André de Serpa Soares
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12 Mar 2021 | 12:50

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André de Serpa Soares

O MISTER E O MONSTRO

O problema é o de sempre, é o “monstro” sem rosto que decidiu que, em Portugal, só há espaço para dois grandes e que nenhum desses dois pode ser o Sporting.

Na gíria futebolística, o técnico principal da equipa é normalmente tratado pelos jogadores e demais agentes como “o Mister”. Rúben Amorim é o nosso “Mister” e acaba de ser escolhido pelos seus pares, treinadores das equipas das competições profissionais, como “Treinador do Mês”.


Pelos seus pares. Os mesmo que, supõe-se, são sócios da ANTF e têm todos os níveis: I, II, III e IV. É, portanto, um dos maiores reconhecimentos que pode ter da classe profissional a que pertence. Mas, para o Monstro, o nosso Mister é apenas uma fraude. Assim o entendeu classificar uma nebulosa “comissão de instrutores” da Liga, cujo nível desconhecemos.

O que conhecemos é que a “fraude” conseguiu catapultar a equipa que está na liderança isolada do campeonato nacional, com 9 pontos de distância sobre o segundo classificado, que nem sequer é um dos tradicionais donos disto tudo, um dos que seguram a trela que comanda o Monstro.


A “fraude” segue invicta na Liga, à 22ª jornada, comandando a melhor defesa, o segundo melhor ataque e a equipa que, de longe, possui a melhor diferença entre golos marcados e golos sofridos.

A “fraude” já ganhou duas taças da Liga, uma ao serviço do seu anterior clube, outra ao serviço do Sporting (mais do que qualquer um dos dirigentes da ANTF). A “fraude” está a 10 vitórias de se pode sagrar Campeão nacional, num clube que não é campeão há 19 anos.


A “fraude” tem um discurso inteligente, prudente e de respeito por todos os seus colegas, adversários, árbitros, jornalistas e outros agentes do futebol.

A “fraude” cumpriu todas as regras, porque esteve inscrito como treinador adjunto, uma vez que não podia ser inscrito como treinador principal.

Como tantas outras dezenas de treinadores principais já fizeram, sem que a “comissão de instrutores” tivesse tomado qualquer acção, tanto quanto se sabe. Espantoso é ver a instrutora deste processo escrever que o que lhe chamou a atenção para a “fraude” foi o facto de “constatar” que Rúben Amorim ganhava mais que os outros elementos da equipa técnica.

A senhora instrutora não lê jornais. A senhora instrutora aproveitou a chegada do Perserverance a Marte para, por uma qualquer arte, abandonar ela o “planeta vermelho” e aterrar de repente no planeta terra, para descobrir que Ruben Amorim é, de facto, o treinador principal do Sporting. Ela não sabia, coitadinha.

Mas reparem que o problema não é só esta instrutora, a comissão de instrutores completa, os conselhos de disciplina, de justiça, ou de arbitragem, a ANTF ou a APAF. O problema é o de sempre, é o “monstro” sem rosto que decidiu que, em Portugal, só há espaço para dois grandes, e que nenhum desses dois pode ser o Sporting.

Este monstro que domina tudo no futebol e muitos poderes para lá do futebol, incluindo o poder político, a comunicação social (a que se convencionou chamar o “4º poder”) e até, imagine-se, o poder judicial, através de maroscas, vigarices e teias de influências.

O monstro é camaleónico, muda de cor muitas vezes, mas nunca fica verde. Aliás, verde é a cor proibida. O monstro é alérgico ao verde e combate-o sem piedade, mas também sem princípios, sem ética, sem regras, sem sentido de justiça, sem proporcionalidade, sem respeito, sem vergonha.

Nós temos o míster. Eles têm o monstro.

Nós somos o Sporting Clube de Portugal e seremos sempre melhores e mais sérios, que eles.

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