PALHINHA: DO GUIÃO ERRADO A PROTAGONISTA DO JOGO
Rejeitado no Seixal, disse que não a Salvador para rumar a Alvalade. Eis o percurso do patrão do meio campo leonino
Tiago Jesus
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28 de Fevereiro 2021, 18:27
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Chegou tarde a Alvalade, mas depressa encantou quem o viu. João Palhinha, ainda antes de atingir a maioridade, pisou pela primeira vez os relvados de Alcochete, sendo que desde esse momento nunca mais perdeu a sua ligação (emocional e contratual) ao emblema leonino, conquistando, assim, um lugar no coração dos sportinguistas.

Desde cedo que o rapaz nascido em Lisboa mostrou querer ser jogador de futebol, estando agora a atravessar a melhor fase da sua carreira. Com altos e baixos ao longo dos anos, o médio dos leões mostra ser um dos símbolos da raça e do querer deste Sporting orientado por Rúben Amorim.

O início de um longo percurso

A sua carreira enquanto atleta de futebol começou na capital portuguesa, ao serviço do Alta de Lisboa, com apenas 14 anos. Do clube da Charneca do Lumiar seguiu para Sacavém, ainda na mesma temporada, para representar o Sacavenense, onde ficaria até alcançar os juniores.

Após quatro anos a representar a turma de Sacavém, o médio defensivo ambicionava alcançar palcos maiores. Foi a 1 de setembro de 2012 que a vida de João Palhinha mudou totalmente, abrindo portas para patamares mais altos, sendo disputado pelos maiores clubes de Portugal.

Nesse dia o Sporting foi a Sacavém ganhar por 2-1, em jogo da quarta jornada do Campeonato Nacional de Juniores, sendo os golos leoninos apontados por Ricardo Tavares e Carlos Mané. Apesar da derrota, o médio foi um dos atletas em destaque, levando a que fosse abordado diretamente pelo técnico adversário, na altura Abel Ferreira.

No término do encontro, Abel Ferreira colocou a mão por cima do ombro de Palhinha, falando com o jovem médio, desde os bancos até aos balneários. Mais tarde veio-se a saber que o técnico leonino questionou o jogador sobre um eventual interesse em rumar a Alcochete, sendo esse o primeiro passo para a transferência.

Os leões não eram os únicos atentos às exibições do atleta lisboeta, sendo que Palhinha até já havia treinado no Benfica, às ordens de Bruno Lage, mas o seu desempenho não agradou as águias. A ida do médio para Alcochete complicou-se ainda mais com a entrada do SC Braga nas negociações.

Nega a António Salvador para rumar a Alcochete

João Palhinha chegou a estar reunido com o presidente António Salvador, acompanhado pelos pais, num hotel da cidade dos arcebispos, onde teve um contrato nas mãos. Apesar destes percalços, a saída do jogador de Sacavém foi para rumar a Alcochete, após conversar com os pais, que sempre acompanharam de perto o percurso do português.

Apesar da grande vontade dos leões em contar com o atleta, João Palhinha demorou para se impor ao mais alto nível pelos verdes e brancos. A sua primeira experiência na Liga NOS aconteceu aos 20 anos, ao serviço do Moreirense, sendo orientado por Miguel Leal.

Nesse primeiro ano, emprestado pelo Sporting, o jovem médio defensivo realizou 29 partidas. Ao serviço da turma de Moreira de Cónegos, o atleta foi titular por 26 ocasiões, conseguindo impor-se como uma das peças fundamentais do técnico do conjunto de Guimarães.

Embora tenha conseguido alcançar bons números ao serviço dos cónegos, não foi suficiente para garantir um lugar no plantel leonino, aquando do final do empréstimo. Na temporada seguinte acabou por rumar ao Belenenses, novamente por empréstimo dos leões.

Ao serviço dos azuis do Restelo realizou 18 jogos, sendo que apenas não realizou os noventa minutos da partida por duas ocasiões. O seu bom desempenho levou a que a turma de Alvalade, orientado por Jorge Jesus, fizesse o atleta retornar a casa em janeiro. Durante a restante temporada realizou apenas onze jogos, sendo titular quatro vezes.

O momento de se impor no futebol português

Na época seguinte, 2017/2018, permaneceu ao serviço do emblema leonino, mas as oportunidades que dispôs para mostrar as suas qualidades foram poucas. Ao longo dessa temporada apenas se apresentou com a listada verde e branca por sete ocasiões, estreando-se inclusive a marcar pelos leões, com um bis frente ao Oleiros, para a Taça de Portugal.

O verdadeiro crescimento no futebol português aconteceu nas duas épocas seguintes, quando teve emprestado ao SC Braga. Enquanto este ao serviço dos guerreiros do Minho, o médio realizou 76 partidas, sendo o autor de seis golos dos bracarenses, conquistando inclusive uma Taça da Liga, sob o comando de Rúben Amorim.

Esta época regressou a Alvalade, onde reencontrou o técnico português, que já o havia treinado em Braga. Apesar de ter atravessado um mercado de transferências atribulado, o médio, de 25 anos, acabou por ficar nos leões, sendo atualmente peça fundamental no conjunto leonino.

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