NUNO SOUSA: "ESTA DIREÇÃO É PARTE DO PROBLEMA"
Em entrevista ao jornal ‘O Jogo’, candidato à presidência do Sporting deixa duras críticas a Varandas e apresenta as principais bandeiras do seu projeto para o Clube de Alvalade
Duarte Pereira da Silva
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15 de Janeiro 2022, 14:13
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Nuno Sousa considera que a Direção de Frederico Varandas “deixou de ser parte da solução e é parte do problema”. Em entrevista ao jornal ‘O Jogo’, o candidato à presidência do Sporting deixa duras críticas a Varandas e apresenta as principais bandeiras do seu projeto para o Clube de Alvalade, nomeadamente a recompra dos VMOC.

“Há problemas graves destes órgãos sociais com os Sócios, há desigualdades evidentes de tratamento”

  • “Há problemas graves destes órgãos sociais com os Sócios, há desigualdades evidentes de tratamento. O mote do atual Presidente era unir o Sporting. Pergunto-me se os Sportinguistas estão unidos e, estando, se o devem ao Presidente. O Presidente disse que iria evitar a chacota no Clube, mas teve mulheres, idosos e crianças descalços num chão de cimento para entrar no estádio. Isto não é pacificar coisa nenhuma. Não sou contra as medidas de segurança, mas sim contra a discriminação”.

“Esta Direção deixou de ser parte da solução e é parte do problema”

  • “Esta Direção deixou de ser parte da solução e é parte do problema. Queimou qualquer hipótese de diálogo. Impediu Sócios de entrar em Alvalade com o cachecol do Clube. Nem seria compreensível na Luz ou no Dragão, quanto mais em nossa casa. Tenho empatia por pessoas. Todos os grupos são da família leonina”.

“Nunca pode prejudicar por sermos campeões”

  • “Nunca pode prejudicar por sermos campeões. Seria errado acharmos que os Sócios do Sporting só conseguem avaliar a nossa proposta se a bola não tivesse entrado. Em 2019/20, o Sporting teve quatro treinadores. Passámos de uma das piores épocas da história ao título. Não me parece que tenha sido estratégico, não podemos ganhar por um ato de fé. Houve decisões sem sentido até Rúben Amorim ter encarreirado o Clube. Temos de lembrar as contratações disparatadas, a sucessão de treinadores…”.

“Rúben Amorim tem um trabalho à vista de todos. Não vimos é coerência no Presidente”

  • “O Rúben Amorim tem um trabalho à vista de todos. Até pode não ganhar o campeonato. É coerente com a tática, com os jogadores que procura. Não vimos é coerência no Presidente: o despedimento de José Peseiro, a premiação de Tiago Fernandes, que depois ganha, mas sai para vir o Keizer. Keizer fez uma época com resultados bons. No 5-0, com o Benfica, o Presidente diz que está tudo bem e despede-o 20 dias depois. Fica o interino Leonel Pontes demasiado tempo”.
  • “Não se arrasa tudo por mudar o Presidente. Rúben Amorim tem três anos de contrato, enquanto ele achar que pode contribuir, e que também é vantajoso para nós, é para continuar. Temos de ver a função o Hugo Viana, se se enquadra na estrutura. Se se encaixar, muito bem. Faremos o mínimo de alterações”.

VMOC: “Passaram oito anos e nada foi feito”

  • “Temos de resolver a reestruturação e recomprar os VMOC. Passaram oito anos e nada foi feito. Se nada for feito até dezembro de 2026, o Sporting perde a maioria do capital, o que é muito preocupante. Ficaria reduzido a 33% da SAD e o futebol seria um organismo autónomo, no qual alguém poderia decidir a seu belo prazer”.
  • “Os empréstimos obrigacionistas são normais num âmbito de investimento, ou seja, o Sporting deve ir buscar dinheiro fresco para recuperar os VMOC. Não o pode é utilizar para evitar problemas de tesouraria. O endividamento não pode pagar salários”.
  • “Numa segunda fase, pode pensar-se (vender parte do capital social da SAD), mas, até 2026, temos de recomprar os VMOC. Temos o objetivo de chegar a um capital social de 90%. Em momento algum serei favorável â perda da maioria da SAD e até acho que devia haver regulamentação governamental para que tal não fosse possível. Sou desfavorável ao facto de clubes trocarem de mãos como projetos pessoais de milionários”.

Bruno de Carvalho? “Há um mérito óbvio”

  • “Qualquer tentativa de colagem é errada. Quem critica a Direção tem logo um cognome. Temos de discutir ideias, fazer pontes. Quem me tenta colar à figura do ex-presidente tem receio de falar das ideias e o que quer é inquinar o debate. Agora, se a minha visão daquilo que deve ser um clube se aproxima de João Rocha, de Sousa Cintra, de Bruno de Carvalho? Sim, sem dúvida. A base é o adepto. Qual é a razão de os clubes existirem sem fãs, a pensarem só no negócio?”.
  • “Há um mérito óbvio de Bruno de Carvalho em construir o Pavilhão. Desde que João Rocha saiu que ninguém fez nada. Bruno de Carvalho apostou e viu que as modalidades fazem parte do ADN do Sporting”.
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