Manuel Matos dos Santos
Biografiado Autor

19 Mar 2026 | 16:22

Icon Comentário 0
Manuel Matos dos Santos

O "provinciano" de dimensão internacional

Rui Borges tem toda a legitimidade, todo o crédito e toda a autoridade para continuar a ser o senhor que se segue no Sporting


Vivemos numa era em que a vida se confunde, de forma perigosa e cada vez mais frequente, com o espetáculo mediático. O futebol não é exceção.


As conferências de imprensa transformaram-se em palcos de entretenimento, os treinadores em atores de um teatro ensaiado para alimentar o frenesim das redes sociais e dos espaços de comentário. Quem não tem o verbo inflamado, a pose de estrela de Hollywood ou a controvérsia na ponta da língua, corre o risco de ser catalogado como desinteressante.


É precisamente este o fardo injusto que Rui Borges carrega aos olhos de alguns. Mas o futebol, o jogado no relvado e não nas caixas de comentários, tem a teimosia de premiar a substância em detrimento da espuma.

Ao dia de hoje, é imperativo que se faça justiça: o trabalho de Rui Borges à frente do Sporting Clube de Portugal roça a excelência.

Para compreendermos a dimensão do que está a ser feito em Alvalade, vale a pena recuar ao momento em que Rui Borges assumiu o leme. Encontrou um Sporting numa fase de enorme fragilidade. A equipa vagueava perdida em campo, refém da orfandade provocada pela saída de Ruben Amorim, mergulhada num ciclo de resultados tenebroso e em queda livre, tanto na Liga dos Campeões, como no campeonato. A tempestade era perfeita.

O que fez Rui Borges? Não prometeu a lua, não fez declarações bombásticas. Trouxe um discurso positivo, revestido daquela humildade que só os muito competentes não têm medo de exibir. Trouxe algo mais raro: serenidade – e com isso, aproximou-se dos jogadores.

Logo na estreia, uma vitória frente ao eterno rival, que funcionou como um choque elétrico numa equipa à deriva. Com essa vitória e com a sua forma de ser, autêntica e sem filtros de cosmética, conquistou o balneário de forma irrevogável.

O que se seguiu foi uma prova de resiliência. A equipa foi fustigada por uma razia de lesões que faria qualquer outro técnico atirar a toalha ao chão ou refugiar-se em desculpas. Rui Borges, nunca perdendo o rumo dos acontecimentos, encontrou soluções onde elas pareciam não existir e, contra as expetativas dos profetas da desgraça, conquistou o bicampeonato e juntou-lhe a Taça de Portugal. Um bicampeonato histórico. Na semana seguinte, uma dobradinha histórica. O seu mérito não se traduz numa perspetiva, numa abstração poética. Traduziu-se na recuperação física e emocional. Em títulos. Em factos.

Chegados a esta temporada, sem Viktor Gyökeres, o tanque sueco que tantas vezes disfarçou problemas no passado, e com parcos reforços face às exigências do calendário, quantos foram aqueles que não vaticinaram um ano de transição ou de quebra?

O Sporting está vivo e na luta em todas as frentes: no Campeonato, na Taça de Portugal e, mais impressionante do que tudo quase chegados ao mês de abril, na Liga dos Campeões.

É aqui que a narrativa dos críticos colapsa definitivamente. Chamam-lhe "provinciano"? Acusam-no de falta de estatuto, de não ter glamour? Pois então olhem para o seu verdadeiro traço: a sua dimensão internacional.

O Sporting está a fazer uma caminhada histórica na Liga dos Campeões, figurando, por direito próprio, entre as oito melhores equipas da Europa. Há um encaixe financeiro tremendo para os cofres da SAD, e há sobretudo prestígio.

E não nos iludamos com a ideia de que isto é um mero acaso ou sorte. Para além do que tem feito no Sporting, com vitórias sobre equipas como o PSG, Marselha ou a sensação Bodo Glimt, Rui Borges já o havia feito ao leme do Vitória de Guimarães, na Liga Conferência.

Tem a leitura e a estaleca tática que as noites europeias exigem. Incute nos seus pupilos a crença e a perseverança emocional que só os melhores podem almejar. Tem dimensão internacional, sim.

Se no fim vai voltar a vencer títulos? Não sabemos. O futebol é profícuo em incerteza.

Mas o mais importante, a essência do que deve ser este clube, já foi alcançado: o Sporting, como clube grande que é, "tão grande como os maiores da Europa", está nas decisões, está a competir no limite das suas forças ao lado dos tubarões – internos e internacionais.

O que define verdadeiramente a dimensão de um treinador? O número de manchetes ou a qualidade do seu trabalho? A retórica ou os resultados?

Vença-se ou perca-se no fim desta época, o veredicto já está traçado. Rui Borges tem toda a legitimidade, todo o crédito e toda a autoridade para continuar a ser o senhor que se segue no Sporting.

Não sou eu que o digo. É o balneário, são os títulos, são os resultados e é, acima de tudo, o irrepreensível espírito competitivo que Rui Borges soube incutir num plantel que, perante as maiores dificuldades, se recusa a dar-se por vencido. É assim que queremos caminhar. Até ao fim.

+ opinião
Manuel Matos dos Santos
Manuel Matos dos Santos

07 Jan 2026 | 16:48

Icon Comentário0

O Rugido do Estádio de Alvalade

Corte com as claques foi um passo de maturidade institucional. Falta dar o passo seguinte: substituir o que era mau por algo melhor – não por nada

Manuel Matos dos Santos
Danilo Correia

09 Ago 2025 | 17:28

Icon Comentário0

Sporting: O incómodo está de volta

Futebol praticado pelos leões de Rui Borges foi alvo de críticas ferozes por parte de alguns adeptos, mas triunfo a abrir o Campeonato mostra foco no título

+ opinião
Manuel Matos dos Santos
Manuel Matos dos Santos

O "provinciano" de dimensão internacional

Rui Borges tem toda a legitimidade, todo o crédito e toda a autoridade para continuar a ser o senhor que se segue no Sporting

19 Mar 2026 | 16:22

Icon Comentário0
Manuel Matos dos Santos
Manuel Matos dos Santos

O Rugido do Estádio de Alvalade

Corte com as claques foi um passo de maturidade institucional. Falta dar o passo seguinte: substituir o que era mau por algo melhor – não por nada

07 Jan 2026 | 16:48

Icon Comentário0
Danilo Correia
Danilo Correia

Sporting: O incómodo está de volta

Futebol praticado pelos leões de Rui Borges foi alvo de críticas ferozes por parte de alguns adeptos, mas triunfo a abrir o Campeonato mostra foco no título

09 Ago 2025 | 17:28

Icon Comentário0

envelope SUBSCREVER NEWSLETTER