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17 Ago 2020 | 17:07
Se uma pessoa vale tanto quanto a sua palavra, uma instituição valerá tanto mais quanto a sua capacidade de honrar os seus compromissos.
Muitas têm sido as notícias, ultimamente, acerca de um acumular de dívidas por parte do Sporting Clube de Portugal. Não se paga o treinador que tanta força se fez para se ir buscar, não se pagam jogadores que foram comprados e chega-se ao ponto de não pagar a fornecedores, numa época em que a única coisa positiva que houve foi o encaixe financeiro.
Entre a venda de Bas Dost e Bruno Fernandes, passando pela campanha de renumeração que, de acordo com os comunicados da Direcção, foi um sucesso que rendeu mais de um milhão de euros, em plena pandemia, não se consegue perceber a posição adoptada de não honrar os compromissos assumidos.
A culpa, dizem “eles”, é da COVID-19, é dos treinadores que não querem pagar impostos, é das negociações que se atrasam, é da chuva, é do vento… É de tudo e de todos, excepto da inépcia que reina na condução dos negócios e do Clube.
E entretanto, o que não alcança esta Direcção, é que mais preocupante que a penhora de futuras receitas europeias (com as quais, por este andar, nem nos teremos de preocupar), é o penhor da palavra da instituição Sporting CP.
Se uma pessoa vale tanto quanto a sua palavra, uma instituição valerá tanto mais quanto a sua capacidade de honrar os seus compromissos. Não é isto que é o Sporting Clube de Portugal, que apenas sai fragilizado destas situações, retratado como uma instituição pouco credível e apelativa para celebrar negócios e muito menos é isto que os Sócios e Adeptos pretendem que seja a imagem do Clube.
Assumir toda a responsabilidade não é apenas uma frase bonita que fica bem numa capa de jornal. A responsabilidade significa muito mais, significa saber o peso das funções que se desempenha, saber que se está à frente de uma instituição centenária e honrar a palavra dada, servindo o Clube (e não servindo-se dele) sempre de modo a aumentar a sua grandeza e não a deixá-lo ser achincalhado em praça pública e com uma imagem de mau parceiro de negócios.
Mas, infelizmente, a única coisa que tem sido grande ultimamente no Sporting Clube de Portugal é a confusão. Há dinheiro, mas não se paga; o esforço para a recuperação financeira é enorme, mas entra mais dinheiro nos cofres do que no passado recente…
A pandemia tem sido desculpa para muita coisa, mas o problema no Sporting CP é que o vírus chegou muito antes de 2020, na forma de uma Direcção em que, se o Clube não “morre da doença, morre da cura”.
Seria preferível que, em vez de não cumprir negócios celebrados, com desculpas de mau pagador, se fizesse aquilo que é devido, que é uma correcta avaliação sobre a realização dos mesmos, antes de se comprometer o Clube.
Assim, na actual conjuntura, por mais que custe dizê-lo, neste mercado de Verão, a contratação mais quente do Sporting CP tem sido o calote.
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