UM PAÍS, DOIS SISTEMAS
Concordará, portanto, que deve, o Presidente da República, respeitar por igual todos os seus concidadãos, assim como todas as Associações e Clubes desportivos
Redação Leonino
Texto
7 de Junho 2020, 10:31

“Por isso, a Lei Fundamental continua a ser o nosso denominador comum. Todos, nalgum instante, contribuíram para, ao menos, uma parte do seu conteúdo. Defendê-la, cumpri-la e fazê-la cumprir é dever do Presidente da República”.

“Um Presidente que não é nem a favor nem contra ninguém. Assim será politicamente, do princípio ao fim do seu mandato”.

“O Presidente da República é o Presidente de todos.”

As frases acima pertencem a Marcelo Rebelo de Sousa, aquando da sua tomada de posse, a 9 de Março de 2016 (1). Concordará, portanto, que deve, o presidente da República, respeitar por igual todos os seus concidadãos, assim como todas as Associações e Clubes desportivos.

“Senti-me vexado pela imagem projetada por Portugal no mundo”.

“Portugal é uma potência no desporto, nomeadamente no futebol. Sinto-me vexado pela gravidade do que aconteceu. As reações que tive de fora foram nesse sentido”.

“O que aconteceu foi uma situação grave, que não podemos normalizar ou banalizar sob pena de permitirmos escaladas más para o desporto e para a sociedade portuguesa”.

“Não pode haver dois ‘Portugais’ – um Portugal que é estado de Direito Democrático e o outro que vive à margem deste Estado de Direito” (2).

Tais afirmações pertencem ao Presidente da República, no dia a seguir ao ataque à academia de Alcochete, tendo mesmo dúvidas quanto a sentar-se ao lado do Presidente da instituição Sporting Clube de Portugal, eleito democraticamente pelos sócios Sportinguistas, não fosse este portador de um vírus transmissível que provocasse comportamentos terroristas ao infetado (3). O Presidente da República, considerava então, previamente a qualquer investigação, processo penal ou condenação, que Bruno de Carvalho era o autor moral do ataque perpetrado no dia anterior. Qual Luís XIV, Marcelo Rebelo de Sousa considerava ser ele próprio a lei, podendo julgar sem provas, sem defesa, sem justiça, um cidadão português.

Enquanto na imprensa nacional e internacional se destaca o clima de terror que se vive na sequência do ataque ao autocarro da equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica, o Presidente não só não se sente vexado, como, pela ausência de reação, optou então por normalizar ou banalizar o que se passou, permitindo então, nas suas próprias palavras, “escaladas más para o desporto e para a sociedade portuguesa.” Sem julgamentos prévios, tolerando a violência, e enquanto a imagem de Portugal projetada no exterior é desprestigiada, entende o Presidente da República que a reação adequada é uma ida à praia, na vila da Ericeira, optando por dar um mergulho num imenso oceano de hipocrisia (4).

1 – http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=103410

2 – https://www.dn.pt/portugal/sinto-me-vexado-pela-gravidade-do-que-aconteceu-9346069.html

3 – https://www.dn.pt/desporto/sporting/marcelo-tem-duvidas-em-sentar-se-ao-lado-de-bruno-de-carvalho-9347649.html

4 – https://www.lusa.pt/foto?from=%2Ffotos%3Fimageid%3DyQta9B8w08A389kPl7MdBzMSZM5iuSI1&imageid=yQta9B8w08BNggbe6RmguTMSZM5iuSI1

Artigo de opinião assinado por Marcelo Alcântara, Sócio n.º 33.197 e Acionista da Sporting SAD

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