“FIQUEI INCONSCIENTE CINCO SEGUNDOS”
Bas Dost contou a sua versão do ataque de Alcochete
Rodrigo Soares Fernandes
Texto
12 de Fevereiro 2020, 17:36
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Bas Dost foi hoje (12 de fevereiro) ouvido no âmbito do julgamento de Alcochete. O ponta de lança holandês foi o jogador que mais sofreu na pele nesta invasão à Academia, ficando com a cabeça aberta e tendo precisado de levar pontos. O agora jogador do Eintracht Frankfurt contou o que se lembra deste dia.

“Fomos para o balneário e nesse momento entrou muita gente. Estava no corredor quando entraram os primeiros indivíduos. Como já era jogador do Sporting há algum tempo perguntei o que estavam ali a fazer. Os jogadores estavam a entrar no balneário, estávamos preparados para o treino e, não compreendi porquê, o Vasco Fernandes mandou-nos para o balneário. Não voltei, fiquei no corredor, a porta abriu-se e entrou um homem com máscara. Estava sozinho e fiquei com medo, até que um se voltou para mim, sem que visse o que tinha na mão, e atingiu-me na cabeça. Caí para o chão, o indivíduo que me agrediu deu-me depois pontapés e disse a outro que fizesse o mesmo. Fiquei no chão inconsciente cinco segundos. O João Rollin [secretário técnico adjunto] veio para me ajudar e deu pontapés à pessoa que me agredia. Levantou-me, porque ele é muito forte, e afastou-me do corredor. Tinha muito sangue na cabeça, ele levou-me para outro sítio e disse-me que tinha de voltar para ajudar os outros. Nesse momento até fui egoísta e disse que não me deixasse. Ele levou-me para outra sala onde estava o enfermeiro Mota e um médico que me assistiram. Foi tudo muito rápido, em cinco minutos. Quando os meus colegas entraram nessa sala e lhes perguntei se já tinham ido embora, disseram-me que sim”, relatou.

Sobre Bruno de Carvalho o avançado holandês disse que teve “problemas em vê-lo”.

“Lembro-me muito bem dele lá. Estávamos no balneário. Tive imensos problemas em vê-lo porque não queria acreditar que pessoas tinham entrado no nosso balneário. Estava zangado porque nunca imaginei na minha vida que isto podia acontecer e lembro-me de lhe ter gritado em inglês como era possível aquilo ter acontecido. Fui-me embora zangado”, disse.

O julgamento prossegue amanhã, dia 13, com Sousa Cintra a falar de manhã, enquanto de tarde falam as testemunhas de Bruno de Carvalho: Alexandre Godinho, Carlos Carneiro e Miguel Maia.

Fotografia do Sporting CP.

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