VITÓRIAS QUE ILUDEM OS TOLOS?
Há vitórias que não podem passar de erros de arredondamento quando é feita a contabilidade ao longo de uma época desportiva
31 Out 2026 | 15:27
Há vitórias que não podem passar de erros de arredondamento quando é feita a contabilidade ao longo de uma época desportiva
O 3-2 ao Torreense, a 18 de Outubro, foi uma delas. O Sporting rematou 7 vezes contra 13, atirou 5 à baliza contra 8, teve 2 cantos contra 8, e ganhou. Seis dias depois, na Luz, a ordem natural das coisas foi reposta. Treze remates à baliza para o Benfica, quatro para o Sporting. Oitenta ataques perigosos contra trinta. Resultado, 4-1.
Micael Sequeira achou "excessivo" e "ingrato" o 3-1 do intervalo. Ingrato, se alguém o foi, foi o futebol com o Torreense, que saiu de Alcochete de mãos vazias depois de treze remates. Quem se queixa do acaso a perder deve ter a elegância de lhe agradecer a ganhar.
A anomalia não mora só no jogo, mora no calendário. Nos quatro encontros anteriores com o Torreense, todos com Sequeira no banco, o Sporting somou um empate e três derrotas, com 4 golos marcados e 8 sofridos.
Três golos nasceram de bolas paradas, dois deles de lançamentos laterais, e o treinador garantiu que o assunto fora trabalhado durante a semana. Trabalhar um problema não é o mesmo que resolvê-lo. Entre as seis primeiras da Liga, o Sporting é quem mais golos sofreu, seis em cinco jornadas, contra um do Benfica.
O treinador lembrou que o Sporting foi a única equipa a vencer o Benfica na Liga nestes seis anos. É verdade, e a última dessas vitórias foi a 14 de Abril de 2024, seis meses antes de Sequeira "cair" em Alcochete. Desde que Sequeira chegou, seis jogos oficiais com o Benfica rendem dois empates, quatro derrotas, 7 golos marcados e 14 sofridos.
Em Setembro, Bárbara Paulino, coordenadora geral do futebol feminino, afirmou que nas competições nacionais “somos candidatos a ganhar tudo”. Apenas quatro vitórias em nove jogos oficiais, três delas na Liga, todas em Alcochete, e fora de casa um empate e uma derrota. Quem se candidata a tudo acaba por ter de ganhar, de vez em quando, em casa alheia.
Em Maio, o clube renovou o treinador até 2028, sem um único título e depois de duas épocas a ver o Benfica fugir, a 8 pontos na primeira, a 13 na segunda, a maior distância entre as duas equipas em seis épocas na mesma divisão. Reconhece-se ao treinador o direito de aprender. Ao adepto reserva-se o dever de esperar. Um contrato prolongado em Maio diz muito da paciência de quem decide, e pouco da exigência de quem proclama ambições em Setembro.
Que o Sporting dê razão à crítica da melhor maneira possível, que é futuramente deixar de a merecer.
André Carreira de Figueiredo.
Sócio n.º 26.518-0
Scouting do Sporting Clube de Portugal (2006-2010).
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