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A MAIOR “PRÉ-ÉPOCA” DA HISTÓRIA DO FUTEBOL
Que Rúben Amorim e toda a estrutura do futebol consigam perceber com rigor o que temos e o que nos falta, de forma a que a próxima época possa ser de conquistas leoninas.
10 Jul 2020, 10:00

A actual equipa do Sporting está a realizar uma das melhores (em termos de qualidade do trabalho que pode ser desenvolvido) e, certamente, a mais longa “pré-época” da história do nosso futebol.

Pode parecer estranho falar deste período competitivo que atravessamos, que vai desde a retoma das competições pós-Covid, até ao desfecho das principais provas nacionais, no final deste mês, como “pré-época”, porque algumas coisas ainda estão em causa.

Desde logo, a conquista do terceiro lugar, uma posição muito aquém daquilo a que o Sporting deve ambicionar – que é sempre o primeiro lugar e a conquista do título de campeão – mas que era o máximo a que ousávamos ambicionar quando Rúben Amorim pegou na equipa.

Mas a verdade é que, apesar de se afigurar imperativo assegurar o terceiro lugar, a pressão sobre a equipa é “apenas” a de jogar em representação do Sporting, com o peso, a responsabilidade e os deveres que a nossa camisola e o nosso emblema ao peito representam para os atletas.

Até o facto de as bancadas estarem despidas de público retiram pressão e trazem a sensação de estarmos a disputar “amigáveis” à porta fechada.

Não se enganem os leitores, não se enganem sobretudo os jogadores, porque estes estão obrigados a ganhar os jogos. Queremos o terceiro lugar, já que não podemos ambicionar melhor esta época.

Queremos o que sempre exigimos, Esforço, Dedicação e Devoção, não para atingir a Glória, que esta época já não se atinge, mas para conquistar a vitória, que é o que se espera sempre de um leão.

Ainda assim, Rúben Amorim beneficia de uma oportunidade única, como nenhum treinador alguma vez teve, de trabalhar com tempo e pressão muito reduzida para construir uma equipa. Pode fazê-lo, de forma absolutamente excepcional e fantástica, num quadro competitivo oficial, mas sem as habituais pressões a ele associadas.

O treinador, bem, percebeu esta oportunidade única com que os céus o bafejaram, e logo arrancou com… o planeamento da próxima época, chamando muitos jovens da formação, que está a lançar na equipa principal, de forma a saber com o que conta.

Vai trabalhando também diariamente com um conjunto ainda mais alargado de jovens e, dessa forma, está a perceber com o que pode contar, ao mesmo tempo que incute nos jogadores e trabalha com eles a sua filosofia de jogo.

Convém recordar: Rúben Amorim pegou no Sporting após a 23ª jornada. O Sporting tinha 39 pontos, à sua frente estava o Braga (43 pontos, mais quatro que o Sporting), o Benfica (58 pontos, mais 19 que o Sporting) e o Porto (59 pontos, mais 20 pontos que o Sporting).

Imediatamente atrás do Sporting vinham o Rio Ave (37 pontos, apenas menos dois que o Sporting) e o Famalicão (36 pontos, menos três pontos).

Hoje, se o Sporting ganhar ao Santa Clara, como todos desejamos, a equipa continuará ainda inadmissivelmente distante do primeiro lugar – o Porto terá mais 17 pontos que nós – mas já mais próxima do segundo lugar, que antes estava à distância de uns inacreditáveis 19 pontos, e agora está a nove. É bom? Não, é péssimo, mas dificilmente, nas circunstâncias em que Rúben pegou na equipa, imaginaríamos melhor.

Até porque o Braga, que antes estava à nossa frente quatro pontos, está agora atrás de nós (se ganhar o seu jogo desta jornada, fica com menos três pontos).

Famalicão e Rio Ave, que antes ameaçavam a nossa posição na tabela, se ganharmos hoje, como se espera, vão já ficar com menos 10 e nove pontos que o Sporting, respectivamente.

Antes de Ruben Amorim, o Sporting tinha disputado 23 jogos para a Liga Portugal e somava 12 vitórias, 3 empates e 8 derrotas, com uma média de 1,38 pontos perdidos por jogo.

Em sete jogos disputados com Rúben Amorim ao comando, o Sporting totaliza cinco vitórias, dois empates e nenhuma derrota, com a média de pontos perdidos por jogo a baixar drasticamente para 0,57.

Esta “atípica” pré-época vai agora aquecer. O Sporting, após receber hoje o Santa Clara, tem de viajar até ao Dragão. Depois, recebe o Vitória de Setúbal, antes de encerrar a competição com uma visita à Luz, para disputar o dérbi dos dérbis (e sabemos que quem está na mó de baixo (neste momento, o SLB) agiganta-se sempre nestes jogos.

Que Rúben Amorim e toda a estrutura do futebol consigam perceber com rigor o que temos e o que nos falta, de forma a que a próxima época possa ser de conquistas leoninas.

Têm todas as condições para fazer o trabalho bem feito. Afinal, beneficiaram da melhor e mais longa “pré-época” da história do futebol.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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