MIGUEL BRAGA: “NO SPORTING HÁ UMA ESPÉCIE DE VOTO PROFÉTICO”
Responsável pela comunicação do Clube de Alvalade fala de "um grupo que, por uma questão de fé, uma fé bastante absolutista, vota sempre da mesma forma"
Maria Pinto Jorge
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12 de Outubro 2021, 10:15
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Na passada segunda-feira, dia 11 de outubro, Miguel Braga, diretor de comunicação do Sporting, comentou a Assembleia-Geral do Clube do passado dia 30 de setembro – no programa Raio-X da Sporting TV – e a posição tomada por Frederico Varandas depois de conhecer os resultados que chumbaram três dos quatro pontos em discussão.

“O que está em causa é a reputação do próprio clube e da SAD”

  • “O que está em causa é a reputação do próprio clube e da SAD. Se existe, ou não, um sentido de responsabilidade dos sócios do Sporting quando votam. O voto político é uma coisa, o voto para o normal funcionamento da instituição é outra completamente diferente. Seria saudável se conseguíssemos separar as coisas”.

“Temos de perceber que há uma espécie de voto profético”

  • “No caso concreto do nosso clube, temos de perceber que há uma espécie de voto profético. Há um grupo que, por uma questão de fé, uma fé bastante absolutista, vota sempre da mesma forma, seja o clube campeão nacional de futebol, ganhe no futsal, ganhe a Liga dos Campeões no futsal, ganhe as Continentais no hóquei, tenha dezenas e dezenas de vitórias desportivas nesse ano… Parece que, independentemente dos títulos e do sucesso desportivo do clube, vão votar sempre contra. Está tudo certo, se não estivesse profundamente errado pela sua natureza, porque, como digo, o bom funcionamento do clube, o bom nome do Sporting, acabam por estar um pouco em causa perante esta incapacidade de gerirmos o nosso próprio sucesso”.

“O que está aqui em causa não é um ato eleitoral”

  • “Construir uma reputação é muito difícil. Destruí-la pode demorar um minuto. Nós temos de perceber que, do outro lado da mesa, as pessoas devem estar a pensar: ‘Então, estes tipos ganham tudo e não se conseguem entender?’ E isto não é bom para o Sporting. Nós vamos ter eleições em março ou abril do próximo ano. Todos os sócios serão chamados, aí sim, para votarem em quem querem à frente do clube. Do que estamos a falar agora é de um voto praticamente técnico, de documentos auditados, de orçamentos competitivos e menores do que aquele que acabamos por estar a governar em duodécimos. Isto é tudo complicado mas devíamos simplificar e perceber que o que está aqui em causa não é um ato eleitoral, não é uma moção de censura, nem uma moção de confiança: são três documentos, dois relatórios e contas e um orçamento”.
  • “Nós temos uma administração que gastou menos dinheiro e ganhou mais títulos. E estamos nesta luta porquê? Qual é o objetivo? A não ser que seja um objetivo, diria eu, de os outros dois rivais, de alguma maneira, estarem a atacar-nos numa fase em que as coisas não estão a correr tão bem para eles”.
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