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01 Mar 2020 | 11:04
Temos de desenvolver um conjunto de ações que sem as mesmas jamais iremos ter competitividade e receitas que nos levem para um patamar minimamente competitivo.
Com a eliminação de todas as equipas portuguesas das competições europeias, voltámos a ter um momento de lucidez, onde os mais diversos agentes que gerem o futebol direta ou indiretamente, questionaram a qualidade cada vez menor que se vive o nosso desporto rei.
Infelizmente este assunto irá durar uns dias e voltaremos ao mesmo.
Em Portugal tudo o que rodeia este desporto maravilhoso, está completamente destruído e sem solução. Importa perceber que o mais importante é gerar receitas e dignificar este desporto, sem pensar se é para o clube A ou B. Urge reunir todos os agentes e o governo deve ter essa iniciativa. Tudo tem de ser revisto e os clubes devem vestir a camisola não do seu clube, mas sim da valorização desta indústria.
Em concreto temos de desenvolver um conjunto de ações que sem as mesmas jamais iremos ter competitividade e receitas que nos levem para um patamar minimamente competitivo face aos grandes países como Inglaterra, Espanha, Alemanha ou Itália.
Para que seja possível ter os estádios cheios, e com alegria e sem desconfianças e guerras de palavras onde tudo é permito para que o seu clube vença a qualquer custo, temos de criar condições que certamente irão, mesmo assim, demorar anos a que tal situação possa eventualmente um dia vir a existir.
Mas sou daqueles que pensa que mais vale tarde do que nunca. O governo tem de criar condições e soluções para que os clubes possam efetuar esta transformação que se pretende. Desde assumir uma posição clara sobre as claques, sobre a segurança nos eventos desportivos, sobre os preços dos bilhetes (IVA), e até inclusive criar incentivos aos clubes que cumpram um conjunto de iniciativas relacionados com o estatuto que auferem de interesse de utilidade pública. Existem diversas áreas que compete ao governo criar essas condições para os mesmos proporcionem resultados reais e de rentabilidade para todos.
Se repararmos todos os agentes principais estão ligados ao futebol exercendo na sua maioria funções de gestão e estratégia, fato que no mínimo deixa muitas dúvidas sobre a sua capacidade para essas funções. Não quero dizer com isto que não existam pessoas com capacidade para o fazer, mas é no mínimo estranho não existir uma parte dessas pessoas provenientes de outros sectores de atividade. Isto demonstra o lobby existente e os tachos encomendados para que todos possam servir-se e não servi o futebol e a indústria no seu todo.
Tudo o que se fala de futebol hoje em dia em Portugal é para dizer mal e realçar o que o clube A fez ou o que o clube B não fez. São as claques, são os e-mails, são os vouchers, são tudo aquilo que é mau. Por isso temos direitos televisivos tão baixos (ainda gerimos o negócio cada um por si tipo pré-historia, pois a minha galinha é melhor que a tua), temos os piores estádios da Europa, sem condições, e acima de tudo vazios, temos insegurança, temos preços altíssimos, temos os patrocinadores desconfiados e sem retorno do investimento. Nem mil linhas chegariam para mencionar tudo o que está mal. Mas infelizmente, dentro de dias voltaremos a fingir que tudo está ótimo e que nada se passa.
Deixo uma última nota sobre os treinadores que atualmente comandam as quatro principais equipas portuguesas. O primeiro pormenor é que são todos portugueses. O segundo é que são todos jovens. O terceiro ponto é que nenhum tem já um curriculum invejável e uma experiência inatacável. E é aqui que coloco a pergunta. Esta situação deve-se à competência e perspicácia dos presidentes em colocar à frente das suas equipas de futebol os melhores treinadores do mundo, ou é apenas o que nos é possível pagar e ter a gerir os referidos clubes? Certamente é mais uma demonstração do estado em que está o nosso futebol. Não acredito, e falo sobretudo dos três grandes de Portugal, que se tivessem condições financeiras teriam o Silas, o Lage e o Conceição à frente dos seus clubes. Mas é como vos digo. Continuem a fingir que nada se passa e escrevam que o Silas pode vir a ser bom treinador mas tem é falta de jogadores, que o Lage não tem experiência mas a estrutura do Benfica trata do resto e que o Conceição irá a seu tempo moderar o seu ímpeto e ficará um treinador de eleição. Até pode ser que alguns destes se tornem grandes treinadores, mas seguramente temos o que podemos e não o que queremos. Enfim, amanhã arranjamos uma desculpa qualquer para defender o indefensável e todos (uns menos outros mais) aceitarão resignados que nada podemos fazer.... triste este mundo do futebol.
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