DELEGADO DA LIGA CONVIDOU PARA IREM GASTAR A “PRENDA” DO BENFICA
Quando instituições desportivas começaram a investigar, APAF garantiu resposta coerente a todos os árbitros. Mas Ministério Público não está pelos ajustes. Exclusivo Leonino
Redação Leonino
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7 de Março 2020, 18:30

“Era tudo à grande”. No Museu da Cerveja “era tudo à grande”. As palavras são de um dos comensais que um delegado da Liga da região centro convidou para irem “gastar a prenda”, também palavras dele, ofertada pelo SL Benfica. A prenda eram os quatro vouchers que cada delegado da Liga recebia por jogo no Estádio da Luz ou no Seixal, nos jogos da equipa principal e equipa B, respetivamente.

Se muitos dos árbitros estavam condicionados em utilizar as ofertas que, sabe-se agora, passavam os limites permitidos por lei (LER AQUI), por serem conhecidos do grande público e porque eticamente não se sentiam confortáveis, outros profissionais não tinham essa restrição, pelo menos de serem figuras mediáticas.

Havia convidados que ao utilizar os vouchers, para lá do jantar bem guarnecido e bebido ainda levavam comida para casa, em especial os pastéis de bacalhau com recheio de queijo da serra. As caixas para a viagem ficavam na conta do SL Benfica.

Durante anos, o nosso rival ofereceu 28 jantares por jogo, sem qualquer restrição, através do kit Eusébio. Os vouchers não tinham qualquer restrição. Amigos, colegas e família juntavam-se no Terreiro do Paço para o banquete (LER AQUI).

Agora, Ministério Público e Polícia Judiciária encontraram faturas resultantes das ofertas que ascendem a 600 euros, o que ultrapassa em muito os limites impostos pela UEFA para cortesias.

Manter a coerência

Em outubro de 2015, a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga (CIIL) abriu uma averiguação ao caso dos vouchers e enviou perguntas aos árbitros e assistentes, que aconselhados pela Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) responderam com uma minuta-tipo às questões da CIIL. No mesmo dia que foi enviada a resposta-tipo, o documento chegou ao assessor jurídico Paulo Gonçalves. Faltavam quatro dias para Luís Filipe Vieira prestar depoimento na CIIL no âmbito desse processo.

O trabalho do Ministério Público é independente das averiguações e conclusões que os órgãos desportivos deliberaram sobre o caso, por isso aguardam-se novos desenvolvimentos da investigação.

Fotografia de LPFP

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