André Carreira de Figueiredo

04 Out 2026 | 14:43

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André Carreira de Figueiredo

O AZAR COMO MÉTODO

Um clube que se diz feito para ganhar não pode contentar-se com um treinador que consegue explicar tão bem porque não ganhou


Em maio, ao renovar até 2028, Micael Sequeira admitiu que seria "perfeitamente normal" o Sporting não o manter, já que em duas épocas não ganhara nada. É a frase mais lúcida que o futebol feminino leonino ouviu desde que ele chegou. O clube decidiu não a ouvir.


Pergunta-se se Sequeira está a fracassar. A pergunta só faz sentido face a um padrão, e o padrão foi ele quem o fixou, ao declarar inegociável o título de campeão. Entretanto, o Sporting acabou o campeonato a treze pontos do Benfica, perdeu nos penáltis com o Valadares Gaia na Taça da Liga e, na Luz, em plena festa do hexacampeonato encarnado, rematou três vezes contra dezasseis.


Este verão ficou fora da Champions às mãos do St. Pölten, outra vez nos penáltis, sem marcar nos noventa minutos. Esta semana, o Brøndby tirou-lhe a Taça Europa. Pelo seu próprio padrão, está a fracassar. Com boas maneiras e grande regularidade, mas a fracassar.

Dir-se-á que o Benfica foi invicto, que o plantel muda todos os verões e que há miúdas de dezanove anos a estrear-se na Liga, como o próprio treinador sublinhou. Dir-se-á ainda que contra adversárias menores a equipa tem pernas, como se viu no 5 a 0 ao Odesa em agosto. Tudo verdade e nada disto explica o que mais me intriga, que é a gramática da derrota. Depois da final da Taça da Liga de 2025, o Benfica "teve muita felicidade". Depois de um empate no dérbi, ficou o "sentimento de injustiça".

Depois do Brøndby, o futebol foi "ingrato e injusto". A sorte mora sempre noutra casa. Quando o azar chega sempre pelo mesmo lado, deixa de ser azar e passa a ser informação.

Mas o fracasso mais interessante é o do clube, que usa o vocabulário de campeão e pratica a paciência de uma escola. A direcção, segundo se noticia, concede-lhe tempo porque o plantel voltou a mudar. Renovar um treinador sem títulos pode ser sensato, desde que se diga o que dele se espera e até quando. Paciência sem prazo não é estratégia. É uma maneira educada de adiar a decisão.

Um clube que se diz feito para ganhar não pode contentar-se com um treinador que explica tão bem porque não ganhou.

André Carreira de Figueiredo.

Sócio n.º 26.518-0 Scouting do Sporting Clube de Portugal (2006-2010).

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André Carreira de Figueiredo
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Um clube que se diz feito para ganhar não pode contentar-se com um treinador que consegue explicar tão bem porque não ganhou

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André Carreira de Figueiredo
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Um clube que se diz feito para ganhar não pode contentar-se com um treinador que consegue explicar tão bem porque não ganhou

04 Out 2026 | 14:43

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