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11 Fev 2021 | 10:52
Como pode o futebol português dizer-se "limpo", quando as duas figuras maiores das duas instituições mais representativas do futebol são pessoas com ligação ao processo "Apito Dourado"?
Todos nós fomos testemunhas dos "dizeres" produzidos sobre o tema "Palhinha". Infelizmente, temos pessoas com responsabilidades na Liga e com formação jurídica que acham o recurso à legítima via judicial um "tenebroso" precedente.
Realmente, onde é que já se viu um qualquer cidadão (porque é João Palhinha que é o sujeito processual) recorrer aos tribunais (que são órgãos de soberania) para fazer valer quaisquer pretensões ou expectativas jurídicas que tenha? Aliás, os métodos mais apreciados, nos meandros do futebol português, passam por "emprestar quinhentinhos", dar conselhos matrimoniais, oferecer "fruta" ou vouchers a árbitros. E assim é que se estava bem.
Todos nos lembramos do facto de Bruno de Carvalho ter sido obrigado a prestar declarações presenciais, no âmbito do inquérito à oferta de vouchers a árbitros, tendo todos os árbitros envolvidos tido a faculdade de prestar declarações por escrito e de forma concertada. A mesma instrutora do processo de inquérito actuou desta forma, perante o denunciante e os acusados. E desenganem-se porque o denunciante foi o antigo Presidente do Sporting Clube de Portugal e os acusados eram os árbitros que teriam sido presenteados pelo Benfica com tais oferendas, apesar de todo o procedimento poder dar uma ideia contrária.
Vamos lá falar de um futebol português limpo. Vamos ponderar essa ideia utópica. Como pode o futebol português dizer-se "limpo", quando as duas figuras maiores das duas instituições mais representativas do futebol são pessoas com ligação ao processo "Apito Dourado"?
O presidente da FPF era administrador da SAD do FC Porto e "à mulher de César, não basta ser séria, também tem que parecer". Já o presidente da Liga, um antigo árbitro, exerceu essa função no auge do mesmo processo. Ora, o processo "Apito Dourado" versava sobre práticas de um amplo espectro de actuação. Não só se tentavam condicionar os árbitros de forma directa, através da tal "fruta para dormir", como se controlavam os observadores de árbitros, elementos essenciais para a avaliação de cada um deles.
Se é certo que nunca Pedro Proença foi mencionado nas escutas que foram tornadas públicas, assim como creio que nenhum árbitro da Associação de Futebol de Lisboa, tal facto pode fazer pressupor a existência de um contra-poder que visava proteger os árbitros dessa associação do esquema do "Apito Dourado".
Porém, 26 de Agosto de 2007 e 5 de Maio de 2012 são duas datas em que o Sporting jogou na cidade do Porto, tendo o árbitro sido Pedro Proença. O Sporting foi amplamente prejudicado em ambas partidas. Na primeira, o Sporting tinha aspirações a discutir o título, até porque o duelo com o FC Porto nesse período durava até ao final da competição. Nesse jogo, para além do famoso atraso que não era, ficou ainda por expulsar Ricardo Quaresma, assim como ficaram por admoestar outras entradas agressivas de jogadores do FC Porto, o que indicia toda a impunidade que lhes era dispensada, até pelo melhor árbitro português. No segundo jogo que menciono, o FC Porto era já campeão mas o Sporting ainda almejava poder classificar-se numa posição que desse acesso à Liga dos Campeões. Onyewu foi expulso por acumulação de amarelos, sem ter feito qualquer falta; Hulk empurrou pelas costas Pereirinha (falta grosseira e evidente que o árbitro deixou passar) e cruzou para dentro da área, tendo Polga cometido falta para penalty (aqui o árbitro ajuizou bem) e acabou por ser expulso (com a particularidade de se ter explicado a má decisão do árbitro, em expulsar o nosso atleta, com o facto de o mesmo ter aplicado os critérios de Campeonato do Mundo, competição onde iria participar, fazendo do Sporting a sua cobaia). Também nos recordamos que Pedro Proença era "persona non grata" para os lados da Luz.
Moral da história, Pedro Proença sabia a quem tinha que agradar e não era ao Sporting, de certeza absoluta. Mais uma vez, a máxima da mulher de César tem aplicação ao caso.
Voltando ao início da história, eu tenho que concordar que é, de facto, tenebroso que se misture o futebol com a justiça civil mas não é o futebol que sai prejudicado. É precisamente o contrário. O futebol é que pode conspurcar a honorabilidade dos magistrados portugueses. Veja-se que o Juiz que determinou a providência cautelar, no caso Palhinha, já foi dado como Sportinguista. Assim como, já aconteceu tal destempero aquando de um processo que envolveu o Benfica e o magistrado seria adepto do FC Porto. No futebol, como sabemos, é tudo gente séria; nos tribunais só há magistrados acometidos de clubite aguda.
Diz-se, também, que há uma guerra jurídica entre o Sporting e o Conselho de Disciplina. Nada de mais errado, em minha opinião. E porque é que acho que é errada essa ideia? Porque, a ser verdade, tal consubstancia uma quebra na regra da imparcialidade dos elementos do CD. Portanto, se houver uma motivação de enfrentar o Sporting, esses elementos, por não serem imparciais, não podem ocupar o cargo que ocupam. E lá voltamos à mulher de César.
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