Cátia Azevedo quebrou o silêncio e falou sobre os motivos que levaram à sua saída do Sporting. A velocista de 32 anos revelou ter ficado desiludida com as condições que lhe foram apresentadas para continuar em Alvalade, numa altura em que regressava aos treinos depois de ter sido mãe. Segundo a atleta, a proposta começou por contemplar uma redução salarial e acabou por passar para apenas um ano de contrato.
“Desiludida... Não iria sair de um clube ao fim de 18 anos se as condições que me propuseram tivessem sido as mesmas... À partida teria mais dois anos de contrato, mas foi-me proposto uma redução, inicialmente do valor e posteriormente da duração do contrato, para apenas um ano”, explicou. Cátia Azevedo considera que a maternidade não poderia justificar uma alteração das condições e recordou o seu percurso no Clube: “Eu acho que isso não é critério, era uma redução. Para mim, se fosse um cêntimo, já era mau, porque não há justificação para tal, quando durante 16 anos nunca tive nenhuma lesão, fui a todos os Nacionais de Clubes, fui atleta principal, tenho três Jogos Olímpicos, sou a recordista nacional. Um dos argumentos que me apresentaram foi o facto de ter sido mãe e ser um tiro no escuro neste momento e, possivelmente, não iria ser a melhor nacional, portanto...”, disse ao jornal 'Record'.
C. Azevedo: “Não foi o Sporting, foi o Paulo Reis. Que não podia dar-me mais do que um ano, porque eu era um tiro no escuro..."
A atleta fez questão de identificar Paulo Reis, coordenador do atletismo do Sporting, como o responsável pela decisão sobre as condições apresentadas: “Não foi o Sporting, foi o Paulo Reis. Que não podia dar-me mais do que um ano, porque eu era um tiro no escuro... Eu mudei de treinador e estou a recuperar de um pós-parto e precisava de estabilidade para este ano e não estar com mais medo ainda de não renovar o meu contrato. E ele disse-me que eram as condições que havia para eu continuar...”.
Cátia Azevedo explicou ainda que a saída não aconteceu por vontade própria, mas porque não aceitou aquilo que considerava ser uma situação injusta: “Não é uma questão de preferir, é uma questão, se calhar... do mundo do desporto. Não digo o mundo homem, porque há muitas mulheres que também têm a mesma opinião, mas a educação que eu quero e que sempre tive foi que, quando não é justo, eu não engulo. Eu, em 2024, fui reduzida, bem reduzida, e aceitei. O meu marido é atleta do clube, foi pai, e não é reduzido, por exemplo, e está tudo bem, porquê que eu tenho que ser penalizada?. Duas semanas após sair de um parto, já estava a treinar. Portanto, é surreal uma mulher ser posta a estas sobrecargas e a estes comentários. Sim, eu saí porque não é sequer justo, é um direito. E fui muito menosprezada só pondo a questão de uma redução, porque eu não fiz nada. Eu apenas fui mãe”.
Além do mais, garante, ainda assim, que a saída do Sporting não coloca um ponto final na carreira: “Tenho um contrato assinado até 2028 com a Adidas e, como sempre disse, como sempre expressei ao Sporting, tenho um objetivo. Por isso é que me sujeitei a alterar algumas coisas na minha vida, por exemplo, a amamentação e, entre outras coisas, Uma mãe tem que prescindir nesta fase em que nós precisamos estar o mais calmas possíveis. Duas semanas depois de ter sido mãe já estava a treinar, em prol do meu sonho de ir aos Jogos Olímpicos. Portanto, o atletismo não termina aqui para mim. Tenho os meus objetivos, mas agora com mais sacrifícios. Continuarei como atleta individual”.