicioso.


Primeiro, um guarda-redes para disputar seriamente a titularidade com Rui Silva.


Precisamos de segurança. Experiência. Personalidade.


Precisamos de um guarda-redes que dê confiança à defesa e à equipa.


A ambição começa na baliza.


Depois, precisamos de um lateral-direito de valor inegável que acrescente qualidade e profundidade ao plantel.


Precisamos ainda de um extremo criativo, desequilibrador, serpenteador, daqueles jogadores capazes de entrar aos 60 minutos e obrigar o adversário a mudar a forma como defende. Um jogador que consiga criar uma oportunidade onde antes não existia.


E precisamos de um avançado.


Não necessariamente para tirar o lugar a quem já está. Mas porque uma época desta dimensão exige alternativas. Exige capacidade para rodar. Exige capacidade para responder a lesões e ao desgaste.


E resta ainda algo que já está dentro de casa: Pote.


Pedro Gonçalves, no auge dos seus 28 anos, pode dar ao Sporting aquilo que neste momento é particularmente importante: variância e soluções.


A qualidade está lá. O talento está lá. A capacidade de marcar, assistir e decidir também.


A sua reintegração acrescentará criatividade, imprevisibilidade e golos. E, sobretudo, permitirá ao treinador ter mais uma opção de enorme qualidade para diferentes momentos da época.


É disso que precisamos.


De soluções.


Porque um banco forte não serve apenas para substituir jogadores.


Serve para ganhar jogos.


É muito diferente entrar num minuto 65 com um jogador que apenas permite defender e manter o nível da equipa, ou entrar com alguém que pode efetivamente mudar o jogo.


Quatro reforços cirúrgicos, de qualidade comprovada, podem fazer uma diferença enorme.


Juntando a isso a recuperação e reintegração de Pote e teremos uma equipa muito mais preparada para aquilo que aí vem.


Porque, olhando para este sorteio, não há razão para ter medo.


Há razões para ter ambição.


Com um plantel mais profundo, com as contratações certas e com Pote de volta, acredito que é possível.


É possível fazer uma boa Champions.


É possível lutar até ao fim pelo campeonato.


Mas é preciso perceber uma coisa:


Não basta ter um bom onze. É preciso ter uma grande equipa.


E uma grande equipa também se constrói no banco.


P.S: Sobre João Palhinha, parece-me que o Sporting fez bem em não abdicar da sua estratégia.


Palhinha é um excelente jogador. Seria, naturalmente, uma mais-valia para o Sporting. Mas uma coisa é reconhecer a sua qualidade, outra é aceitar qualquer preço para o contratar.


Se para trazer Palhinha fosse necessário fazer dele o jogador mais caro do plantel, pagando-lhe ainda mais do que ao capitão Maxi Araújo, estaríamos a criar um problema quando procurávamos uma solução.


Um balneário também se gere com equilíbrio, justiça e coerência.


Não podemos destruir uma estrutura salarial construída ao longo de anos por causa de um jogador, por muito bom que ele seja.


O Sporting fez bem em não abdicar da sua estratégia.


Ter os melhores, sim. Mas não a qualquer preço.

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