Nuno Correia da Silva questionou os rendimentos dos administradores da Sporting SAD relativos à temporada 2025/26, colocando em causa a subida das remunerações numa época em que, na sua perspetiva, os resultados desportivos ficaram aquém das expetativas.
Num artigo publicado no jornal 'O Jogo', o antigo administrador da SAD centrou as críticas em Frederico Varandas e nos restantes administradores executivos: “Rendimentos milionários numa época sem títulos. Do ponto de vista desportivo a época foi um fracasso, o Sporting não ganhou o campeonato, teve uma prestação desastrosa na Taça de Portugal, onde perdeu na final para o Torreense, da segunda liga, e a nível europeu também não conquistou qualquer título. A pergunta que tantas vezes foi repetida, e tanto intrigava os adeptos sportinguistas, recebeu resposta no relatório e contas da SAD, referente a 2025/2026, apresentado e publicado a 22 de setembro. Era difícil identificar as razões, ou perceber o que motivou a Direção da SAD a vender mais de 90% da equipa que tinha sido bicampeã. Uma equipa equilibrada, articulada, com boa ligação entre setores e com jogadores na designada "idade de ouro". As razões estão vertidas no relatório, os administradores da SAD duplicaram os seus rendimentos com fundamento nos resultados financeiros, essencialmente, com a venda de jogadores”.
O gestor prosseguiu com a análise aos valores recebidos pelos responsáveis da SAD: “O presidente da SAD do Sporting, Frederico Varandas, recebeu 776.500€, praticamente duplicou o rendimento obtido em 2024/25, época em que ganhou 390.000€. Um aumento de quase 100%. Os restantes administradores executivos da SAD, Francisco Salgado Zenha e André Bernardo, também foram aumentados, mas mais moderadamente, passaram de 514.000€ para 586.000€. Do ponto de vista desportivo a época foi um fracasso, o Sporting não ganhou o campeonato, teve uma prestação desastrosa na Taça de Portugal, onde perdeu na final para o Torreense, da segunda liga, e a nível europeu também não conquistou qualquer título. Por isso, os prémios que os administradores atribuíram a si mesmo são resultado, essencialmente, da prestação financeira”, acrescentou.
N. Correia da Silva: “É uma situação insólita"
Nuno Correia da Silva considera que existe uma contradição entre a valorização financeira da temporada e a ausência de conquistas no plano desportivo: “É uma situação insólita, o presidente do Sporting ganha, numa época em que não ganhou nada, o dobro do que tinha ganho na época anterior em que o Sporting fez a dobradinha, ganhou tudo. Quando o resultado financeiro prevalece sobre o resultado desportivo, nas remunerações de quem decide, as opções começam a ter prioridades que subvertem o propósito do próprio clube. Estes critérios explicam muito do que não conseguíamos compreender, explicam porque se fizeram tantas vendas, por que se desmantelou uma equipa e se quebrou um ciclo vencedor”, apontou.
A fechar, deixou uma questão sobre os critérios utilizados para definir os prémios: “A situação obriga a colocar uma pergunta: será que faz sentido os administradores receberem prémios por resultados financeiros sem existirem resultados desportivos? Desde o primeiro ano de mandato, época 2028/2019, o presidente do Sporting aumentou o seu rendimento em 550%. E o vice-presidente, Francisco Salgado Zenha, aumentou em 650%. Não há nada comparável na história do Sporting”, escreveu