“AS PESSOAS PASSAM E A GRANDEZA DO SPORTING CP É INCALCULÁVEL”
José Pedro Monteiro foi recentemente afastado da equipa de voleibol do Sporting CP. Com um final abrupto, o distribuidor português esclareceu porque saía triste de Alvalade. Um exclusivo Leonino
Maria Pinto Jorge e Duarte Pereira da Silva
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3 de Junho 2020, 15:53
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Leonino (L): Representaste o Sporting CP mais de 100 vezes e, na temporada de regresso do voleibol, sagraste-te campeão nacional. Qual o balanço que fazes destes três anos de leão rampante ao peito?

José Pedro Monteiro (JPM): Quanto àquilo que é a Instituição, passei três anos fantásticos da minha vida. Passei grandes tempos de Sporting CP, sou Sporting CP, continuo a ser Sporting CP e para sempre continuarei a sê-lo. Antes demais, frisar isso, porque é muito importante. Saio algo amargo, não digo que não, mas o que importa aqui frisar é a Instituição, que essa verdadeiramente merece respeito. Passei três anos espetaculares, sem ter nada a apontar. Infelizmente, este último ano ocorreu isto, não é uma coisa que estivesse à espera, de todo, até porque a minha vida mudou um pouco, tive o meu filho, e não esperava esta surpresa do Sporting CP. Uma surpresa amarga. O que fica verdadeiramente é aquilo que é a Instituição Sporting CP, a grandeza do Clube. Não gostei da forma como fui tratado, mas realmente as pessoas passam e a grandeza do Sporting CP é incalculável.

L: Recentemente, disseste que saias “triste com algumas pessoas”. Quem são essas pessoas? Queres explicar o porquê?

JPM: Não vou clarificar qualquer tipo de nome. Referi, mais uma vez, que o Sporting CP deveria valorizar o tipo de tratamento com aqueles que são Sportinguistas, que lutaram pela camisola do Sporting CP e que todos os dias davam o melhor pelo Sporting CP. Ser Sportinguista não é apenas dizê-lo, é prová-lo dentro de campo, nas atitudes, dar exemplos dentro do balneário, tudo isso. Aí falo, não da Instituição, mas da parte que vivi, a falta de agradecimento que as pessoas têm para com os atletas. Não pedi para me levarem ao colo, porque não quero nada disso, como atleta sei como é o desporto. Quem me mandou embora, quem decidiu isso, foram três anos, também marquei um bocadinho daquela que é a história do Sporting CP a nível do voleibol, e fico chateado por nem um obrigado. Isso aí ê bom algo que já parte um pouco da educação, como se costuma dizer. Sigo o meu caminho e desejo as melhores felicidades ao Clube. Quero, sempre, frisar que sou Sporting CP, nasci Sporting CP e continuarei a ser Sporting CP.

L: Nessa mesma ocasião, referiste que, este ano, o “voleibol não era muito bem visto” em Alvalade e que “deveria ter alguém mais competente a dirigir a secção”. Podemos saber a quem te estavas em dirigir? E mais bem dirigido em que sentido?

JPM: Falei disso até numa forma de tratamento dos atletas. O estar mais presente, ter mais gente nos treinos, a acompanhar, porque na vida desportiva temos de saber exigir, mas também temos de estar presentes. Não é só a exigência. Quem gere tem de saber gerir, saber mandar, ouvir, perguntar, e tudo isto faz parte daquilo que deve ser o normal do dia a dia de alguém que está presente diariamente numa secção. Notava muito esse distanciamento entre a equipa e a direção, neste caso.

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